Mentirosos
Uma comissão parlamentar britânica analisou a actuação do governo trabalhista de Tony Blair na questão do Iraque e concluiu que ambos – governo e primeiro-ministro – deviam ser ilibados de todas as suspeitas de terem enganado os deputados e o eleitorado sobre a «inevitabilidade» e «urgência» de uma ofensiva militar contra o regime de Saddam Hussein.
Todavia, a mesma comissão de inquérito também «criticou com dureza» Tony Blair e o seu executivo por terem utilizado um «dossier» publicado em Fevereiro de 2003 que foi, em grande parte… plagiado de um trabalho feito por um estudante americano.
A douta comissão parlamentar não hesita, mesmo, em afirmar que «ao produzir um documento como este, o Governo pôs em causa a credibilidade da sua argumentação a favor da guerra».
Mesmo assim, ilibou-o.
Mas não se fica por aqui, a extraordinária comissão parlamentar - por sinal maioritariamente constituída por deputados trabalhistas, que apoiam e suportam o governo de Tony Blair - não é apenas em Portugal que as comissões parlamentares são diligentes megafones das maiorias governamentais…
Após confessar «não estar em condições» (embora não se perceba porque não o estava, sendo uma comissão parlamentar soberana) para analisar uma «eventual intervenção política» (ou seja, uma manipulação descarada do governo de Tony Blair) no dossier dos serviços secretos britânicos divulgado em Setembro de 2002, não deixa contudo de criticar o facto de o governo «ter dado demasiada importância a uma informação segundo a qual as forças de Saddam Hussein necessitariam apenas de 45 minutos para activar as suas armas de destruição maciça», isto porque se tratava de uma informação «baseada numa única fonte, não corroborada».
O facto de, uma guerra depois, não se ter descoberto no Iraque o mínimo rasto ou o mais leve indício do tal «armamento de destruição maciça» não perturba a preclara comissão.
Especiosa, o que a incomoda é a afirmação «baseada numa única fonte» de que Saddam necessitaria apenas de 45 minutos para accionar armas de destruição maciça que, por acaso… não existiam. Nem elas, nem quaisquer provas ou indícios da sua existência.
Mas isso também não perturba os diligentes parlamentares da comissão britânica.
Mesmo assim, determinam tranquilamente que Tony Blair e o seu Governo estão «ilibados de todas as suspeitas» de terem manipulado e mentido aos deputados e ao eleitorado britânico, apesar de, reconhecidamente… terem utilizado relatórios falsos e informações mentirosas.
Extraordinário.
Já não espanta, entretanto, a diligência seguinte do executivo de Tony Blair, após esta notável absolvição: através do ministro Jack Straw, engrossou a voz e exigiu à BBC que «pedisse desculpa» ao governo britânico por… ter mentido quando denunciou os factos que, agora, esta extraordinária comissão reconhece, embora os desculpe!
São tão intrinsecamente mentirosos que até se comportam como os aldrabões profissinais – os que chamam mentirosos a outros para distrair as atenções.
Entretanto, a grande tragédia que esta aventura iraquiana veio desencadear ainda só agora está no começo. Para já, com mortos quase diários de «libertadores» norte-americanos mas também britânicos que tombam, emboscados, no «país libertado».
E isso não há mentira que o esconda.
Todavia, a mesma comissão de inquérito também «criticou com dureza» Tony Blair e o seu executivo por terem utilizado um «dossier» publicado em Fevereiro de 2003 que foi, em grande parte… plagiado de um trabalho feito por um estudante americano.
A douta comissão parlamentar não hesita, mesmo, em afirmar que «ao produzir um documento como este, o Governo pôs em causa a credibilidade da sua argumentação a favor da guerra».
Mesmo assim, ilibou-o.
Mas não se fica por aqui, a extraordinária comissão parlamentar - por sinal maioritariamente constituída por deputados trabalhistas, que apoiam e suportam o governo de Tony Blair - não é apenas em Portugal que as comissões parlamentares são diligentes megafones das maiorias governamentais…
Após confessar «não estar em condições» (embora não se perceba porque não o estava, sendo uma comissão parlamentar soberana) para analisar uma «eventual intervenção política» (ou seja, uma manipulação descarada do governo de Tony Blair) no dossier dos serviços secretos britânicos divulgado em Setembro de 2002, não deixa contudo de criticar o facto de o governo «ter dado demasiada importância a uma informação segundo a qual as forças de Saddam Hussein necessitariam apenas de 45 minutos para activar as suas armas de destruição maciça», isto porque se tratava de uma informação «baseada numa única fonte, não corroborada».
O facto de, uma guerra depois, não se ter descoberto no Iraque o mínimo rasto ou o mais leve indício do tal «armamento de destruição maciça» não perturba a preclara comissão.
Especiosa, o que a incomoda é a afirmação «baseada numa única fonte» de que Saddam necessitaria apenas de 45 minutos para accionar armas de destruição maciça que, por acaso… não existiam. Nem elas, nem quaisquer provas ou indícios da sua existência.
Mas isso também não perturba os diligentes parlamentares da comissão britânica.
Mesmo assim, determinam tranquilamente que Tony Blair e o seu Governo estão «ilibados de todas as suspeitas» de terem manipulado e mentido aos deputados e ao eleitorado britânico, apesar de, reconhecidamente… terem utilizado relatórios falsos e informações mentirosas.
Extraordinário.
Já não espanta, entretanto, a diligência seguinte do executivo de Tony Blair, após esta notável absolvição: através do ministro Jack Straw, engrossou a voz e exigiu à BBC que «pedisse desculpa» ao governo britânico por… ter mentido quando denunciou os factos que, agora, esta extraordinária comissão reconhece, embora os desculpe!
São tão intrinsecamente mentirosos que até se comportam como os aldrabões profissinais – os que chamam mentirosos a outros para distrair as atenções.
Entretanto, a grande tragédia que esta aventura iraquiana veio desencadear ainda só agora está no começo. Para já, com mortos quase diários de «libertadores» norte-americanos mas também britânicos que tombam, emboscados, no «país libertado».
E isso não há mentira que o esconda.