Nesta história não entram os «polícias»
Aproveitando um intervalo da sessão de auto-elogios que o governo decidiu realizar no passado domingo e depois de reafirmar, sabe-se lá porquê, o seu optimismo e o do governo que integra relativamente às perspectivas de evolução económica para 2008, o ministro das Finanças, referindo-se às críticas de que ele próprio e o Governador do Banco de Portugal têm sido alvo a propósito da situação que se tem vivido nas últimas semanas em torno do BCP e da Caixa Geral de Depósitos (CGD), comparou essas críticas a uma história de polícias e ladrões, em que, ao contrário do que acontece nas séries televisivas, eram os polícias que estavam a ser perseguidos e não os ladrões.
A gravidade da situação exige que se apurem todas as responsabilidades, criminais e políticas
Como está equivocado o ministro das Finanças! Ele sabe melhor do que ninguém que neste caso, e ao contrário dos policiais americanos em que no fim os bons ganham sempre aos maus, a realidade ultrapassa a ficção, pelo que nem de lupa na mão se consegue descortinar onde estão os «bons» nesta história. Utilizando a metáfora do sr. ministro, nesta história não entram os «polícias», porque esses há muito foram mandados regressar à «esquadra».
Passando da ficção para a realidade, uma realidade preocupante, aquilo a que temos vindo a assistir nos últimos dois anos, e já no início de 2008, confirma o que há muito temos dito sobre o papel do sector financeiro em Portugal e sobre a submissão crescente do poder político face ao poder dos grandes grupos económicos e financeiros. Um sector financeiro que funciona como centro de acumulação e de distribuição de capital, através da transferência de riqueza do sector produtivo para o sector financeiro, com a participação do Estado, através de regulamentação e legislação, inclusive fiscal, adequada a esses objectivo. Sector financeiro cuja natureza depredadora tem contribuído para agravar a crise e a degradação económica e social do país.
A OPA falhada do BCP sobre o BPI, iniciada em Março de 2006, a tentativa de fusão com a integração do BCP no BPI, em Outubro de 2007, a guerra entre os accionistas de referência no BCP e, por último, a dança de cadeiras nas Administrações da CGD e BCP são apenas alguns dos episódios visíveis de um processo cujos contornos pouco claros confirmam a existência de um bloco central de interesses, que tudo procura dominar na vida política e económica do país. As exigências públicas feitas por dirigentes do PSD para que pessoas da sua área de influência política ocupem lugares nas direcções dos dois bancos, são disso sintomáticas.
Silêncio comprometedor
Depois da privatização da banca e das seguradoras PS, PSD e CDS-PP têm mantido ao longo dos anos uma forte influência nas administrações dos principais grupos financeiros. Para o PS a questão é reforçar essas posições, para o PSD e o CDS a preocupação é não perderem posições.
Tem sido em nome deste bloco de interesses que as entidades fiscalizadoras, Banco de Portugal e CMVM, mantiveram um comprometedor silêncio sobre as irregularidades praticadas no BCP, das quais, de acordo com notícias vindas a público, tiveram conhecimento atempado. Silêncios que no caso do Governador do Banco de Portugal contrastam com intervenções sistemáticas de grande «preocupação» com a possibilidade de aumentos salariais, quer no sector público, quer no sector privado.
A gravidade da situação exige que se apurem todas as responsabilidades, criminais e políticas. O domínio político e económico alcançado pelo capital financeiro é o resultado da opção de sucessivos governos pela via retrógrada de acumulação capitalista que tem conduzido o País ao declínio, à estagnação económica, ao retrocesso social e ao avolumar das injustiças.
A procissão ainda vai no adro, mas o que já é conhecido vem dar razão aos alertas que o PCP tem vindo a fazer ao longo dos anos para esta estranha evolução da nossa economia: um sector produtivo estagnado e um sector especulativo que vai acumulando lucros sobre lucros.
Se houver coragem, o que duvidamos, para tirar os «polícias das esquadras» e dar-lhes os meios para poderem investigar toda esta história, talvez o nosso povo possa finalmente conhecer o verdadeiro rosto de quem nos vem governando nas últimas décadas.
Aos olhos dos portugueses torna-se cada vez mais clara a necessidade do sector financeiro estar ao serviço do nosso tecido económico e social e não ser campo para meia dúzia de famílias acumularem lucros escandalosos com operações de muito duvidosa legalidade.
É para isso que continuamos a lutar!
Passando da ficção para a realidade, uma realidade preocupante, aquilo a que temos vindo a assistir nos últimos dois anos, e já no início de 2008, confirma o que há muito temos dito sobre o papel do sector financeiro em Portugal e sobre a submissão crescente do poder político face ao poder dos grandes grupos económicos e financeiros. Um sector financeiro que funciona como centro de acumulação e de distribuição de capital, através da transferência de riqueza do sector produtivo para o sector financeiro, com a participação do Estado, através de regulamentação e legislação, inclusive fiscal, adequada a esses objectivo. Sector financeiro cuja natureza depredadora tem contribuído para agravar a crise e a degradação económica e social do país.
A OPA falhada do BCP sobre o BPI, iniciada em Março de 2006, a tentativa de fusão com a integração do BCP no BPI, em Outubro de 2007, a guerra entre os accionistas de referência no BCP e, por último, a dança de cadeiras nas Administrações da CGD e BCP são apenas alguns dos episódios visíveis de um processo cujos contornos pouco claros confirmam a existência de um bloco central de interesses, que tudo procura dominar na vida política e económica do país. As exigências públicas feitas por dirigentes do PSD para que pessoas da sua área de influência política ocupem lugares nas direcções dos dois bancos, são disso sintomáticas.
Silêncio comprometedor
Depois da privatização da banca e das seguradoras PS, PSD e CDS-PP têm mantido ao longo dos anos uma forte influência nas administrações dos principais grupos financeiros. Para o PS a questão é reforçar essas posições, para o PSD e o CDS a preocupação é não perderem posições.
Tem sido em nome deste bloco de interesses que as entidades fiscalizadoras, Banco de Portugal e CMVM, mantiveram um comprometedor silêncio sobre as irregularidades praticadas no BCP, das quais, de acordo com notícias vindas a público, tiveram conhecimento atempado. Silêncios que no caso do Governador do Banco de Portugal contrastam com intervenções sistemáticas de grande «preocupação» com a possibilidade de aumentos salariais, quer no sector público, quer no sector privado.
A gravidade da situação exige que se apurem todas as responsabilidades, criminais e políticas. O domínio político e económico alcançado pelo capital financeiro é o resultado da opção de sucessivos governos pela via retrógrada de acumulação capitalista que tem conduzido o País ao declínio, à estagnação económica, ao retrocesso social e ao avolumar das injustiças.
A procissão ainda vai no adro, mas o que já é conhecido vem dar razão aos alertas que o PCP tem vindo a fazer ao longo dos anos para esta estranha evolução da nossa economia: um sector produtivo estagnado e um sector especulativo que vai acumulando lucros sobre lucros.
Se houver coragem, o que duvidamos, para tirar os «polícias das esquadras» e dar-lhes os meios para poderem investigar toda esta história, talvez o nosso povo possa finalmente conhecer o verdadeiro rosto de quem nos vem governando nas últimas décadas.
Aos olhos dos portugueses torna-se cada vez mais clara a necessidade do sector financeiro estar ao serviço do nosso tecido económico e social e não ser campo para meia dúzia de famílias acumularem lucros escandalosos com operações de muito duvidosa legalidade.
É para isso que continuamos a lutar!