Verdades quase verdades
Segundo o Diário de Notícias, tiveram início os primeiros «encontros preparatórios do Congresso do PS», que ocorrerão em todas as capitais de distrito, neste mês de Julho, e nos quais vão participar o primeiro-ministro e vários ministros.
O das Obras Públicas, Mário Lino, deu um pontapé de saída, deslocando-se a Bragança. Levava o encargo de espalhar o optimismo e a linha justa nas bases. Se cumpriu ou não a tarefa só as bases poderão dizê-lo. Mas, a avaliar pelas declarações atribuídas ao dito ministro… sabe-se lá. O tempo o dirá.
O ministro produziu afirmações várias, todas com selo de garantia em matéria de rigor e de verdade. Por exemplo, afirmou que «o rumo certo é o que está a ser seguido» pelo Governo, e apresentou como prova disso o facto de «a oposição estar completamente vencida» e incapaz «de apresentar alternativas às políticas que têm vindo a ser implementadas». É claro que a oposição a que o ministro se referia, não era a oposição: era o PSD, partido que há trinta anos alterna com o PS a prática da política de direita comum aos dois, mas isso é, obviamente, irrelevante: todos eles sabem e fingem não saber que o PSD é tão oposição hoje, como o foi o PS ontem, o PSD anteontem, e assim sucessivamente. Confidenciou ainda o ministro que «o Governo de José Sócrates está possuído pela obsessão de querer fazer as coisas com urgência» - proposição inquestionável para a imensíssima maioria dos portugueses sobre os quais recai, todos os dias, a carga pesada dessa urgência obsessiva. No entanto, à cautela, lá foi informando que «o que estamos a fazer é patriótico». Então não é?, mais do que isso: é obsessivamente patriótico.
De resto, sempre na opinião do ministro, obsessivo no rigor e na verdade, estamos à beirinha de viver no melhor dos mundos: o clima depressivo está agora a ser vencido, «começa a haver maior confiança». E, embalado e luminar, informa, afirma e garante que essa «maior confiança» decorre… de quê?: está-se mesmo a ver: «da prestação da selecção nacional de futebol no Mundial da Alemanha».
A verdade é que, diz o ministro, «o PS tem um discurso de verdade», se não vejamos: «não há solução para o país sem que sejam tomadas medidas duras e isso toca a todos» - verdade quase verdade, e que seria verdade inteira, se lhe fosse acrescentado: menos aos chefes dos grandes grupos económicos e financeiros e ao seu staff, aí incluído o chamado Governo.
O das Obras Públicas, Mário Lino, deu um pontapé de saída, deslocando-se a Bragança. Levava o encargo de espalhar o optimismo e a linha justa nas bases. Se cumpriu ou não a tarefa só as bases poderão dizê-lo. Mas, a avaliar pelas declarações atribuídas ao dito ministro… sabe-se lá. O tempo o dirá.
O ministro produziu afirmações várias, todas com selo de garantia em matéria de rigor e de verdade. Por exemplo, afirmou que «o rumo certo é o que está a ser seguido» pelo Governo, e apresentou como prova disso o facto de «a oposição estar completamente vencida» e incapaz «de apresentar alternativas às políticas que têm vindo a ser implementadas». É claro que a oposição a que o ministro se referia, não era a oposição: era o PSD, partido que há trinta anos alterna com o PS a prática da política de direita comum aos dois, mas isso é, obviamente, irrelevante: todos eles sabem e fingem não saber que o PSD é tão oposição hoje, como o foi o PS ontem, o PSD anteontem, e assim sucessivamente. Confidenciou ainda o ministro que «o Governo de José Sócrates está possuído pela obsessão de querer fazer as coisas com urgência» - proposição inquestionável para a imensíssima maioria dos portugueses sobre os quais recai, todos os dias, a carga pesada dessa urgência obsessiva. No entanto, à cautela, lá foi informando que «o que estamos a fazer é patriótico». Então não é?, mais do que isso: é obsessivamente patriótico.
De resto, sempre na opinião do ministro, obsessivo no rigor e na verdade, estamos à beirinha de viver no melhor dos mundos: o clima depressivo está agora a ser vencido, «começa a haver maior confiança». E, embalado e luminar, informa, afirma e garante que essa «maior confiança» decorre… de quê?: está-se mesmo a ver: «da prestação da selecção nacional de futebol no Mundial da Alemanha».
A verdade é que, diz o ministro, «o PS tem um discurso de verdade», se não vejamos: «não há solução para o país sem que sejam tomadas medidas duras e isso toca a todos» - verdade quase verdade, e que seria verdade inteira, se lhe fosse acrescentado: menos aos chefes dos grandes grupos económicos e financeiros e ao seu staff, aí incluído o chamado Governo.