O prémio
O Governo veio primeiro anunciar que as «promoções automáticas» tinham os dias contados na Administração Pública, clamar pela necessidade de «avaliações» para a progressão na carreira e enumerar as «vantagens» de os serviços públicos passarem a funcionar numa «lógica de empresa».
Usando e abusando da mentira e da demagogia, o executivo tentou fazer passar a mensagem de que todos os males da Administração Pública se devem aos respectivos trabalhadores - apresentados como uns nababos que se limitam a receber o ordenado e a progredir na carreira sem mexer um dedo -; fez tábua rasa das suas próprias responsabilidades, sobretudo a manifesta incapacidade em resolver o problema das avaliações, que por acaso até já existem; e apresentou como panaceia para todos os males o congelamento de salários, a apreciação do desempenho com recurso a empresas externas, e a privatização de sectores susceptíveis de gerar lucros.
A reforma anunciada com pompa e circunstância por Durão Barroso suscitou de imediato a crítica generalizada dos representantes dos trabalhadores, mas a promessa de que não haveria despedimentos acalmou alguns ânimos, sobretudo por parte dos que dizendo discordar estão sempre prontos a fazer arranjinhos de bastidores.
Mas eis que a secretária de Estado da Administração Pública, Suzana Toscano, em entrevista ao Diário Económico da passada segunda-feira, vem levantar mais uma ponta do véu do que está a ser cozinhado. «Hoje - afirma - o mais importante no estímulo ao mérito é o reconhecimento que terá de existir na administração pública: quer o reconhecimento pessoal dos dirigentes, quer o reconhecimento público dos cidadãos», pelo que não haverá prémios pecuniários resultantes da avaliação. A secretária de Estado vai mesmo mais longe ao afirmar que a existência de tais prémios seria uma forma de «deturpar o sistema de avaliação».
A exemplo do que pregava Salazar, o Governo quer transformar os funcionários públicos numa espécie de «carmelitas descalças», de missionários franciscanos, que dão o corpo ao manifesto em troca de um louvor dos chefes ou de um elogio dos utentes.
Estamos já a imaginar como as famílias vão ficar a olhar embevecidas para o diploma que não deixará de ser entregue aos mais esforçados, e a delicadeza e enlevo com que, em tempos de mais aperto, irão roendo os cantos do certificado que atesta sem margem para dúvidas que são pobres, sim, mas cheios de mérito.
Usando e abusando da mentira e da demagogia, o executivo tentou fazer passar a mensagem de que todos os males da Administração Pública se devem aos respectivos trabalhadores - apresentados como uns nababos que se limitam a receber o ordenado e a progredir na carreira sem mexer um dedo -; fez tábua rasa das suas próprias responsabilidades, sobretudo a manifesta incapacidade em resolver o problema das avaliações, que por acaso até já existem; e apresentou como panaceia para todos os males o congelamento de salários, a apreciação do desempenho com recurso a empresas externas, e a privatização de sectores susceptíveis de gerar lucros.
A reforma anunciada com pompa e circunstância por Durão Barroso suscitou de imediato a crítica generalizada dos representantes dos trabalhadores, mas a promessa de que não haveria despedimentos acalmou alguns ânimos, sobretudo por parte dos que dizendo discordar estão sempre prontos a fazer arranjinhos de bastidores.
Mas eis que a secretária de Estado da Administração Pública, Suzana Toscano, em entrevista ao Diário Económico da passada segunda-feira, vem levantar mais uma ponta do véu do que está a ser cozinhado. «Hoje - afirma - o mais importante no estímulo ao mérito é o reconhecimento que terá de existir na administração pública: quer o reconhecimento pessoal dos dirigentes, quer o reconhecimento público dos cidadãos», pelo que não haverá prémios pecuniários resultantes da avaliação. A secretária de Estado vai mesmo mais longe ao afirmar que a existência de tais prémios seria uma forma de «deturpar o sistema de avaliação».
A exemplo do que pregava Salazar, o Governo quer transformar os funcionários públicos numa espécie de «carmelitas descalças», de missionários franciscanos, que dão o corpo ao manifesto em troca de um louvor dos chefes ou de um elogio dos utentes.
Estamos já a imaginar como as famílias vão ficar a olhar embevecidas para o diploma que não deixará de ser entregue aos mais esforçados, e a delicadeza e enlevo com que, em tempos de mais aperto, irão roendo os cantos do certificado que atesta sem margem para dúvidas que são pobres, sim, mas cheios de mérito.