do que as manobras para o encobrir
Mais de um milhão e 400 mil
Menos de uma semana depois da greve geral, a CGTP-IN reuniu os órgãos de direcção e reafirmou o forte impacto da luta, agora expresso num número global: em todo o País, no dia 30 de Maio, a greve geral envolveu mais de um milhão e 400 mil trabalhadores.
Se as políticas se mantêm, o protesto vai prosseguir
Em conferência de imprensa, convocada para o final da tarde de ontem (à hora de fecho da nossa edição), a central divulgava as conclusões da reunião do Conselho Nacional, que decorria desde manhã. Na segunda-feira tinha reunido a Comissão Executiva. Na próxima edição trataremos com mais detalhe esta informação da central.
Em diversos sectores, os dados que foram divulgados ao longo do dia 30 e nos dias seguintes traçavam um quadro que desmentia firmemente as tentativas de minorar a dimensão do protesto, quer por parte do Governo, quer da direcção da UGT, quer de um ou outro dirigente patronal.
Em declarações à agência Lusa, a coordenadora da Frente Comum de Sindicatos da Administração Pública, Ana Avoila, desmentiu os «13,77 por cento» de adesão no Estado, declarados pelo Governo, e contrapôs que «a greve teve uma expressão muito grande, igual à anterior». O presidente do STE, que também convocou greve para dia 30, recusou credibilidade aos números do Governo, apontando a omissão, à partida, de 400 mil trabalhadores, uma vez que o «recenseamento» referido pelo secretário de Estado, João Figueiredo, abrangeu, segundo este, «mais de 300 mil» funcionários. Ambas as estruturas apontaram para uma adesão de 80 por cento dos trabalhadores do sector.
Na administração local, a greve geral obteve «uma das maiores adesões de sempre, numa inequívoca e expressiva demonstração do espírito de luta dos trabalhadores do sector, que vai continuar a agudizar-se, caso José Sócrates insista na política antilaboral e anti-social que há mais de dois anos vem prosseguindo», declarou o STAL/CGTP-IN, que situou em «mais de 90 por cento» o nível de participação na luta de 30 de Maio.
Os reflexos deste «inequívoco cartão vermelho ao Governo» foram visíveis, lembrava o sindicato, no encerramento da maior parte dos serviços de recolha de lixo, limpeza de ruas, transportes urbanos, atendimento das populações (nas câmaras, serviços municipalizados e juntas de freguesia), jardins, obras, auxiliares de educação, creches e jardins de infância, bombeiros, serviços de turismo, empresas municipais e mesmo empresas privadas que operam no sector.
No dia 31 de Maio, o Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública do Centro revelou que, nesta região, encerraram mais de 80 por cento das cantinas dos Serviços de Acção Social, bem como o Parque Arqueológico de Foz Côa, o Tribunal Judicial e o Registo Civil de Lamego e muitos outros serviços da Justiça, da Reinserção Social, lojas do Cidadão e Finanças, bem como estabelecimentos de ensino e serviços de Saúde. O STFPC/CGTP-IN acusou o Governo de contar, por exemplo, os trabalhadores que cumprem serviços mínimos como se estivessem a trabalhar normalmente e de calcular adesões à greve relativamente ao número total de trabalhadores e não ao número de trabalhadores escalados para o serviço.
A par da expressiva participação dos trabalhadores na administração local, na educação, no ensino e na saúde, a Direcção Regional do Algarve do PCP destacou, em comunicado, os níveis de adesão alcançados no Aeroporto de Faro e o encerramento dos portos marítimos, da Fortaleza de Sagres, da generalidade dos tribunais, da Secil e da Unicer, notando ainda a adesão solidária de muitos micro e pequenos empresários.
«Em muitos locais de trabalho, centenas de trabalhadores com vínculos precários não deixaram de fazer greve», salientou a Direcção Regional de Évora do Partido, que valorizou ainda a participação dos jovens. Além da Administração Pública, houve elevadas adesões na EDP, na Rodoviária, em algumas empresas de mármores e pequenas empresas de construção civil, no comércio e grandes superfícies.
Os jovens trabalhadores, os imigrantes e os trabalhadores com vínculos precários mereceram uma saudação especial da Direcção Regional de Setúbal do PCP. Em nota divulgada dia 30, a DORS destacou as «adesões particularmente significativas» verificadas no estaleiro da Mitrena (Lisnave, Gestnave, vários empreiteiros e trabalhadores imigrantes), no Arsenal do Alfeite, na Portucel, na lear, na Visteon, na Parmalat, na Refrige, na Autoeuropa (paralisando uma das duas linhas de produção, em dois turnos) e em várias empresas do Parque Industrial em Palmela, bem como nos transportes públicos e na Administração Pública.