Solidariedade com os presos bascos

Com o objectivo de denunciar a situação em que vivem os quase 700 presos políticos bascos e, particularmente, o caso de Iñaki de Juana Chaos, na altura em greve de fome, a Associação de Solidariedade com Euskal Herria realizou, quarta-feira da semana passada, uma concentração frente à Embaixada de Espanha em Portugal.
«Deslocados, a centenas de quilómetros das suas terras, sofrem e vêem os seus familiares e amigos sofrerem com a distância. Muitos, com doenças crónicas, são mantidos encarcerados décadas a fio, enquanto que ex-generais e ex-ministros envolvidos em escândalos de corrupção e de terrorismo estatal cumprem apenas uma pequena parte da pena», lamenta, em comunicado, a associação, explicando, mais adiante, porque razão está Iñaki de Juana Chaos preso.
«Iñaki de Juana Chaos cometeu o “crime” de escrever dois artigos para um jornal, nos quais apoia o Movimento de Libertação Nacional Basco. Foi a razão que encontraram para satisfazer o ódio lançado pelos meios de comunicação espanhóis, e apoiados pelo governo, contra a decisão de não se criminalizar Iñaki», informa a Associação de Solidariedade com Euskal Herria, lembrando que esta pessoa poderá passar mais 30 anos na prisão, ou seja, «sairá em liberdade com 80 anos».
A greve de fome foi a única forma de luta encontrada para fazer face a todos estes atropelos legais e políticos. No dia 19, há 45 dias em greve, Iñaki de Juana Chaos foi hospitalizado com menos 18 quilos e com todo o peso da persistência da sua luta. A resposta do Estado espanhol não foi a reposição da justiça mas a ordem de o alimentar à força.
«A Associação de Solidariedade com a Euskal Herria está solidária com os presos políticos bascos e com todos os que lutam pela liberdade do seu povo. Como noutros momentos da história, quem luta contra a opressão é considerado terrorista. Os exemplos de presos políticos como Bobby Sands, Nélson Mandela e António Dias Lourenço demonstram que nada poderão contra a fome de liberdade do povo basco», afirma a associação.
No comunicado, a Associação de Solidariedade com a Euskal Herria condenou ainda a postura de imobilismo do Estado espanhol em relação à trégua anunciada pela organização armada ETA.
«O actual impasse verificado prejudica gravemente o desenvolvimento de um processo de paz que conduza ao fim do conflito e à convivência fraterna entre os povos. Não se pode querer a paz adiando e levantando entraves para a criação de uma mesa de negociações», acusa a associação.


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