Tudo muito simples
Voltemos a Cuba e, naturalmente, aos direitos humanos. Ou, para sermos mais precisos, à ausência de respeito por eles.
Diz-nos o nicaraguense Ernesto Cardenal que «em Cuba há um grande número de presos sofrendo as condições prisionais mais rigorosas que existem hoje no mundo». E demonstra que assim é. Informa ele que, para esses presos, «não há dia nem noite, porque os mantêm com os olhos vendados e em completas trevas. Também lhes tapam os ouvidos e os mantêm submetidos a um perpétuo silêncio. E estão privados de qualquer sensação táctil, porque têm as mãos forradas com uma espécie de luvas». São centenas, os presos nesta situação, informa Cardenal – presos que «estão em jaulas individuais» e «cujos nomes não são conhecidos, que não se sabe de que são acusados, que não foram julgados e muito menos condenados, que não têm defensores». Enfim, trata-se de facto de uma situação de extrema brutalidade, da mais violenta desumanidade, só comparável ao tratamento dado pelos regimes fascistas aos presos políticos – especialmente quando esses presos são comunistas.
Tanto quanto se saiba, não há protestos contra tal barbaridade. Ou, se os há, deles não nos chega notícia através da comunicação social dominante: nem manchetes nos grandes media a denunciarem a «barbárie»; nem votos ou moções de condenação dessas «violações dos direitos humanos»; nem inflamadas e democraticíssimas exigências da União Europeia para a «libertação imediata dos presos»; nem a habitual vaga de artigos de opinião difundida por todos os jornais e revistas de grande tiragem, em cuidadas traduções... nada.
A razão deste enorme, deste profundo, deste pesado silêncio mediático tem a ver com o facto de essas centenas de prisioneiros estarem em Cuba, de facto, mas na base de Guantánamo, ocupada pelos Estados Unidos da América; e presos em Cuba, de facto, mas às ordens do Presidente dos EUA, Georges W Bush. É que, sendo assim, estamos a falar do país possuidor do «regime democrático mais avançado do mundo»e tudo muda de figura: os prisioneiros passam a chamar-se «terroristas»; as bárbaras condições prisionais são as adequadas ao «combate ao terrorismo» e à »defesa da democracia»; as torturas cruéis a que os presos são submetidos, são torturas democráticas porque são feitas contra o «terrorismo» e em nome da «liberdade» e da «defesa dos direitos humanos».
Simples. Tudo muito simples.
Diz-nos o nicaraguense Ernesto Cardenal que «em Cuba há um grande número de presos sofrendo as condições prisionais mais rigorosas que existem hoje no mundo». E demonstra que assim é. Informa ele que, para esses presos, «não há dia nem noite, porque os mantêm com os olhos vendados e em completas trevas. Também lhes tapam os ouvidos e os mantêm submetidos a um perpétuo silêncio. E estão privados de qualquer sensação táctil, porque têm as mãos forradas com uma espécie de luvas». São centenas, os presos nesta situação, informa Cardenal – presos que «estão em jaulas individuais» e «cujos nomes não são conhecidos, que não se sabe de que são acusados, que não foram julgados e muito menos condenados, que não têm defensores». Enfim, trata-se de facto de uma situação de extrema brutalidade, da mais violenta desumanidade, só comparável ao tratamento dado pelos regimes fascistas aos presos políticos – especialmente quando esses presos são comunistas.
Tanto quanto se saiba, não há protestos contra tal barbaridade. Ou, se os há, deles não nos chega notícia através da comunicação social dominante: nem manchetes nos grandes media a denunciarem a «barbárie»; nem votos ou moções de condenação dessas «violações dos direitos humanos»; nem inflamadas e democraticíssimas exigências da União Europeia para a «libertação imediata dos presos»; nem a habitual vaga de artigos de opinião difundida por todos os jornais e revistas de grande tiragem, em cuidadas traduções... nada.
A razão deste enorme, deste profundo, deste pesado silêncio mediático tem a ver com o facto de essas centenas de prisioneiros estarem em Cuba, de facto, mas na base de Guantánamo, ocupada pelos Estados Unidos da América; e presos em Cuba, de facto, mas às ordens do Presidente dos EUA, Georges W Bush. É que, sendo assim, estamos a falar do país possuidor do «regime democrático mais avançado do mundo»e tudo muda de figura: os prisioneiros passam a chamar-se «terroristas»; as bárbaras condições prisionais são as adequadas ao «combate ao terrorismo» e à »defesa da democracia»; as torturas cruéis a que os presos são submetidos, são torturas democráticas porque são feitas contra o «terrorismo» e em nome da «liberdade» e da «defesa dos direitos humanos».
Simples. Tudo muito simples.