Avoando
Desde que há cerca de duas semanas o patrão da CIP, Francisco van Zeller, anunciou urbi et orbi – que é como quem diz à cidade e ao mundo, ou no caso vertente ao Governo Sócrates e ao Presidente Cavaco – que «afinal havia outro»... estudo sobre a localização de um novo aeroporto, desde então, dizia, que os tuaregues da Margem Sul andam mais contentes com a vida, coisa nem sempre fácil, como se sabe, lá para as bandas do deserto.
O motivo da animação, está bem de ver, não reside na expectativa de assistir à transformação do campo de tiro de Alcochete em aeroporto internacional ou sequer à previsível especulação fundiária e imobiliária daí resultante, embora seja de admitir que com o seu reconhecido pendor para o negócio haja já por aí muito beduíno a procurar títulos de propriedade no fundo dos alforges. O entusiasmo também nada tem a ver com o inesperado tema de debate facultado pela hipótese trazida a público pelo patrão dos patrões, ainda que seja de toda a justiça reconhecer que as disputas sobre os efeitos dos flamingos cor-de-rosa nas rotas aéreas ou na decoração da fuselagem dos aviões – é um suponhamos – estão cada vez mais animadas. Tudo isso são miudezas de quem não tem mais nada para se entreter, conversa mole para passar o tempo, diz-que-diz a armar a intelectual, tão insusceptível de agitar as hostes como a chegada das andorinhas ou de tórridos dias de estio.
Não. O que deixou os sulistas em verdadeira euforia foram duas declarações de arromba dignas de figurar nos anais do País, da Europa, quiçá do mundo.
A primeira – e aqui a ordem dos factores não é arbitrária – é que alguns investidores temem «retaliações por parte do Governo», razão pela qual preferiram não dar a cara enquanto patrocinadores do estudo sobre a localização do aeroporto em Alcochete. Diz Francisco van Zeller em entrevista ao semanário Sol (16.06.07) que «muitos deles trabalham com o Governo, têm contratos, concessões, concursos, etc.», e assim sendo «não queriam atritos». Resultado, aceitaram «pagar equitativamente» o estudo, mas mantendo o anonimato. Até ao momento apenas se conhecem seis nomes (Carlos Barbosa, Manuel Alfredo de Mello, Guy Villax, Alexandre Patrício Gouveia, Pedro Queiroz Pereira e Joe Berardo), mas diz o senhor da CIP que foram muitos mais a desembolsar os 25 mil euros que coube a cada um para levar avante o projecto.
A segunda, sempre de acordo com van Zeller na citada entrevista, é que finalmente se reconheceu em letra de forma que o ministro Mário Lino «já deu provas que é um bom funcionário e faz aquilo que se lhe pede», indubitável comprovação de que em Portugal os ministros voam, mas voam baixinho.
Dirão os cépticos que não bate a (b)ota com a perdigota, mas o que se há-de fazer? Maus como as cobras, piores que lacraus, os camelos da margem Sul não querem saber de concordâncias e rebolam-se de gozo. E até há quem diga que já estão a ensaiar uma moda para cantar em coro. O mote? «Avoa, avoa que o teu pai está em Lisboa».
O motivo da animação, está bem de ver, não reside na expectativa de assistir à transformação do campo de tiro de Alcochete em aeroporto internacional ou sequer à previsível especulação fundiária e imobiliária daí resultante, embora seja de admitir que com o seu reconhecido pendor para o negócio haja já por aí muito beduíno a procurar títulos de propriedade no fundo dos alforges. O entusiasmo também nada tem a ver com o inesperado tema de debate facultado pela hipótese trazida a público pelo patrão dos patrões, ainda que seja de toda a justiça reconhecer que as disputas sobre os efeitos dos flamingos cor-de-rosa nas rotas aéreas ou na decoração da fuselagem dos aviões – é um suponhamos – estão cada vez mais animadas. Tudo isso são miudezas de quem não tem mais nada para se entreter, conversa mole para passar o tempo, diz-que-diz a armar a intelectual, tão insusceptível de agitar as hostes como a chegada das andorinhas ou de tórridos dias de estio.
Não. O que deixou os sulistas em verdadeira euforia foram duas declarações de arromba dignas de figurar nos anais do País, da Europa, quiçá do mundo.
A primeira – e aqui a ordem dos factores não é arbitrária – é que alguns investidores temem «retaliações por parte do Governo», razão pela qual preferiram não dar a cara enquanto patrocinadores do estudo sobre a localização do aeroporto em Alcochete. Diz Francisco van Zeller em entrevista ao semanário Sol (16.06.07) que «muitos deles trabalham com o Governo, têm contratos, concessões, concursos, etc.», e assim sendo «não queriam atritos». Resultado, aceitaram «pagar equitativamente» o estudo, mas mantendo o anonimato. Até ao momento apenas se conhecem seis nomes (Carlos Barbosa, Manuel Alfredo de Mello, Guy Villax, Alexandre Patrício Gouveia, Pedro Queiroz Pereira e Joe Berardo), mas diz o senhor da CIP que foram muitos mais a desembolsar os 25 mil euros que coube a cada um para levar avante o projecto.
A segunda, sempre de acordo com van Zeller na citada entrevista, é que finalmente se reconheceu em letra de forma que o ministro Mário Lino «já deu provas que é um bom funcionário e faz aquilo que se lhe pede», indubitável comprovação de que em Portugal os ministros voam, mas voam baixinho.
Dirão os cépticos que não bate a (b)ota com a perdigota, mas o que se há-de fazer? Maus como as cobras, piores que lacraus, os camelos da margem Sul não querem saber de concordâncias e rebolam-se de gozo. E até há quem diga que já estão a ensaiar uma moda para cantar em coro. O mote? «Avoa, avoa que o teu pai está em Lisboa».