Inauguração pela porta dos fundos
Em dias de inauguração é assim! As ruas engalanadas, toca a banda, estoiram foguetes, as casas de tradição estendem mantas à janela, as pessoas vêm para a rua ver os dignatários, e estes, no seu melhor fato domingueiro (traje de noite, recomendava o convite), desfilam na passadeira vermelha devidamente estendida para a ocasião.
No passado domingo foi quase tudo assim. Com a inauguração da Presidência Portuguesa da União Europeia, concerto a rigor na Casa da Música, Beethoven e a Nona a abrilhantar, passadeira vermelha, pompa e circunstância, inúmeras personalidades, tantas que os lugares foram poucos, e brilho, muito brilho.
Pelas avenidas tocavam as sirenes, que nestas coisas muito oficiais substituem os foguetes. Nas esquinas policias, muitos polícias a fazer de escuteiros que organizassem a procissão.
Na rua o povo esperava. E com grande animação quis também participar na inauguração dizendo o que lhe vai na alma. Com o ruído próprio dos grandes momentos, o povo veio às centenas exigir outros caminhos para Portugal e para a Europa. Vieram os utentes reclamar mais e melhores transportes públicos, apareceram as vítimas da destruição do aparelho produtivo e do encerramento de empresas, denunciar o desemprego galopante; estiveram jovens a defender a escola pública; compareceram mineiros afectados pela radioactividade do urânio que levaram uma vida a extrair das entranhas da terra, lembrando promessas de apoio nunca concretizadas.
Como o tempo passasse, só faltava o anfitrião que haveria de cortar a fita e de recolher os louros de tantos e para já tão sucedidos trabalhos para dar deste país a imagem do mais bem comportado da Confraria Europeia.
Sócrates, o anfitrião, achou os populares muito barulhentos e optou por entrar por uma porta pequenina, tão pequenina quanto permitisse não ser visto pela multidão.
Para a fotografia ficam Sócrates e Durão (o tal que fugiu da desgraça em que deixou o país) num longo aperto de mão, tão longo que pudesse ser captado pelas objectivas desde o Atlântico até à Ucrânia, rindo juntos, irmanados (como sempre) nos objectivos de imporem aos povos as políticas e os tratados que sirvam o Capital.
Para a história fica a estória de um Primeiro Ministro Português, que com receio de ser confrontado pelo povo, inaugurou a Presidência Portuguesa, o tal desígnio que era suposto unir todos os portugueses, engrandecer o País e fazer recuperar a auto-estima dos portugueses, pela porta dos fundos, ou como diz o povo, pela porta do cavalo.
José Sócrates, confrontado com a manifestação popular, afivelou o seu ar mais descontraído e disse que era normal. Que era a Festa da Democracia. Então porque é que ele faltou à festa?
No passado domingo foi quase tudo assim. Com a inauguração da Presidência Portuguesa da União Europeia, concerto a rigor na Casa da Música, Beethoven e a Nona a abrilhantar, passadeira vermelha, pompa e circunstância, inúmeras personalidades, tantas que os lugares foram poucos, e brilho, muito brilho.
Pelas avenidas tocavam as sirenes, que nestas coisas muito oficiais substituem os foguetes. Nas esquinas policias, muitos polícias a fazer de escuteiros que organizassem a procissão.
Na rua o povo esperava. E com grande animação quis também participar na inauguração dizendo o que lhe vai na alma. Com o ruído próprio dos grandes momentos, o povo veio às centenas exigir outros caminhos para Portugal e para a Europa. Vieram os utentes reclamar mais e melhores transportes públicos, apareceram as vítimas da destruição do aparelho produtivo e do encerramento de empresas, denunciar o desemprego galopante; estiveram jovens a defender a escola pública; compareceram mineiros afectados pela radioactividade do urânio que levaram uma vida a extrair das entranhas da terra, lembrando promessas de apoio nunca concretizadas.
Como o tempo passasse, só faltava o anfitrião que haveria de cortar a fita e de recolher os louros de tantos e para já tão sucedidos trabalhos para dar deste país a imagem do mais bem comportado da Confraria Europeia.
Sócrates, o anfitrião, achou os populares muito barulhentos e optou por entrar por uma porta pequenina, tão pequenina quanto permitisse não ser visto pela multidão.
Para a fotografia ficam Sócrates e Durão (o tal que fugiu da desgraça em que deixou o país) num longo aperto de mão, tão longo que pudesse ser captado pelas objectivas desde o Atlântico até à Ucrânia, rindo juntos, irmanados (como sempre) nos objectivos de imporem aos povos as políticas e os tratados que sirvam o Capital.
Para a história fica a estória de um Primeiro Ministro Português, que com receio de ser confrontado pelo povo, inaugurou a Presidência Portuguesa, o tal desígnio que era suposto unir todos os portugueses, engrandecer o País e fazer recuperar a auto-estima dos portugueses, pela porta dos fundos, ou como diz o povo, pela porta do cavalo.
José Sócrates, confrontado com a manifestação popular, afivelou o seu ar mais descontraído e disse que era normal. Que era a Festa da Democracia. Então porque é que ele faltou à festa?