A rica prenda
Vamos ficando fartos de estudos e de estatísticas. Não porque ponhamos em causa a veracidade de uns e de outras, mesmo que a gente saiba perfeitamente que a média dos tostões que nos cabem acaba, na realidade, por enriquecer uns e empobrecer os outros, que são a maioria. Quantos pobres são necessários para fazer um rico?, perguntava o Garrett, na primeira metade do século XIX, quando Marx ainda não escrevera o Capital.
As razões do fartote são claras. Andam a dizer, por aí, na Europa – e menos em Portugal, certamente por discrição – que estamos mais pobres. Que os ricos estão cada vez mais ricos. Que estamos na cauda do pelotão. Que é preciso rever em baixa as expectativas propagandeadas pelo Governo. Que a inflação vai ser maior, como sempre, do que o anunciado em cada Orçamento.
Ora não valia a pena fazer tantos estudos para chegar a tais conclusões. Aceitemo-las, ainda assim, a bem da verdade científica. E a bem do emprego – certamente precário – de muitos que se esfalfam em entrevistas, visitas e compilações para que seja possível construir uma imagem aproximada da realidade social do País.
É que tudo isso já a gente sabe por experiência. Basta contar os trocados. Ou fazer umas compras. Ou observar as dificuldades e a miséria com que milhões de portugueses se defrontam.
Aliás, o leitor dirá provavelmente que sobre essas dificuldades fala o nosso jornal abundantemente, que não temos razões de queixa de falta de notícias tristes, temperadas, é certo, pelos abundantes exemplos de lutas, de resistência, de vitórias alcançadas contra a voragem capitalista, servida na perfeição pela socrática social-democracia do PS.
Ao aproximar-se mais uma quadra natalícia, o aviso já fez estremecer os ecrãs das TVs: escasseia cada vez mais o dinheiro para as prendas. A notícia vinha acompanhada de mais outras – por exemplo a de que cresce o crédito mal parado, pois muitos milhares de pessoas não têm que chegue para pagar a prestação ao banco.
Sobre as prendas, já sabíamos. Não era preciso anunciar. Vai haver cada vez menos prendas enquanto a rica prenda que o Governo é se mantiver no poder.
As razões do fartote são claras. Andam a dizer, por aí, na Europa – e menos em Portugal, certamente por discrição – que estamos mais pobres. Que os ricos estão cada vez mais ricos. Que estamos na cauda do pelotão. Que é preciso rever em baixa as expectativas propagandeadas pelo Governo. Que a inflação vai ser maior, como sempre, do que o anunciado em cada Orçamento.
Ora não valia a pena fazer tantos estudos para chegar a tais conclusões. Aceitemo-las, ainda assim, a bem da verdade científica. E a bem do emprego – certamente precário – de muitos que se esfalfam em entrevistas, visitas e compilações para que seja possível construir uma imagem aproximada da realidade social do País.
É que tudo isso já a gente sabe por experiência. Basta contar os trocados. Ou fazer umas compras. Ou observar as dificuldades e a miséria com que milhões de portugueses se defrontam.
Aliás, o leitor dirá provavelmente que sobre essas dificuldades fala o nosso jornal abundantemente, que não temos razões de queixa de falta de notícias tristes, temperadas, é certo, pelos abundantes exemplos de lutas, de resistência, de vitórias alcançadas contra a voragem capitalista, servida na perfeição pela socrática social-democracia do PS.
Ao aproximar-se mais uma quadra natalícia, o aviso já fez estremecer os ecrãs das TVs: escasseia cada vez mais o dinheiro para as prendas. A notícia vinha acompanhada de mais outras – por exemplo a de que cresce o crédito mal parado, pois muitos milhares de pessoas não têm que chegue para pagar a prestação ao banco.
Sobre as prendas, já sabíamos. Não era preciso anunciar. Vai haver cada vez menos prendas enquanto a rica prenda que o Governo é se mantiver no poder.