Escolhas e conteúdos
A escolha dos mandatários de António Costa fala por esta candidatura. Dir-se-á que a opção por Júdice e Sanches é do domínio da contabilidade eleitoral: uma receita do tipo nem carne nem peixe para ver se a ementa alarga a base dos comensais. Esta escolha ilumina a escassez de crédito em matéria de alternativa à gestão da direita em Lisboa: a indigitação de Saldanha Sanches – conhecida que é a sua doentia aversão ao poder local – converge com quem no Governo se esforçou por limitar a autonomia e os meios financeiros das autarquias; a nomeação de Miguel Júdice – mandatário da última candidatura do CDS/PP à capital – é um sinal de que, malgrado a exorcização das cumplicidades do PS com a direita, a tentação é bem maior que a proclamada virtude.
Não é pelo exercício da forma mas sim pelas questões de conteúdo que Lisboa sairá do beco para onde a arrastaram. Compreende-se que António Costa se refugie na trincheira argumentativa das «maiorias claras» ou do «voto útil» para se eximir às três questões substanciais, a que as eleições devem, sem equívocos, responder: garantir uma gestão diferente, assente num projecto de esquerda; assegurar um corte com as políticas de direita que minaram o futuro da cidade; garantir que o rasto de apoios à gestão danosa da direita se não prolongará. Compreende-se o embaraço do PS. O seu lastro de cumplicidades com a direita hipoteca-lhe o crédito em matéria de futuro. Foi assim nos anos oitenta, quando a agora candidata Sara Brito e os seus então colegas de vereação foram suporte decisivo à gestão de Abecasis e a algumas das suas decisões (Martim Moniz, Alto do Parque e Lumiar, Saldanha); foi assim na gestão Santana Lopes onde, ao arrepio dos compromissos da Coligação em que havia concorrido, o PS enveredou unilateralmente pela colaboração com o PSD; foi assim com gestão de Carmona Rodrigues, em que o PS optou por uma colaboração à direita no município e nas freguesias.
O problema central da cidade – como a sua história recente testemunha – é o facto de os seus destinos terem estado entregues a maioria das vezes à gestão da direita (PSD ou CDS). A significativa excepção que a Coligação por Lisboa constituiu só confirma a regra. O que torna mais crítica a forma como o PS tem tentado usar a ideia de um «entendimento à esquerda», omitindo questões decisivas que sabia não poder preencher em matéria de conteúdos, credibilidade e garantias. O que a 15 de Julho se decide é a ruptura ou a continuação do actual estado das coisas. Pelo que, conhecida que é a inevitável tendência do PS para – sempre que andou só e pela sua cabeça – se encostar à direita, a CDU confirma-se como a única e credível alternativa.
Não é pelo exercício da forma mas sim pelas questões de conteúdo que Lisboa sairá do beco para onde a arrastaram. Compreende-se que António Costa se refugie na trincheira argumentativa das «maiorias claras» ou do «voto útil» para se eximir às três questões substanciais, a que as eleições devem, sem equívocos, responder: garantir uma gestão diferente, assente num projecto de esquerda; assegurar um corte com as políticas de direita que minaram o futuro da cidade; garantir que o rasto de apoios à gestão danosa da direita se não prolongará. Compreende-se o embaraço do PS. O seu lastro de cumplicidades com a direita hipoteca-lhe o crédito em matéria de futuro. Foi assim nos anos oitenta, quando a agora candidata Sara Brito e os seus então colegas de vereação foram suporte decisivo à gestão de Abecasis e a algumas das suas decisões (Martim Moniz, Alto do Parque e Lumiar, Saldanha); foi assim na gestão Santana Lopes onde, ao arrepio dos compromissos da Coligação em que havia concorrido, o PS enveredou unilateralmente pela colaboração com o PSD; foi assim com gestão de Carmona Rodrigues, em que o PS optou por uma colaboração à direita no município e nas freguesias.
O problema central da cidade – como a sua história recente testemunha – é o facto de os seus destinos terem estado entregues a maioria das vezes à gestão da direita (PSD ou CDS). A significativa excepção que a Coligação por Lisboa constituiu só confirma a regra. O que torna mais crítica a forma como o PS tem tentado usar a ideia de um «entendimento à esquerda», omitindo questões decisivas que sabia não poder preencher em matéria de conteúdos, credibilidade e garantias. O que a 15 de Julho se decide é a ruptura ou a continuação do actual estado das coisas. Pelo que, conhecida que é a inevitável tendência do PS para – sempre que andou só e pela sua cabeça – se encostar à direita, a CDU confirma-se como a única e credível alternativa.