Então não é?

José Casanova
Aqui há tempos, o Presidente Bush disponibilizou umas centenas de milhões de dólares para comprar uma boa imagem dos EUA na Europa. Logo a seguir, uma série de escribas europeus passou a escrever textos laudatórios do imperialismo norte-americano e das suas múltiplas virtudes, nomeadamente a liberdade, a democracia e os direitos humanos – valores que, dizem eles, viram a luz do dia nos EUA e ali florescem exuberantemente. Paralelamente a esta visão das coisas, os ditos escribas disparam a matar sobre aqueles a quem chamam «anti-americanistas primários» - ou seja, todos os que denunciam as ambições de domínio do mundo dos EUA e a sua política terrorista de ocupação, destruição e esmagamento de países e povos, à custa de centenas de milhares de vidas humanas. Como tem vindo a acontecer, por exemplo, no Iraque – com o repúdio forte de parte grande da opinião pública mundial.
Então, fazer esquecer o Iraque, passar uma imensa esponja sobre o que ali tem sido feito, é, hoje, um dos objectivos da rede de propagandistas do Império espalhada por essa Europa fora. E não precisam de se cansar muito a pensar nos argumentos a utilizar: uma recente edição para a Europa da revista Newsweek fornece-lhes a papinha feita, como diligentemente traduz Teresa de Sousa (TS) no Público. Segundo a revista, são várias «as razões pelas quais os europeus estão dispostos a deixar para trás o Iraque e a restabelecer as melhores relações possíveis com Washington». Curiosamente, todas elas - «as razões» - têm a ver com a necessidade de criar uma boa imagem dos EUA na Europa, passando isso por uma UE assumida como sucursal do imperialismo norte-americano, e pela necessidade, também assumida, de deitar para o caixote do lixo o desacreditado e irrecuperável Bush – o tal que tem gasto milhões a comprar uma boa imagem dos EUA…
Foi isso que, segundo TS, Sócrates quis dizer quando, nos EUA, afirmou que «o que é preciso é olhar para o futuro» - e quando, no intervalo das suas horas de jogging, disse que «a América é fundamental para fazer prevalecer no mundo uma agenda baseada na democracia e nos direitos humanos». Então não é? Basta olhar para o mundo…


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