Nem mais

José Casanova
A entrega de mais de cem mil assinaturas de protesto contra a destruição do Serviço Nacional de Saúde por parte do Governo, passou quase despercebida pela generalidade dos órgãos de comunicação social: aqui ou ali uma noticiazinha escondida, ou nem isso.
Em contrapartida, os fait divers para todos os gostos continuaram a preencher parte considerável do espaço e do tempo desses mesmos média.
É claro que não se trata de obra do acaso. Muito menos de distracção. Na realidade, cumprem a tarefa que lhes foi destinada por quem neles manda, ou seja, pelos seus proprietários que, por sinal, são os grandes grupos económicos e financeiros, únicos beneficiários da política de direita – uma política no poder há mais de trinta anos, numa sucessão dinástica em cuja execução PS e PSD se revezam e pedem meças um ao outro em matéria de eficácia. É claro, também, que os média dominantes, sendo todos fiéis apoiantes dessa política de direita, se dividem no que respeita aos executantes da dita: uns preferem governos PS, outros preferem governos PSD. Contudo, sublinhe-se, nem sempre os mesmos preferem os mesmos: de vez em quando, isto é, quando os seus donos ordenam, mudam de preferências e os que, antes, apoiavam o governo PS passam a apoiar o governo PSD e vice-versa. E assim vão gerindo a imagem independente, isenta, imparcial e, evidentemente, democrática, que de si próprios difundem.
Neste contexto, então, é necessário silenciar ao máximo tudo o que tenha a ver com o combate a essa política de direita e por uma política de esquerda. O que, à luz da realidade da intervenção partidária nacional, significa: é necessário silenciar ao máximo a actividade do PCP – que é, como sabe quem quer saber, a força política que com maior determinação, empenhamento, persistência e coerência trava esse combate. Daí o tratamento mediático dado – por exemplo e para referirmos apenas um caso - à campanha que o PCP tem vindo a desenvolver em defesa do SNS e contra o atentado do Governo à saúde de todos os portugueses – exceptuando, naturalmente, os donos dos tais grupos, que são os donos dos média…
Várias das pessoas às quais os militantes comunistas se dirigiram pedindo as suas assinaturas, comentaram: «Se não fossem vocês onde é que isto já ia… Nem mais: é por saberem isso mesmo que os donos dos média mandam silenciar a actividade do PCP.


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