Teatrocracia
Platão, no século IV aC, denunciando a condenação à morte de Sócrates, votada por 500 juízes, pela sua filosofia desafecta do poder, chamou «teatrocracia» à democracia ateniense, perversamente influenciada pelos espectáculos teatrais, em que se gastava «mais que nas coisas do comércio e da guerra».
Aqui e agora, quando teatro e cultura são tão mal tratados, a «teatrocracia» deve ser lida como «telecracia» e mistificação da Política - serviço da coisa pública (com «P») - pela política espectáculo e a politiquice de serviço aos grandes interesses, sob a batuta da ideologia mediática.
Vem isto a propósito do debate do Estado da Nação ter sido «ganho» - na opinião dos media dominantes - por DBarroso, cuja «qualidade» artística protagonizou a encenação da «imagem de confiança do governo», construída e promovida nestes 15 meses pelos muitos meios de persuasão e compra ao dispor de MMendes e MSarmento.
Ou seja, «o Governo ganhou» apesar da sua responsabilidade na recessão instalada e no afundamento no último lugar da UE, no crescimento do desemprego e da regressão social, que resultam da dogmática do déficit e de concentração da riqueza, que agravam e prolongam a crise.
«O Governo ganhou» apesar das promessas não cumpridas e das que não vai cumprir, porque a «retoma» não vai chegar tão cedo e o que aí está são menos salários e direitos, mais PEC à bruta, mais faências e deslocalizacões, mais portagens, mais PAC desgraçada e mais dificuldades para os mesmos de sempre.
«O Governo ganhou» apesar da dita reforma da Administração Pública fazer «The Economist» chamar a DBarroso «o homem do machado», apesar do subfinanciamento dos serviços públicos, da venda de património, das privatizações na saúde, da elitização do ensino, tudo para liquidar o «Estado Providência», que aliás nem chegou a nascer.
«O Governo ganhou» na «teatrocracia» e nos media um debate em que as regras o favorecem em absoluto e em que o PS esteve diminuído pela responsabilidade em 27 anos de políticas de direita, mas em que, confrontado pelo PCP com a denúncia, a proposta fundamentada e a exigência duma outra política, fugiu célere pela direita baixa.
Ficou provado no debate que o país e o povo nada ganham com esta política e que o Governo PSD/CDS, se ainda pode enganar alguns por mais algum tempo, já entrou em perda, à beira da curva descendente do apoio social e político e que, por este caminho, não há «teatrocracia» que o salve.
Aqui e agora, quando teatro e cultura são tão mal tratados, a «teatrocracia» deve ser lida como «telecracia» e mistificação da Política - serviço da coisa pública (com «P») - pela política espectáculo e a politiquice de serviço aos grandes interesses, sob a batuta da ideologia mediática.
Vem isto a propósito do debate do Estado da Nação ter sido «ganho» - na opinião dos media dominantes - por DBarroso, cuja «qualidade» artística protagonizou a encenação da «imagem de confiança do governo», construída e promovida nestes 15 meses pelos muitos meios de persuasão e compra ao dispor de MMendes e MSarmento.
Ou seja, «o Governo ganhou» apesar da sua responsabilidade na recessão instalada e no afundamento no último lugar da UE, no crescimento do desemprego e da regressão social, que resultam da dogmática do déficit e de concentração da riqueza, que agravam e prolongam a crise.
«O Governo ganhou» apesar das promessas não cumpridas e das que não vai cumprir, porque a «retoma» não vai chegar tão cedo e o que aí está são menos salários e direitos, mais PEC à bruta, mais faências e deslocalizacões, mais portagens, mais PAC desgraçada e mais dificuldades para os mesmos de sempre.
«O Governo ganhou» apesar da dita reforma da Administração Pública fazer «The Economist» chamar a DBarroso «o homem do machado», apesar do subfinanciamento dos serviços públicos, da venda de património, das privatizações na saúde, da elitização do ensino, tudo para liquidar o «Estado Providência», que aliás nem chegou a nascer.
«O Governo ganhou» na «teatrocracia» e nos media um debate em que as regras o favorecem em absoluto e em que o PS esteve diminuído pela responsabilidade em 27 anos de políticas de direita, mas em que, confrontado pelo PCP com a denúncia, a proposta fundamentada e a exigência duma outra política, fugiu célere pela direita baixa.
Ficou provado no debate que o país e o povo nada ganham com esta política e que o Governo PSD/CDS, se ainda pode enganar alguns por mais algum tempo, já entrou em perda, à beira da curva descendente do apoio social e político e que, por este caminho, não há «teatrocracia» que o salve.