Ensino especial esquecido
Há um imenso retrocesso na concepção da escola de ensino especial
Para o líder comunista, que falava anteontem no debate mensal com o Primeiro-Ministro, esta postura do Executivo é reveladora da sua insensibilidade em matéria de educação. Este foi, aliás, o tema que José Sócrates escolheu para este debate, utilizado-o para apresentar os resultados da política educativa e dar a conhecer em primeira mão a «reforma da gestão escolar». Entre as várias medidas nela previstas está a criação da figura do «director» de escola, uma decisão de imediato contestada pelo líder do PCP que a classificou como um «voltar ao tempo do velho director da escola», por isso merecedor do «aplauso e satisfação da direita».
«Há mais alunos, mais sucesso, menos abandono escolar», afirmara, antes, o chefe do Governo, sintetizando o que disse serem os bons resultados escolares de dois anos de trabalho.
Várias foram porém as suas omissões em matéria de educação, entre as quais, curiosamente, a problemática da escola inclusiva.
Com efeito, nem uma palavra foi por si dedicada a este tema na sua intervenção inicial. Só perante a insistência de Jerónimo de Sousa, numa segunda volta, é que o abordou mas apenas para, passando ao lado das questões suscitadas, invocar um suposto reconhecimento internacional pela sua política na área do ensino especial.
Escola inclusiva
O dirigente comunista denunciara momentos antes como a «rígida e cega aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade», com a limitada adequação dos seus critérios à área da educação, «está a pôr em causa a ideia de escola inclusiva» e a originar infindáveis «dramas que recaem sobre as famílias». É que, lembrou, a acção do Executivo já «conduziu ao afastamento de cerca de 50 por cento dos professores do ensino especial e com eles ao afastamento também de 40 mil alunos que deixaram de caber no estrito e limitado conceito de necessidades educativas permanentes ou prolongadas em que se fundamenta agora o acesso ao ensino especial».
Jerónimo de Sousa acusou ainda o Governo de ser o responsável pelo «imenso retrocesso» registado na concepção da escola de ensino especial e do aluno com necessidades educativas especiais, lembrando que estes estão agora integrados numa «rede segregada, ao mesmo tempo que se atiram para o caixote das inutilidades recursos humanos com formação e experiência», substituindo-os por «professores de qualquer área sem formação específica e sem vocação para acompanhar alunos, muitos dos quais com deficiências profundas».
Professores maltratados
Jerónimo de Sousa acusou ainda o Governo de pôr em causa as condições necessárias para garantir uma escola de qualidade, exemplificando, a este propósito, com o «mal-estar e instabilidade» criados nas escolas, nomeadamente no seu corpo docente, devido à «imposição de um Estatuto da Carreira inaceitável que desvaloriza os professores, ao mesmo que os diaboliza, agravando as condições de trabalho na escola».
Trazidos para o centro do debate pelo dirigente comunista foram ainda temas como o do aumento do desemprego, o agravamento das taxas de juros e suas consequências para as famílias, e os perigos para a economia decorrentes da política cambial de sistemática revalorização do euro face ao dólar.
«Há mais alunos, mais sucesso, menos abandono escolar», afirmara, antes, o chefe do Governo, sintetizando o que disse serem os bons resultados escolares de dois anos de trabalho.
Várias foram porém as suas omissões em matéria de educação, entre as quais, curiosamente, a problemática da escola inclusiva.
Com efeito, nem uma palavra foi por si dedicada a este tema na sua intervenção inicial. Só perante a insistência de Jerónimo de Sousa, numa segunda volta, é que o abordou mas apenas para, passando ao lado das questões suscitadas, invocar um suposto reconhecimento internacional pela sua política na área do ensino especial.
Escola inclusiva
O dirigente comunista denunciara momentos antes como a «rígida e cega aplicação da Classificação Internacional de Funcionalidade», com a limitada adequação dos seus critérios à área da educação, «está a pôr em causa a ideia de escola inclusiva» e a originar infindáveis «dramas que recaem sobre as famílias». É que, lembrou, a acção do Executivo já «conduziu ao afastamento de cerca de 50 por cento dos professores do ensino especial e com eles ao afastamento também de 40 mil alunos que deixaram de caber no estrito e limitado conceito de necessidades educativas permanentes ou prolongadas em que se fundamenta agora o acesso ao ensino especial».
Jerónimo de Sousa acusou ainda o Governo de ser o responsável pelo «imenso retrocesso» registado na concepção da escola de ensino especial e do aluno com necessidades educativas especiais, lembrando que estes estão agora integrados numa «rede segregada, ao mesmo tempo que se atiram para o caixote das inutilidades recursos humanos com formação e experiência», substituindo-os por «professores de qualquer área sem formação específica e sem vocação para acompanhar alunos, muitos dos quais com deficiências profundas».
Professores maltratados
Jerónimo de Sousa acusou ainda o Governo de pôr em causa as condições necessárias para garantir uma escola de qualidade, exemplificando, a este propósito, com o «mal-estar e instabilidade» criados nas escolas, nomeadamente no seu corpo docente, devido à «imposição de um Estatuto da Carreira inaceitável que desvaloriza os professores, ao mesmo que os diaboliza, agravando as condições de trabalho na escola».
Trazidos para o centro do debate pelo dirigente comunista foram ainda temas como o do aumento do desemprego, o agravamento das taxas de juros e suas consequências para as famílias, e os perigos para a economia decorrentes da política cambial de sistemática revalorização do euro face ao dólar.