Indignidade e anti-comunismo
Manobra de diversão em relação a bem concretos ataques a direitos, liberdades e garantias
Seria apropriado escolher para tema desta coluna acontecimentos que, como a vitória de Lula no Brasil, confirmam que os trabalhadores e os povos resistem, lutam e abrem caminho a processos de mudança, sempre complexos e contraditórios, mas que exprimem uma tendência de fundo libertadora. Há porém o reverso da medalha que pesa como chumbo na conjuntura e reclama permanente vigilância. Enleado nas próprias contradições, atolado em operações militares cujo desfecho tinha por certo e fácil, vendo esgotar-se rapidamente o novo fôlego que lhe deram as derrotas do socialismo, o imperialismo confere contornos cada vez mais ameaçadores à sua estratégia agressiva. Vem isto a propósito de uma resolução aprovada na passada semana no Parlamento Europeu para assinalar a passagem dos 50 anos da contra-revolução húngara de 1956 e que, tal como a resolução anti-comunista da Assembléia Parlamentar do Conselho da Europa o foi, deve ser firmemente desmascarada e combatida.
O P.E., que tem funcionado como caixa de ressonância das políticas do grande capital, arroga-se o direito de «julgar» sumariamente acontecimentos extraordinariamente complexos procurando impor esse julgamento político como «verdade histórica» indiscutível, ignorando tudo o que possa dar um grão de razão sequer às forças que em 1956 se ergueram em defesa do socialismo. É por isso necessário lembrar que aqueles eram tempos de vida ou de morte na luta para abrir caminho à nova sociedade; de tenebrosos projectos de desestabilização imperialista do Leste da Europa; de frenética actividade da NATO (recém reforçada com a República Federal Alemã), da CIA, da Rádio Europa Livre que, recorde-se, tinha poderosas instalações no Portugal fascista; de aguda tensão internacional criada pela agressão imperialista ao Egipto, o pós-guerra da Coréia, o avanço dos EUA na Indochina em substituição do colonialismo francês, a criação de várias alianças militares para o cerco à URSS; de perseguição dos comunistas no «livre Ocidente» com a «caça às bruxas» nos EUA e a ilegalização do Partido Comunista Alemão.
A operação é tanto mais grave quanto, agitando as palavras «liberdade» e «democracia», funciona como manobra de diversão em relação a bem concretos ataques a direitos, liberdades e garantias fundamentais e a crimes de guerra de que todos os dias temos novas notícias. Tenham-se em vista a actividade tentacular da CIA na Europa e a colaboração que lhe prestam os serviços secretos europeus; a «legalização» da tortura nos EUA; o avanço da extrema-direita racista e fascista precisamente na Hungria, mas também na Polónia, na Bulgária, nos Estados bálticos, na Bélgica, na Áustria e noutros países da Europa; o bombardeamento de populações civis ou as práticas criminosas de soldados alemães no Afeganistão; os continuados crimes sionistas na Palestina ou a confessada utilização por Israel de bombas de fósforo no Líbano; o muro que os EUA estão a erguer na fronteira com o México a juntar a tantos outros muros que, fazendo jus aos cínicos hinos à «liberdade de viajar» que precederam «a queda do muro de Berlim» e a anexação da RDA, o imperialismo está a levantar por todo o mundo.
Numa deriva fascizante, a resolução do P.E. chega ao ponto de afirmar que «a comunidade democrática deve rejeitar inequivocamente a ideologia comunista, repressiva e anti-democrática», evidenciando a essência de uma operação anti-comunista que, mais do que o passado visa a intervenção no presente contra as forças que não renegam as suas convicções nem desistem da luta. Disso tivemos nos últimos dias em Portugal ecos particularmente indecentes, como aqueles que, falsificando deliberadamente a posição do PCP em relação ao agravamento da tensão na Península da Coréia, vão ao ponto de rotular de «perigosa» a ideologia do PCP. É claro que tais alarvidades nos não intimidam. Mas não devemos subestimá-las.
O P.E., que tem funcionado como caixa de ressonância das políticas do grande capital, arroga-se o direito de «julgar» sumariamente acontecimentos extraordinariamente complexos procurando impor esse julgamento político como «verdade histórica» indiscutível, ignorando tudo o que possa dar um grão de razão sequer às forças que em 1956 se ergueram em defesa do socialismo. É por isso necessário lembrar que aqueles eram tempos de vida ou de morte na luta para abrir caminho à nova sociedade; de tenebrosos projectos de desestabilização imperialista do Leste da Europa; de frenética actividade da NATO (recém reforçada com a República Federal Alemã), da CIA, da Rádio Europa Livre que, recorde-se, tinha poderosas instalações no Portugal fascista; de aguda tensão internacional criada pela agressão imperialista ao Egipto, o pós-guerra da Coréia, o avanço dos EUA na Indochina em substituição do colonialismo francês, a criação de várias alianças militares para o cerco à URSS; de perseguição dos comunistas no «livre Ocidente» com a «caça às bruxas» nos EUA e a ilegalização do Partido Comunista Alemão.
A operação é tanto mais grave quanto, agitando as palavras «liberdade» e «democracia», funciona como manobra de diversão em relação a bem concretos ataques a direitos, liberdades e garantias fundamentais e a crimes de guerra de que todos os dias temos novas notícias. Tenham-se em vista a actividade tentacular da CIA na Europa e a colaboração que lhe prestam os serviços secretos europeus; a «legalização» da tortura nos EUA; o avanço da extrema-direita racista e fascista precisamente na Hungria, mas também na Polónia, na Bulgária, nos Estados bálticos, na Bélgica, na Áustria e noutros países da Europa; o bombardeamento de populações civis ou as práticas criminosas de soldados alemães no Afeganistão; os continuados crimes sionistas na Palestina ou a confessada utilização por Israel de bombas de fósforo no Líbano; o muro que os EUA estão a erguer na fronteira com o México a juntar a tantos outros muros que, fazendo jus aos cínicos hinos à «liberdade de viajar» que precederam «a queda do muro de Berlim» e a anexação da RDA, o imperialismo está a levantar por todo o mundo.
Numa deriva fascizante, a resolução do P.E. chega ao ponto de afirmar que «a comunidade democrática deve rejeitar inequivocamente a ideologia comunista, repressiva e anti-democrática», evidenciando a essência de uma operação anti-comunista que, mais do que o passado visa a intervenção no presente contra as forças que não renegam as suas convicções nem desistem da luta. Disso tivemos nos últimos dias em Portugal ecos particularmente indecentes, como aqueles que, falsificando deliberadamente a posição do PCP em relação ao agravamento da tensão na Península da Coréia, vão ao ponto de rotular de «perigosa» a ideologia do PCP. É claro que tais alarvidades nos não intimidam. Mas não devemos subestimá-las.