Narizes
Num matutino da capital e arredores, quase escondidas sob a garrafal manchete revelando que as «raparigas são mais violentas que os rapazes», duas notícias são também reveladoras do que se passa neste país onde brilham, como no resto da Europa, as luzes comemorativas da União. Uma delas diz-nos que um «guarda-costas assaltou 26 bancos» e, através do filtro do chamado «segredo de justiça», conta a história de um tal «Orlando», digno guarda-costas e homem de família, que assaltava bancos nas horas vagas. A gente lê e acaba por não pasmar. O homem não terá mentido a ninguém e apenas se servia do seu físico impressionante para roubar, nem sequer a pistola de serviço usava para os seus assaltos. De facto, o homem era guarda-costas e não guarda-bancos.
O pior é quando mentem à gente. O que nos veio logo à ideia quando lemos a outra notícia – que de resto não é novidade nenhuma – e nos alertam para o facto de que o desemprego em Portugal «é o mais alto dos últimos vinte anos».
É nestas coisas «pequenas» que a mentira se imiscui. Os responsáveis deste aumento do desemprego são os mesmos que, a cada campanha eleitoral, prometem fazê-lo diminuir. Sócrates, por exemplo, prometeu a criação de 150 mil empregos e, mais de um ano passado, o panorama é pior. Não só não foram criados os tais empregos, como o desemprego não pára de aumentar.
O mesmo se passa em relação aos «relatórios» da Comissão Europeia, que nos prevêem um futuro de rastos não apenas para o curto prazo mas para as próximas décadas. Vem então o primeiro-ministro desmentir a coisa e garantir, por exemplo, que o desemprego não vai aumentar ainda mais. Seria de facto uma tragédia maior, se os números actuais crescessem... Por seu lado, Teixeira dos Santos, congratula-se com as previsões de crescimento económico que nos são atribuídas e que nos manterão sempre na cauda da Europa. E «explica» que, quanto à contenção do défice, a Comissão não contou, nas previsões que fez, com as maravilhas anunciadas ou já postas em prática pelo Governo, garantindo que tudo vai ser conseguido através da contenção da despesa pública.
Nós sabemos a quem é retirada esta «contenção» e quem vai ter de apertar o cinto. E não nos sossegam as declarações governamentais de que os impostos não vão aumentar. Isto porque já estamos escaldados com declarações assim.
Entretanto, se ao tal Orlando o nariz não cresceu por roubar bancos, já é de espantar que os narizes não cresçam a Sócrates e a Teixeira. E já agora também a Cavaco Silva, que não poupou elogios à União Europeia e à integração, que só nos trouxe «benefícios» de há 20 anos para cá.
Estes narizes não crescem porque os donos não são feitos de pau.
O pior é quando mentem à gente. O que nos veio logo à ideia quando lemos a outra notícia – que de resto não é novidade nenhuma – e nos alertam para o facto de que o desemprego em Portugal «é o mais alto dos últimos vinte anos».
É nestas coisas «pequenas» que a mentira se imiscui. Os responsáveis deste aumento do desemprego são os mesmos que, a cada campanha eleitoral, prometem fazê-lo diminuir. Sócrates, por exemplo, prometeu a criação de 150 mil empregos e, mais de um ano passado, o panorama é pior. Não só não foram criados os tais empregos, como o desemprego não pára de aumentar.
O mesmo se passa em relação aos «relatórios» da Comissão Europeia, que nos prevêem um futuro de rastos não apenas para o curto prazo mas para as próximas décadas. Vem então o primeiro-ministro desmentir a coisa e garantir, por exemplo, que o desemprego não vai aumentar ainda mais. Seria de facto uma tragédia maior, se os números actuais crescessem... Por seu lado, Teixeira dos Santos, congratula-se com as previsões de crescimento económico que nos são atribuídas e que nos manterão sempre na cauda da Europa. E «explica» que, quanto à contenção do défice, a Comissão não contou, nas previsões que fez, com as maravilhas anunciadas ou já postas em prática pelo Governo, garantindo que tudo vai ser conseguido através da contenção da despesa pública.
Nós sabemos a quem é retirada esta «contenção» e quem vai ter de apertar o cinto. E não nos sossegam as declarações governamentais de que os impostos não vão aumentar. Isto porque já estamos escaldados com declarações assim.
Entretanto, se ao tal Orlando o nariz não cresceu por roubar bancos, já é de espantar que os narizes não cresçam a Sócrates e a Teixeira. E já agora também a Cavaco Silva, que não poupou elogios à União Europeia e à integração, que só nos trouxe «benefícios» de há 20 anos para cá.
Estes narizes não crescem porque os donos não são feitos de pau.