Sol na eira

José Casanova
José António Lima (JAL) repescou, no Sol, os «Altos & Baixos» do Expresso – agora com a tauromáquica designação de «Sol & Sombra». E, louve-se-lhe a coerência, mantendo intactos os primitivos critérios básicos essenciais utilizados e que são, na sua simplicidade, os seguintes: em primeiro lugar, pôr ao sol os fazedores e (ou) apoiantes da política de direita; em primeiro lugar ex-aequo, pôr à sombra os que combatem a política de direita – neste caso os comunistas que são, no plano político, como JAL sabe, os únicos que, todos os dias e com coerência, lutam contra essa política e lhe contrapõem uma alternativa de esquerda; que são, no plano político, como JAL muito bem sabe, irra!, os únicos verdadeiros opositores dessa política.
Nas suas sentenças, JAL recorre ainda, embora sem o identificar como tal, ao castigo da penumbra, uma espécie de limbo para onde remete, a título de advertência, os que, por uma ou por outra razão, não executam ou não apoiam com a eficácia que lhes é exigida essa política de direita, assim como quem diz: vejam lá se se portam bem, se não...
Sendo este o critério básico de JAL, é fácil adivinhar a metodologia aplicada à sua execução: primeiro escolhe os alvos; a seguir constrói os argumentos, se assim se pode dizer...; finalmente dispara, implacável e justiceiro: disparos de água benta ou de mortíferas balas, com os quais incensa ou liquida os visados, consoante a postura de cada um em relação à dita política de direita. Este percurso a três tempos, feito à medida exacta dos critérios analíticos e informativos vigentes, permite a JAL gozar as delícias do sol na eira vendo à distância a chuva a cair no nabal.
A semana passada, JAL iluminou de Sol o primeiro-ministro José Sócrates e condenou à Sombra o secretário geral do PCP. Sócrates mereceu o Sol de JAL pela sua semana «quase triunfal» e pelos elogios recebidos do Presidente da República.
Jerónimo de Sousa foi condenado à Sombra porque... sim, pronto, porque é comunista, pronto, e mais ainda porque, pronto, pensa e disse que, em vez do referendo, era a Assembleia da República que deveria decidir a despenalização da IVG, afirmação que JAL considera «sintoma de preocupante cegueira». Mas, mais e pior do que tudo isso: realizou-se em Portugal, organizado pelo PCP, um «encontro de partidos comunistas e operários» - e isso é que JAL não tolera. Então ele não disse já mil vezes que o comunismo acabou?


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