Fotografias
O jornal britânico The Guardian divulgou fotografias inéditas de prisioneiros de guerra à guarda das forças britânicas entre 1945 e 1947, na Alemanha ocupada pelos aliados, com um pormenor: todos apresentavam sinais evidentes de tortura e de maus tratos.
O Diário de Notícias confirma (e reproduz) as fotografias como sendo muito semelhantes a tantas outras vistas nos campos de concentração nazis, com novo pormenor: os autênticos «esqueletos vivos» retratados não eram ex-nazis presos mas, simplesmente, «presumíveis comunistas suspeitos de apoiarem a União Soviética», o aliado que, escassos meses antes, tinha sido determinante na derrota e esmagamento do nazi-fascismo.
«Aparentemente», escreve o jornalista do Guardian Ian Cobain, «o Gabinete de Guerra britânico acreditava que estava eminente um novo conflito com a União Soviética», razão que bastou para a detenção e tortura de centenas de pessoas simplesmente «suspeitas» de «simpatias comunistas», na tentativa de obter informações sobre a capacidade militar e os serviços secretos soviéticos (já agora, como se estes não tivessem ficado abundantemente expostos na retumbante contra-ofensiva soviética que arrasaria, por completo e perante os olhos dos britânicos, da Europa e do mundo, a temível máquina de guerra nazi).
Acrescenta o DN que, ao contactar o actual governo britânico de Tony Blair para comentar esta notícia, recebeu respostas vagas e um «jogo de empurra» entre os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, num pingue-pongue governamental remetendo para o outro as explicações que nenhum dava.
O que o leva a concluir que «apesar de volvidos 60 anos, não é difícil perceber as razões do embaraço. Muitas destas imagens mostram que, no período pós-Guerra e início da Guerra Fria, os métodos utilizados pelos britânicos com os prisioneiros não eram, afinal, muito diferentes dos campos de concentração nazis». E acrescenta: «É por isso que muitas fotografias pura e simplesmente desapareceram e as que restam foram objecto de aceso debate entre responsáveis ingleses, que tentaram escondê-las a todo o custo».
Como se vê, a crueza dos factos submerge de uma penada décadas de laboriosa manipulação.
Já ninguém se lembra, mas a famosa «Guerra Fria» foi uma invenção dos «aliados ocidentais» (ou seja, dos EUA e Grã-Bretanha) logo no dia a seguir ao esmagamento do III Reich hitleriano onde, à falta de um inimigo credível (era impossível diabolizar de imediato a União Soviética, que tinha acabado de libertar a Europa dando a machadada determinante na bestialidade nazi), se teceu uma implacável teia de insinuações, boatos e difamações declaradas sobre a o regime socialista «do outro lado».
A par disso, não se hesitou em torturar durante anos gente «suspeita» de simpatias comunistas, com violência e métodos que não se distinguiam dos utilizados pela monstruosidade nazi e tendo por objectivo um futuro conflito que este «mundo livre» preparava com afinco e sem quaisquer peias, como estas fotografias cruamente atestam.
Está aqui, de corpo inteiro, o carácter radicalmente criminoso do imperialismo onde, por baixo de uma frágil camada de prosápia democrática, pulsa, infrene, uma arrepiante ausência de princípios e uma total falta de escrúpulos.
Seja, há 60 anos, a torturar gente na invenção de uma «Guerra Fria», seja hoje a inventar «armas de destruição maciça» para dominar a ferro e fogo o petróleo do Iraque.
Com métodos nazis, sempre que preciso for.
O Diário de Notícias confirma (e reproduz) as fotografias como sendo muito semelhantes a tantas outras vistas nos campos de concentração nazis, com novo pormenor: os autênticos «esqueletos vivos» retratados não eram ex-nazis presos mas, simplesmente, «presumíveis comunistas suspeitos de apoiarem a União Soviética», o aliado que, escassos meses antes, tinha sido determinante na derrota e esmagamento do nazi-fascismo.
«Aparentemente», escreve o jornalista do Guardian Ian Cobain, «o Gabinete de Guerra britânico acreditava que estava eminente um novo conflito com a União Soviética», razão que bastou para a detenção e tortura de centenas de pessoas simplesmente «suspeitas» de «simpatias comunistas», na tentativa de obter informações sobre a capacidade militar e os serviços secretos soviéticos (já agora, como se estes não tivessem ficado abundantemente expostos na retumbante contra-ofensiva soviética que arrasaria, por completo e perante os olhos dos britânicos, da Europa e do mundo, a temível máquina de guerra nazi).
Acrescenta o DN que, ao contactar o actual governo britânico de Tony Blair para comentar esta notícia, recebeu respostas vagas e um «jogo de empurra» entre os ministérios da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, num pingue-pongue governamental remetendo para o outro as explicações que nenhum dava.
O que o leva a concluir que «apesar de volvidos 60 anos, não é difícil perceber as razões do embaraço. Muitas destas imagens mostram que, no período pós-Guerra e início da Guerra Fria, os métodos utilizados pelos britânicos com os prisioneiros não eram, afinal, muito diferentes dos campos de concentração nazis». E acrescenta: «É por isso que muitas fotografias pura e simplesmente desapareceram e as que restam foram objecto de aceso debate entre responsáveis ingleses, que tentaram escondê-las a todo o custo».
Como se vê, a crueza dos factos submerge de uma penada décadas de laboriosa manipulação.
Já ninguém se lembra, mas a famosa «Guerra Fria» foi uma invenção dos «aliados ocidentais» (ou seja, dos EUA e Grã-Bretanha) logo no dia a seguir ao esmagamento do III Reich hitleriano onde, à falta de um inimigo credível (era impossível diabolizar de imediato a União Soviética, que tinha acabado de libertar a Europa dando a machadada determinante na bestialidade nazi), se teceu uma implacável teia de insinuações, boatos e difamações declaradas sobre a o regime socialista «do outro lado».
A par disso, não se hesitou em torturar durante anos gente «suspeita» de simpatias comunistas, com violência e métodos que não se distinguiam dos utilizados pela monstruosidade nazi e tendo por objectivo um futuro conflito que este «mundo livre» preparava com afinco e sem quaisquer peias, como estas fotografias cruamente atestam.
Está aqui, de corpo inteiro, o carácter radicalmente criminoso do imperialismo onde, por baixo de uma frágil camada de prosápia democrática, pulsa, infrene, uma arrepiante ausência de princípios e uma total falta de escrúpulos.
Seja, há 60 anos, a torturar gente na invenção de uma «Guerra Fria», seja hoje a inventar «armas de destruição maciça» para dominar a ferro e fogo o petróleo do Iraque.
Com métodos nazis, sempre que preciso for.