Haja bom senso
A emergência do Fórum Social Mundial de Porto Alegre, assim como o Fórum Social Europeu de Florença e outros neles inspirados, aglutinando forças muito diversas no plano social, político e ideológico, traduziu uma maior disposição de luta anticapitalista e anti-imperialista.
Um FSP não pode deixar de reflectir a realidade que lhe dá vida.
Estes movimentos reflectem nas suas orientações e formas de organização a realidade de cada país, nomeadamente a natureza do sistema político, a arrumação das forças de classe, a existência e o peso de partidos de esquerda e do movimento sindical.
Um Fórum Social Português não pode deixar de reflectir a realidade que lhe dá vida. A diversidade de tendências, reflexo da base social e política heterogénea que o compõe, não é problema para o seu desenvolvimento, a não ser que alguns dos seus «ideólogos» e candidatos a lideres, queiram que o Fórum seja mais do que deve ser.
A importância de um FSP, reside no facto de poder constituir um espaço, a par de outros, onde convergem forças que, pese embora os objectivos próprios, se dispõem a trabalhar para ampliar a luta anticapitalista e anti imperialista, o que entretanto requer como condição que alguns abandonem a pretensão de impor como plataforma comum as suas próprias plataformas.
Com a realização do Fórum, apareceram à luz do dia abundantes teorizações exclusivistas sobre o que chamam as novas lutas sociais e políticas, bem como sobre os novos sujeitos sociais e políticos, muitos deles repescados de teses de «velhos» grupos ligados à «Nova Esquerda», aos trotskistas, anarquistas e maoistas. Este fenómeno explica-se pelo peso de sectores intelectuais, reféns da ideologia pequeno burguesa e mesmo de reminiscências sedimentadas e armazenadas no subconsciente de cabeças de personagens que, em tempos idos, mergulharam nos «novos movimentos» em voga na época.
Desde logo avulta como fundamento estrutural marcante das suas posições político-ideológicas, os preconceitos anticomunistas e antioperárias.
Julgando ter descoberto um novo paradigma social, contrapõem o que chamam de novos movimentos aos velhos movimentos - que se teriam esgotado -, contraposição que, além de errónea, arbitrária e perigosa para a unidade e a combatividade da «frente social» de luta, faz recordar as velhas teses do «aburguesamento da classe operária» e do «esgotamento do seu papel revolucionário» e o consequente «emergir de uma nova força revolucionária», à época os estudantes e a intelectualidade.
Rejeitando o papel das vanguardas, estas forças atribuem aos movimentos e acções antiglobalização, apelidados de «Movimento dos Movimentos», o papel de única e verdadeira vanguarda, esquecendo-se que a realidade da luta social e política é bem mais rica e diversificada e que obviamente não se esgota nestes movimentos e muito menos nos Fóruns.
O pensamento e a realidade
A obsessão relativa à autonomia dos movimentos sociais, fruto de sequelas de práticas entristas dos trostskistas e a não menos persistente obsessão sobre o apartidarismo, deram lugar a uma mescla de apartidarismo partidário de cariz anarquizante e desagregador.
Sendo embora bastantes os teóricos e os candidatos à liderança do movimento, o Prof. Boaventura Santos, apresenta-se como a sua expressão concentrada.
Concebendo a realidade como o resultado do seu pensamento, a vida social e o papel dos sujeitos históricos são, naturalmente, o resultado da realidade concebida pelo seu cérebro.
Questões como a natureza da fase actual da luta, a missão dos novos movimentos sociais, o papel dos partidos, tratados no plural, mas a pensar no PCP, as transformações sociais e a questão do poder e muitos outros temas merecerão posteriormente tratamento mais adequado. Hoje, dado o espaço limitado deste artigo, aborda-se apenas duas questões que, pelo espanto e pelo absurdo, pela falsificação e mesmo provocação, não devem ser silenciadas.
A primeira é que é preciso ter-se perdido o bom senso para se considerar o Fórum Social Português como «a primeira grande manifestação da sociedade civil depois do 25 de Abril».
Infelizmente não nos esclarece sobre o que entende por «Sociedade Civil», mas como sociólogo deveria saber que a «Sociedade Civil» é uma abstracção, se ignorada as classes que a compõem e as lutas que lhe são inerentes.
Qualquer pessoa minimamente informada sabe coisas tão elementares como o papel determinante das massas populares e em particular dos trabalhadores, no desenvolvimento e na defesa da Revolução de Abril, expressa em grandiosas e persistentes acções de massas.
A verdade, porém, é esta. O verdadeiro conteúdo da revolução e as profundas transformações sócio-económicas só se tornaram realidade quando, ao lado dos militares do MFA, entrou em cena, um outro sujeito histórico, a classe operária portuguesa.
Comparar a realização do FSP com as milhares e milhares de acções em defesa de Abril, a começar pela grandiosa jornada de 1º de Maio de 1974, é puro absurdo.
A segunda é que ao acusar a CGTP-IN de ter actuado na Assembleia do Fórum como correia de transmissão do PCP, o prof. Boaventura, levado pelo seu pendor anticomunista, revelando muita desorientação e muita pouca tolerância democrática, socorreu-se de uma das mais frequentes e insultuosas provocações das forças reaccionárias contra o movimento sindical português, prestando um péssimo serviço à luta dos trabalhadores e às forças mais determinantes na defesa de Abril e contra a política de direita. Forças que por vontade própria continuarão a desempenhar na democracia portuguesa um papel insubstituível.
Um Fórum Social Português não pode deixar de reflectir a realidade que lhe dá vida. A diversidade de tendências, reflexo da base social e política heterogénea que o compõe, não é problema para o seu desenvolvimento, a não ser que alguns dos seus «ideólogos» e candidatos a lideres, queiram que o Fórum seja mais do que deve ser.
A importância de um FSP, reside no facto de poder constituir um espaço, a par de outros, onde convergem forças que, pese embora os objectivos próprios, se dispõem a trabalhar para ampliar a luta anticapitalista e anti imperialista, o que entretanto requer como condição que alguns abandonem a pretensão de impor como plataforma comum as suas próprias plataformas.
Com a realização do Fórum, apareceram à luz do dia abundantes teorizações exclusivistas sobre o que chamam as novas lutas sociais e políticas, bem como sobre os novos sujeitos sociais e políticos, muitos deles repescados de teses de «velhos» grupos ligados à «Nova Esquerda», aos trotskistas, anarquistas e maoistas. Este fenómeno explica-se pelo peso de sectores intelectuais, reféns da ideologia pequeno burguesa e mesmo de reminiscências sedimentadas e armazenadas no subconsciente de cabeças de personagens que, em tempos idos, mergulharam nos «novos movimentos» em voga na época.
Desde logo avulta como fundamento estrutural marcante das suas posições político-ideológicas, os preconceitos anticomunistas e antioperárias.
Julgando ter descoberto um novo paradigma social, contrapõem o que chamam de novos movimentos aos velhos movimentos - que se teriam esgotado -, contraposição que, além de errónea, arbitrária e perigosa para a unidade e a combatividade da «frente social» de luta, faz recordar as velhas teses do «aburguesamento da classe operária» e do «esgotamento do seu papel revolucionário» e o consequente «emergir de uma nova força revolucionária», à época os estudantes e a intelectualidade.
Rejeitando o papel das vanguardas, estas forças atribuem aos movimentos e acções antiglobalização, apelidados de «Movimento dos Movimentos», o papel de única e verdadeira vanguarda, esquecendo-se que a realidade da luta social e política é bem mais rica e diversificada e que obviamente não se esgota nestes movimentos e muito menos nos Fóruns.
O pensamento e a realidade
A obsessão relativa à autonomia dos movimentos sociais, fruto de sequelas de práticas entristas dos trostskistas e a não menos persistente obsessão sobre o apartidarismo, deram lugar a uma mescla de apartidarismo partidário de cariz anarquizante e desagregador.
Sendo embora bastantes os teóricos e os candidatos à liderança do movimento, o Prof. Boaventura Santos, apresenta-se como a sua expressão concentrada.
Concebendo a realidade como o resultado do seu pensamento, a vida social e o papel dos sujeitos históricos são, naturalmente, o resultado da realidade concebida pelo seu cérebro.
Questões como a natureza da fase actual da luta, a missão dos novos movimentos sociais, o papel dos partidos, tratados no plural, mas a pensar no PCP, as transformações sociais e a questão do poder e muitos outros temas merecerão posteriormente tratamento mais adequado. Hoje, dado o espaço limitado deste artigo, aborda-se apenas duas questões que, pelo espanto e pelo absurdo, pela falsificação e mesmo provocação, não devem ser silenciadas.
A primeira é que é preciso ter-se perdido o bom senso para se considerar o Fórum Social Português como «a primeira grande manifestação da sociedade civil depois do 25 de Abril».
Infelizmente não nos esclarece sobre o que entende por «Sociedade Civil», mas como sociólogo deveria saber que a «Sociedade Civil» é uma abstracção, se ignorada as classes que a compõem e as lutas que lhe são inerentes.
Qualquer pessoa minimamente informada sabe coisas tão elementares como o papel determinante das massas populares e em particular dos trabalhadores, no desenvolvimento e na defesa da Revolução de Abril, expressa em grandiosas e persistentes acções de massas.
A verdade, porém, é esta. O verdadeiro conteúdo da revolução e as profundas transformações sócio-económicas só se tornaram realidade quando, ao lado dos militares do MFA, entrou em cena, um outro sujeito histórico, a classe operária portuguesa.
Comparar a realização do FSP com as milhares e milhares de acções em defesa de Abril, a começar pela grandiosa jornada de 1º de Maio de 1974, é puro absurdo.
A segunda é que ao acusar a CGTP-IN de ter actuado na Assembleia do Fórum como correia de transmissão do PCP, o prof. Boaventura, levado pelo seu pendor anticomunista, revelando muita desorientação e muita pouca tolerância democrática, socorreu-se de uma das mais frequentes e insultuosas provocações das forças reaccionárias contra o movimento sindical português, prestando um péssimo serviço à luta dos trabalhadores e às forças mais determinantes na defesa de Abril e contra a política de direita. Forças que por vontade própria continuarão a desempenhar na democracia portuguesa um papel insubstituível.