Assim não vale
Coisa rara, esta: com mais de três meses de antecedência, os jornais anunciaram a data (3 de Setembro), o local (Castelo de Vide), e o conteúdo do discurso de rentrée do líder do PSD («a revisão dos estatutos do partido»).
Notícias tais costumam aparecer lá mais para Agosto quando a generalidade dos partidos – quem diz partidos, diz líderes, é claro – regressam, ou estão prestes a regressar, ao lar partidário, após um merecido período de repouso, como é uso dizer-se. Lar partidário que, porque o líder regressou, reabre a porta entretanto fechada a tudo o que não fosse matéria de expediente.
Refiro-me, naturalmente, a partidos sustentados pela omnipresença, omnisciência e omnipotência do líder, e aos quais, por isso mesmo, não resta outra hipótese que não seja a de, politicamente, fechar para férias quando o líder para férias vai. Como é sabido, quando o líder regressa, regressa a normalidade partidária e é uso festejar a retoma da rotina com o tradicional discurso da rentrée. É então que os jornais especulam sobre o significado da escolha do local onde o líder irá discursar, sobre o conteúdo do discurso – enfim, fazem, também eles, a sua tradicional festa de retoma da rotina. Este ano não foi assim, tudo começou mais cedo. E há que reconhecer que um anúncio de rentrée com mais de três meses de antecedência, é obra! Até parece que nada se passa no País e, à falta de notícias, zás, tomem lá rentrée. Com tema de discurso e tudo: «a revisão dos estatutos do partido». Tenho para mim que esse será tema mas não único. E estou em crer que, nos três meses que o separam do discurso agora anunciado, o líder do PSD vai desunhar-se à procura do que se lhe exige, daquele que deverá ser o prato forte da sua oração de rentrée, a saber: cumprir como lhe compete o, neste caso, dificílimo papel de fingir que é oposição à política do Governo. Este papel de oposição fingida é sempre difícil de representar, como temos observado ao longo de trinta anos de representações ora do PS, ora do PSD, um no governo a fingir que está a fazer uma política a que o outro se opõe, o outro fora do governo a fingir que se opõe à política que o do governo faz. Desta vez, contudo, as coisas estão mais difíceis para o que faz de oposição. É que José Sócrates não lhe dá a mínima chance: faz tudo o que o PSD faria se fosse governo, mais tudo o que o PSD não teria condições para fazer. Assim não vale.
Notícias tais costumam aparecer lá mais para Agosto quando a generalidade dos partidos – quem diz partidos, diz líderes, é claro – regressam, ou estão prestes a regressar, ao lar partidário, após um merecido período de repouso, como é uso dizer-se. Lar partidário que, porque o líder regressou, reabre a porta entretanto fechada a tudo o que não fosse matéria de expediente.
Refiro-me, naturalmente, a partidos sustentados pela omnipresença, omnisciência e omnipotência do líder, e aos quais, por isso mesmo, não resta outra hipótese que não seja a de, politicamente, fechar para férias quando o líder para férias vai. Como é sabido, quando o líder regressa, regressa a normalidade partidária e é uso festejar a retoma da rotina com o tradicional discurso da rentrée. É então que os jornais especulam sobre o significado da escolha do local onde o líder irá discursar, sobre o conteúdo do discurso – enfim, fazem, também eles, a sua tradicional festa de retoma da rotina. Este ano não foi assim, tudo começou mais cedo. E há que reconhecer que um anúncio de rentrée com mais de três meses de antecedência, é obra! Até parece que nada se passa no País e, à falta de notícias, zás, tomem lá rentrée. Com tema de discurso e tudo: «a revisão dos estatutos do partido». Tenho para mim que esse será tema mas não único. E estou em crer que, nos três meses que o separam do discurso agora anunciado, o líder do PSD vai desunhar-se à procura do que se lhe exige, daquele que deverá ser o prato forte da sua oração de rentrée, a saber: cumprir como lhe compete o, neste caso, dificílimo papel de fingir que é oposição à política do Governo. Este papel de oposição fingida é sempre difícil de representar, como temos observado ao longo de trinta anos de representações ora do PS, ora do PSD, um no governo a fingir que está a fazer uma política a que o outro se opõe, o outro fora do governo a fingir que se opõe à política que o do governo faz. Desta vez, contudo, as coisas estão mais difíceis para o que faz de oposição. É que José Sócrates não lhe dá a mínima chance: faz tudo o que o PSD faria se fosse governo, mais tudo o que o PSD não teria condições para fazer. Assim não vale.