O Golpe
Um golpe, com todas as letras
Ao acompanhar a actual situação em Timor-Leste vem-nos à memória palavras de uma resistente timorense residente em Portugal, que no dia 20 de Maio de 2002, dia da restauração da independência de Timor, no meio da multidão solidária que enchia o Estádio 1.º de Maio em Lisboa, nos comentava emocionada: «o mais difícil vem agora, camarada».
A realidade confirma a justeza desta simples frase. Mas, passados cinco anos, no meio de tanta mentira, é importante dizer que o factor que determinou a actual situação não foi a incapacidade do povo timorense ou do governo que liderou a fase mais difícil de construção deste país. Esses tiveram sucesso porque em apenas cinco anos, partindo do zero, conseguiram começar a reconstruir, literalmente, um país, pô-lo a funcionar minimamente e iniciar a transição de uma «sociedade» de resistentes que se formou nas montanhas para uma sociedade justa e democrática apostada em fazer crescer o seu país, através da valorização dos seus principais recursos.
Foi de facto a determinação do governo timorense que fez soar as campainhas do sistema que não tolera que um pequeno país, nascido do ventre da luta do seu povo, rico em recursos naturais, dirigido por uma força progressista, cresça, se afirme e exerça a sua soberania. John Howard, George W. Bush, Durão Barroso, e outros, são os rostos de uma «coligação» internacional que disse «basta» e que encontrou em Timor, entre os traidores da luta do seu povo, a frente interna necessária para levar a cabo o golpe que agora se consumou.
Um golpe que durante ano e meio, e tendo como horizonte as eleições de 2007, teve sempre como objectivo isolar o mais possível a Fretilin do seu povo. Recordemo-nos das mobilizações da igreja, desrespeitando a constituição; das manobras em torno do Congresso da Fretilin, tentando destruir por dentro a sua unidade; da conspiração internacional, com o mercenário Reinado – que continua alegremente em liberdade – que resultou na ocupação de facto de Timor por 1500 soldados australianos. Recordemo-nos das provocações das forças australianas a grupos de jovens; do incêndio na sede da Fretilin, das ameaças de morte a Alkatiri ou das perseguições a militantes deste Partido. Recordemo-nos das alianças anti-Fretilin nas presidenciais e mais recentemente nas legislativas.
Mas, apesar do poder dos conspiradores o efeito não foi suficiente. A Fretilin ganhou as legislativas. Foi então preciso recorrer a outro tipo de acções e mandar ás malvas a democracia e os resultados das eleições. Um Golpe, com todas as letras.
Um golpe que esperou «pacientemente» pelo ano em que pela primeira vez vão jorrar as centenas de milhões de dólares do petróleo do mar de Timor. Um golpe que à proposta da Fretilin de um governo abrangente com um primeiro-ministro independente respondeu NÃO! Estava tudo programado. Para os golpistas a democracia e a soberania apenas servem quando não chocam com os seus interesses. Não espanta portanto que John Howard fosse, no dia do seu aniversário, a Timor dizer de sua justiça relativamente á nomeação de Xanana. Não espanta portanto a tentativa de criminalização daqueles que lutam nas ruas contra a tentativa de assassinato da democracia timorense. Não espanta que os primeiros a saudar o golpe tenham sido os seus próprios mentores: os governos da Austrália e dos EUA.
A realidade confirma a justeza desta simples frase. Mas, passados cinco anos, no meio de tanta mentira, é importante dizer que o factor que determinou a actual situação não foi a incapacidade do povo timorense ou do governo que liderou a fase mais difícil de construção deste país. Esses tiveram sucesso porque em apenas cinco anos, partindo do zero, conseguiram começar a reconstruir, literalmente, um país, pô-lo a funcionar minimamente e iniciar a transição de uma «sociedade» de resistentes que se formou nas montanhas para uma sociedade justa e democrática apostada em fazer crescer o seu país, através da valorização dos seus principais recursos.
Foi de facto a determinação do governo timorense que fez soar as campainhas do sistema que não tolera que um pequeno país, nascido do ventre da luta do seu povo, rico em recursos naturais, dirigido por uma força progressista, cresça, se afirme e exerça a sua soberania. John Howard, George W. Bush, Durão Barroso, e outros, são os rostos de uma «coligação» internacional que disse «basta» e que encontrou em Timor, entre os traidores da luta do seu povo, a frente interna necessária para levar a cabo o golpe que agora se consumou.
Um golpe que durante ano e meio, e tendo como horizonte as eleições de 2007, teve sempre como objectivo isolar o mais possível a Fretilin do seu povo. Recordemo-nos das mobilizações da igreja, desrespeitando a constituição; das manobras em torno do Congresso da Fretilin, tentando destruir por dentro a sua unidade; da conspiração internacional, com o mercenário Reinado – que continua alegremente em liberdade – que resultou na ocupação de facto de Timor por 1500 soldados australianos. Recordemo-nos das provocações das forças australianas a grupos de jovens; do incêndio na sede da Fretilin, das ameaças de morte a Alkatiri ou das perseguições a militantes deste Partido. Recordemo-nos das alianças anti-Fretilin nas presidenciais e mais recentemente nas legislativas.
Mas, apesar do poder dos conspiradores o efeito não foi suficiente. A Fretilin ganhou as legislativas. Foi então preciso recorrer a outro tipo de acções e mandar ás malvas a democracia e os resultados das eleições. Um Golpe, com todas as letras.
Um golpe que esperou «pacientemente» pelo ano em que pela primeira vez vão jorrar as centenas de milhões de dólares do petróleo do mar de Timor. Um golpe que à proposta da Fretilin de um governo abrangente com um primeiro-ministro independente respondeu NÃO! Estava tudo programado. Para os golpistas a democracia e a soberania apenas servem quando não chocam com os seus interesses. Não espanta portanto que John Howard fosse, no dia do seu aniversário, a Timor dizer de sua justiça relativamente á nomeação de Xanana. Não espanta portanto a tentativa de criminalização daqueles que lutam nas ruas contra a tentativa de assassinato da democracia timorense. Não espanta que os primeiros a saudar o golpe tenham sido os seus próprios mentores: os governos da Austrália e dos EUA.