Libelo acusatório
A Cimeira de Havana constitui um libelo acusatório contra as práticas do imperialismo
A XIV Cimeira dos Países Não-Alinhados recentemente realizada em Cuba constitui acontecimento de inegável significado e importância. Se dúvidas houvessem, os “assobios para o lado” da comunicação social dominante, primando pelo seu apagamento ou desvalorização, chegariam para o comprovar.
A mimetizada reacção imperialista não é carecida de fundamento. Basta recordar que a fundação do movimento dos Não-Alinhados há 45 anos, antecedida pela enunciação dos “dez princípios de Bandung” na Conferência Afro-Asiática de 1955, remonta a uma época de lutas vitoriosas de libertação nacional e emancipação dos povos que conduziriam à derrocada do sistema colonial mundial. Uma época possibilitada pelo desfecho da II Guerra Mundial – e em primeiro lugar pelo papel crucial da URSS na derrota do nazi-fascismo – e a formação do campo socialista.
Quinze anos depois do fim do “mundo bipolar”, os princípios angulares da organização integrada hoje já por 118 Estados, quase dois terços dos países com assento na ONU, permanecem mais válidos do que nunca. A paz, o desenvolvimento e cooperação económica e a democratização das relações internacionais são alguns dos objectivos cuja materialização se vislumbra distante num mundo em que as ameaças da hegemonia imperialista planetária pesam como a espada de Dâmocles sobre os direitos, aspirações e soberania dos povos.
É por isso de saudar o “relançamento” dos Não-Alinhados e valorizar, como o fez Pérez Roque, responsável do MNE cubano, a «unidade e coesão sem precedentes» revelada na Cimeira de Havana, no início do mandato de três anos de Cuba à frente da organização.
Não obstante a existência de dificuldades e até conflitos internos dada a heterogeneidade e diversidade que caracteriza o Movimento dos Não-Alinhados – que levaram, por exemplo, à inclusão na declaração final do apoio aos governos do Afeganistão e Iraque -, no cômputo geral a Cimeira de Havana constitui um libelo acusatório contra as práticas do imperialismo e as pretensões dos EUA de imposição de uma ordem mundial unipolar. À solidariedade manifestada com inúmeros países vítimas da agressão, desestabilização e discriminação imperialistas, acrescentem-se a referência no documento final contra a equiparação do terrorismo com a luta legítima dos povos vítimas de dominação colonial ou ocupação estrangeira, e a exigência da reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU. Uma exigência que sai reforçada – perante uma ONU manietada pelo arbítrio das potências capitalistas –, precisamente pelo facto dos princípios e propostas que determinam a fundação dos Não-Alinhados serem os mesmos que consagram o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas.
A perspectiva de uma revitalização do movimento dos Não-Alinhados não é alheia à emergência de novas “potências” económicas, às dinâmicas de conformação de novos blocos regionais e de alianças entre países e aos reptos lançados no sentido do reforço da cooperação Sul-Sul. Realidade que aponta para importantes processos de rearrumação de forças à escala internacional, que seria, contudo, errado reduzir a um único denominador comum. Certamente pesarão, e muito, o reforço da resistência anti-imperialista e a evidência do surgimento de novas disponibilidades para a luta dos povos e trabalhadores.
A unidade dos povos oprimidos e explorados é tanto mais necessária quando o imperialismo acusa hoje o peso da inevitabilidade da alteração da correlação de forças na economia e arena mundiais. Desde a expansão da NATO ao projecto global do Grande Médio Oriente e à nova parceria estratégica em construção com a Índia, os EUA buscam incessantemente novas formas de contenção e moldagem de um mundo em mudança. E persistem, acima de tudo, na via militarista como forma de manter a sua hegemonia e dirimir as profundas contradições do capitalismo. Nesta via, a procura da supremacia nuclear estratégica, destruindo o factor dissuasor ainda existente, tornou-se uma obsessão para a classe dirigente dos EUA, que de modo algum pode ser ignorada.
Será da luta dos trabalhadores e dos povos que resultará uma nova correlação de forças mundial, capaz de assegurar a derrota do imperialismo e pôr fim à ameaça de holocausto.
A mimetizada reacção imperialista não é carecida de fundamento. Basta recordar que a fundação do movimento dos Não-Alinhados há 45 anos, antecedida pela enunciação dos “dez princípios de Bandung” na Conferência Afro-Asiática de 1955, remonta a uma época de lutas vitoriosas de libertação nacional e emancipação dos povos que conduziriam à derrocada do sistema colonial mundial. Uma época possibilitada pelo desfecho da II Guerra Mundial – e em primeiro lugar pelo papel crucial da URSS na derrota do nazi-fascismo – e a formação do campo socialista.
Quinze anos depois do fim do “mundo bipolar”, os princípios angulares da organização integrada hoje já por 118 Estados, quase dois terços dos países com assento na ONU, permanecem mais válidos do que nunca. A paz, o desenvolvimento e cooperação económica e a democratização das relações internacionais são alguns dos objectivos cuja materialização se vislumbra distante num mundo em que as ameaças da hegemonia imperialista planetária pesam como a espada de Dâmocles sobre os direitos, aspirações e soberania dos povos.
É por isso de saudar o “relançamento” dos Não-Alinhados e valorizar, como o fez Pérez Roque, responsável do MNE cubano, a «unidade e coesão sem precedentes» revelada na Cimeira de Havana, no início do mandato de três anos de Cuba à frente da organização.
Não obstante a existência de dificuldades e até conflitos internos dada a heterogeneidade e diversidade que caracteriza o Movimento dos Não-Alinhados – que levaram, por exemplo, à inclusão na declaração final do apoio aos governos do Afeganistão e Iraque -, no cômputo geral a Cimeira de Havana constitui um libelo acusatório contra as práticas do imperialismo e as pretensões dos EUA de imposição de uma ordem mundial unipolar. À solidariedade manifestada com inúmeros países vítimas da agressão, desestabilização e discriminação imperialistas, acrescentem-se a referência no documento final contra a equiparação do terrorismo com a luta legítima dos povos vítimas de dominação colonial ou ocupação estrangeira, e a exigência da reforma imediata do Conselho de Segurança da ONU. Uma exigência que sai reforçada – perante uma ONU manietada pelo arbítrio das potências capitalistas –, precisamente pelo facto dos princípios e propostas que determinam a fundação dos Não-Alinhados serem os mesmos que consagram o Direito Internacional e a Carta das Nações Unidas.
A perspectiva de uma revitalização do movimento dos Não-Alinhados não é alheia à emergência de novas “potências” económicas, às dinâmicas de conformação de novos blocos regionais e de alianças entre países e aos reptos lançados no sentido do reforço da cooperação Sul-Sul. Realidade que aponta para importantes processos de rearrumação de forças à escala internacional, que seria, contudo, errado reduzir a um único denominador comum. Certamente pesarão, e muito, o reforço da resistência anti-imperialista e a evidência do surgimento de novas disponibilidades para a luta dos povos e trabalhadores.
A unidade dos povos oprimidos e explorados é tanto mais necessária quando o imperialismo acusa hoje o peso da inevitabilidade da alteração da correlação de forças na economia e arena mundiais. Desde a expansão da NATO ao projecto global do Grande Médio Oriente e à nova parceria estratégica em construção com a Índia, os EUA buscam incessantemente novas formas de contenção e moldagem de um mundo em mudança. E persistem, acima de tudo, na via militarista como forma de manter a sua hegemonia e dirimir as profundas contradições do capitalismo. Nesta via, a procura da supremacia nuclear estratégica, destruindo o factor dissuasor ainda existente, tornou-se uma obsessão para a classe dirigente dos EUA, que de modo algum pode ser ignorada.
Será da luta dos trabalhadores e dos povos que resultará uma nova correlação de forças mundial, capaz de assegurar a derrota do imperialismo e pôr fim à ameaça de holocausto.