Saga socrática
A saga da Universidade Independente (UnI), que esta semana deixou o País suspenso dos próximos capítulos com a promessa de «revelações» bombásticas, bate aos pontos qualquer telenovela mexicana – incluindo as de fazer chorar as pedras da calçada –, mete num chinelo as múltiplas e milionárias querelas em torno do Código Da Vinci, deixa a léguas de distância os mais intrincados enredos de Sherlock Holmes ou Hércule Poirot, e só não bate os recordes de bilheteira do Harry Potter porque a indústria cinematográfica do vasto mundo ainda não se deu conta do potencial português.
O caso tem os ingredientes todos para o sucesso: funcionários menores que obviamente começaram por ser os principais suspeitos; gestores maiores que estando evidentemente acima de qualquer suspeita estão a contas com a justiça; documentos que aparecem, desaparecem e reaparecem em duplicado; datas trocadas e/ou truncadas em registos oficiais; segredos guardados a sete chaves em cofres blindados; administradores empossados de manhã e demitidos à tarde; ligações internacionais mais ou menos obscuras; insinuações de traficâncias várias e lavagem de dinheiro; acusações de tráfico de influências, favores e recompensas por bons serviços prestados ou a prestar; «ratos» a abandonar o navio levando os «queijos» da dispensa; e um rol ainda não totalmente apurado de personalidades que teriam sido atraídas pela UnI como borboletas pela luz.
Se semelhante imbróglio não empolgar os portugueses, não fizer estremecer as provectas paredes de Belém, e não sacudir as cadeiras de S. Bento e afins, então será caso para concorrer ao Guiness e ganhar a palma de falta de sentido de oportunidade, porque com uma trama destas qualquer governo que se prezasse havia de meter para debaixo do tapete as críticas à sua governação, explorar até ao tutano o filão dos engenheiros, doutores e advogados (só para citar alguns exemplos) que às tantas são apenas josés, marias, pedros ou franciscos como os pais os nomearam, o que não sendo vergonha nenhuma tem o pequeno óbice de dar menos prestígio a um republicano regime que ao acabar com a monarquia ficou a braços com a falta de títulos que distinguissem a elite da populaça.
Não é, infelizmente, o que vai suceder. Primeiro, porque os doutores e engenheiros prezam tanto os respectivos rótulos que não olham a meios para os defender e ostentar, prova provada das penas que penaram para os arranjar; depois, porque o povo, sempre ingrato, se não mesmo invejoso, insiste em não se deixar distrair com o enredo e desdobra-se em plenários, reuniões, encontros e debates, multiplica queixas e críticas, e até, imagine-se, insiste em sair à rua com manifestações e greves. Um despautério. Uma falta de imaginação. Diria mesmo uma falta de consideração para quem tanto se empenha em distribuir um requintado perfume de escândalo para amenizar os suores do trabalho ou da falta dele, que é o que mais transtorna quem de universidades só sabe por ouvir falar, ou que as tendo frequentado se interroga hoje para que lhe serve o canudo.
Há que dar o devido desconto a tamanha ingratidão. Sem cofres fortes para guardar a revolta, resta a luta para exigir justiça. De preferência em alto e bom som, que faz bem à alma e já fez cair muitos doutores e engenheiros.
O caso tem os ingredientes todos para o sucesso: funcionários menores que obviamente começaram por ser os principais suspeitos; gestores maiores que estando evidentemente acima de qualquer suspeita estão a contas com a justiça; documentos que aparecem, desaparecem e reaparecem em duplicado; datas trocadas e/ou truncadas em registos oficiais; segredos guardados a sete chaves em cofres blindados; administradores empossados de manhã e demitidos à tarde; ligações internacionais mais ou menos obscuras; insinuações de traficâncias várias e lavagem de dinheiro; acusações de tráfico de influências, favores e recompensas por bons serviços prestados ou a prestar; «ratos» a abandonar o navio levando os «queijos» da dispensa; e um rol ainda não totalmente apurado de personalidades que teriam sido atraídas pela UnI como borboletas pela luz.
Se semelhante imbróglio não empolgar os portugueses, não fizer estremecer as provectas paredes de Belém, e não sacudir as cadeiras de S. Bento e afins, então será caso para concorrer ao Guiness e ganhar a palma de falta de sentido de oportunidade, porque com uma trama destas qualquer governo que se prezasse havia de meter para debaixo do tapete as críticas à sua governação, explorar até ao tutano o filão dos engenheiros, doutores e advogados (só para citar alguns exemplos) que às tantas são apenas josés, marias, pedros ou franciscos como os pais os nomearam, o que não sendo vergonha nenhuma tem o pequeno óbice de dar menos prestígio a um republicano regime que ao acabar com a monarquia ficou a braços com a falta de títulos que distinguissem a elite da populaça.
Não é, infelizmente, o que vai suceder. Primeiro, porque os doutores e engenheiros prezam tanto os respectivos rótulos que não olham a meios para os defender e ostentar, prova provada das penas que penaram para os arranjar; depois, porque o povo, sempre ingrato, se não mesmo invejoso, insiste em não se deixar distrair com o enredo e desdobra-se em plenários, reuniões, encontros e debates, multiplica queixas e críticas, e até, imagine-se, insiste em sair à rua com manifestações e greves. Um despautério. Uma falta de imaginação. Diria mesmo uma falta de consideração para quem tanto se empenha em distribuir um requintado perfume de escândalo para amenizar os suores do trabalho ou da falta dele, que é o que mais transtorna quem de universidades só sabe por ouvir falar, ou que as tendo frequentado se interroga hoje para que lhe serve o canudo.
Há que dar o devido desconto a tamanha ingratidão. Sem cofres fortes para guardar a revolta, resta a luta para exigir justiça. De preferência em alto e bom som, que faz bem à alma e já fez cair muitos doutores e engenheiros.