«Lei da Paridade»

Os verdadeiros objectivos

Com a chamada «Lei da paridade», o PS não pretende de facto «a adopção de estratégias que contribuam de forma eficaz para o necessário aumento da participação das mulheres no exercício do poder político», acusa a Comissão Política do PCP.

lei representa um novo passo na ingerência na vida interna dos partidos

Se pretendesse de facto adoptar estratégias eficazes, «baseadas numa avaliação rigorosa das causas que determinam a sua lenta evolução nos diversos órgãos de soberania», não teria excluído do debate do dia 30 de Março o Projecto de Resolução do PCP sobre «Medidas de reforço da participação cívica e política das mulheres».
Em nota à comunicação social, divulgada no passado dia 28, o PCP diz que o que o PS pretende é impedir a participação em actos eleitorais aos partidos que não cumpram a obrigatoriedade de inclusão de 33% de mulheres nas listas para a Assembleia da República, para o Parlamento Europeu e para as Autarquias Locais e, por outro lado, «alimentar a ideia de que as causas de todos os problemas, incluindo os défices de participação política das mulheres, residem no funcionamento interno dos partidos e não no conjunto da sociedade».
De «forma ardilosa», pretende ainda centrar aqueles défices de participação nos centros de decisão política, quando, afinal, eles acompanham a situação de desigualdade e de discriminação das mulheres, mesmo em espaços onde são maioria, como acontece no mundo do trabalho, com a duplicação do desemprego feminino, o aumento da precariedade e o agravamento das discriminações salariais. Ou seja, o objectivo do PS é «desviar as atenções quanto à estreita relação entre a natureza da sua política de direita e o défice de participação política», inseparável do aprofundamento das discriminações que continuam a pesar sobre as mulheres em todas as esferas da vida.
Preocupação do PCP é o facto ainda de, com a aprovação desta proposta, estar-se perante «um novo passo na ingerência na vida interna dos partidos e no direito dos seus militantes – mulheres e homens – de decidirem livremente as suas regras de funcionamento».

Governo que dê o exemplo

Face a tudo isto, é «inaceitável», diz a Comissão Política do PCP, que o Grupo Parlamentar do PS fundamente a imposição da sua «Lei paritária» em razões de reforço da participação política das mulheres, «quando ignora deliberadamente que existem outros importantes cargos políticos, de que são exemplo o próprio Governo e os cargos dirigentes da Administração Pública preenchidos por nomeação», onde a participação das mulheres é baixíssima.
Inaceitável é, por fim, que o Partido Socialista, com esta lei, crie falsas expectativas de reforço da participação das mulheres nos órgãos de poder e, ao mesmo tempo, defenda uma reforma do sistema político e eleitoral que, além de contraditória com os objectivos agora expressos, vai redundar num efectivo empobrecimento da participação política e eleitoral do conjunto dos agentes do sistema partidário. De facto, a introdução dos círculos uninominais, a criação de executivos camarários «monopartidários» levariam «à alternância PS/PSD sem sobressaltos, à custa de maiores constrangimentos à eleição de mulheres – como é patente nos círculos uninominais – e à distorção da relação proporcional entre votos expressos e eleição de representantes».
O PCP rejeita assim a proposta do PS, reiterando, contudo, o seu compromisso com o reforço do número de mulheres nas suas listas em lugares elegíveis e um activo empenhamento na luta pela concretização da participação das mulheres em igualdade na vida económica, social e política.

O Projecto de Resolução do PCP

O Projecto de Resolução do PCP, excluído pelo Grupo Parlamentar do PS, propõe12 medidas envolvendo os diferentes agentes políticos e sociais – partidos, Governo, organizações sociais e de mulheres –, no sentido de assumirem uma intervenção activa, com vista a promover e garantir a participação das mulheres em igualdade na vida política e cívica e nos centros de decisão.
Nele se destaca o papel dos partidos políticos na assunção de responsabilidades no aumento do número de mulheres nas listas eleitorais e em lugares elegíveis para a Assembleia da República, Parlamento Europeu, assembleias legislativas regionais e autarquias locais, concretizada através de um processo de auto-regulamentação e no respeito pela liberdade de adopção das medidas que cada partido político considere mais adequadas.
Destaca, igualmente, a intervenção activa que o Governo deve ter nas suas esferas de competência, visando a promoção do reforço da presença de mulheres em altos cargos governativos, incluindo cargos dirigentes da Administração Pública preenchidos por via de nomeação; a avaliação dos impactos das políticas económicas e sociais na evolução da situação das mulheres; a publicação de relatórios anuais com informação sobre a evolução da participação das mulheres nos órgãos de poder e na Administração Pública. Isto, para além da tomada de um conjunto de medidas positivas do ponto de vista económico e social e de combate às atitudes e práticas discriminatórias, de forma a permitir às mulheres a participação no exercício do poder político.


Mais artigos de: PCP

Há que cumpri-la!

Não é a Constituição mas o PS, PSD e CDS, com as políticas que aplicaram ao longo de mais de 30 anos, os responsáveis pela situação do País, afirmou, domingo, Jerónimo de Sousa, na sessão comemorativa dos 30 anos da Lei fundamental.

Mais perto dos cidadãos?

O problema central da relação dos cidadãos e das empresas com a Administração Pública e o Estado não é apenas ou fundamentalmente o da forma de acesso ao serviço, mas o do tempo e do custo no acesso ao serviço», diz o Gabinete de Imprensa do PCP, a propósito do programa de «Simplificação dos procedimentos...

Travar a governamentalização

Comentando a demissão do director nacional da Polícia Judiciária, que considera uma «má decisão do Governo que prejudica o normal funcionamento dessa polícia e constitui mais um obstáculo no combate à criminalidade organizada», o PCP destaca que este desfecho «não surpreende». Em nota do seu Gabinete de Imprensa, emitido...

Ataque às funções do Estado

O Governo apresentou, no passado dia 30 de Março, o chamado Programa de Reestruturação da Administração do Estado (PRACE). Para o PCP esta é mais uma medida que vai dar continuidade às políticas de direita, constituindo mais um momento de grande aparato propagantistico. Em conferência de imprensa, realizada, ontem,...

Comunidade precisa de um PCP mais forte

Realizou-se, nos dias 25 e 26 de Março em Leverkusen, a Assembleia dos Comunistas Portugueses residentes na Alemanha. A assembleia contou com a presença de membros do PCP de todas as áreas consulares e de Manuela Pinto Ângelo do Secretariado do Comité Central.A Assembleia fez uma análise das características da comunidade...

Guimarães realizou Assembleia

A organização concelhia de Guimarães do PCP realizou, no dia 18, a sua décima Assembleia. Com a presença de Paulo Raimundo, membro da Comissão Política e responsável pela Organização Regional de Braga do Partido, os comunistas de Guimarães aprovaram um programa de acção que parte do princípio que o crescimento do Partido...

PCP recebeu SMMP…

O secretário-geral do PCP recebeu, no passado dia 31, uma delegação do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público. A delegação do Partido, chefiada por Jerónimo de Sousa, integrava ainda José Neto, da Comissão Política, e Américo Costa, do Comité Central. … o CNISDois dias antes, no dia 29, uma delegação do PCP que,...

Morreu Joaquim Casimiro

À beira de completar 60 anos, faleceu, segunda-feira, Joaquim Casimiro, lutador incansável, fundador e dirigente da CNA e militante comunista.