Ferroviários alemães voltam à greve

Maquinistas puxam a sirene

Os maquinistas dos comboios alemães iniciam hoje, quinta-feira, uma greve parcial que deverá afectar sobretudo o transporte de mercadorias, prevendo-se que o tráfego de passageiros sofra alguns atrasos.

Aumentos salariais até 31% são uma reivindicação dos grevistas

Com esta paralisação, os maquinistas alemães iniciam um braço-de-ferro com a administração da Deutsche Bahn, por tempo indeterminado, exigindo um contrato colectivo autónomo e aumentos salariais até 31 por cento para escalões mais baixos de maquinistas, revisores e pessoal dos serviços de bordo.
O salário bruto de um maquinista de comboios alemão é de 1970 euros, a que acrescem cerca de 600 euros em suplementos vários. O GDL (sindicato dos maquinistas de locomotivas) reivindica um salário de 2500 euros para um maquinista em início de carreira.
Depois de ter rejeitado o acordo de empresa, assinado por dois outros sindicatos no início de Julho, que contempla aumentos de 4,5 por cento a partir de 2008 e o pagamento de um prémio único de 600 euros, o sindicato realizou uma consulta aos seus 12 mil associados sobre a realização de uma greve por tempo indeterminado.
Na segunda-feira, dia 6, dirigentes da estrutura sindical anunciaram que a proposta recolheu o apoio de 95,8 por cento dos maquinistas filiados, ultrapassando largamente o quórum de 75 por cento fixado pelo Sindicato para avançar com esta forma de luta.

Pressões e ameaças

Perante a agudização iminente do conflito, o presidente da maior companhia ferroviária da Europa, Harmut Mehdorn, ameaçou os maquinistas com pedidos de indemnização. «Se provocarem prejuízos milionários à Deutsche Bahn com acções ilegais serão obrigados a compensá-los», declarou Mehdorn na semana passada ao semanário «Der Spiegel».
Este responsável avisou ainda os grevistas de que serão abertos processos disciplinares caso as suas acções ponham em risco a segurança do tráfico ferroviário, exemplificando que «imobilizar um comboio em plena via, como alguns fizeram nas greves de aviso, é um perigo para todos».
Temendo a greve dos maquinistas, também o governo alemão veio a público alertar para as consequências de uma paralisação em plena temporada de férias.
«Se a greve se concretizar, haverá graves danos para a economia e para a imagem da Alemanha. Assim não se ganham amigos», declarou o ministro da Economia, o conservador Michael Glos, no domingo, 5, ao jornal Bild am Sonntag.
Segundo cálculos deste jornal, a greve poderá afectar diariamente até 28 mil trajectos de passageiros, 4780 fretes de mercadorias e 170 ligações internacionais, afectando um total de cinco milhões de pessoas.

Plano fura-greves

Entretanto, a Deutsche Bahn revelou que dispõe de um plano de emergência para limitar o impacto da greve, no qual se prevê a requisição de milhares de maquinistas não filiados no GDL, bem como dos que têm o estatuto de funcionário público, e que por isso estão impedidos de fazer greve. A empresa preparou ainda vários esquemas alternativos de transporte rodoviário.
Contudo, os maquinistas funcionários do Estado advertiram que não se deixarão instrumentalizar como fura-greves e consideraram «impossível», até por razões técnicas, substituir os colegas que aderirem à paralisação.
A Deutsche Bahn também pediu a intervenção dos tribunais para proibir a greve, mas os magistrados ainda não se pronunciaram.


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