OS TRABALHADORES EM LUTA!
O capital tem vindo a mostrar cada vez mais a sua verdadeira face desumana e opressora
Por toda a Europa alastram as lutas sociais. Não é só na França onde os média não puderam esconder o caudal de protestos e os milhões de manifestantes que têm desfilado em mais de centena e meia de cidades. Também na Alemanha, já há dois meses que dezenas de milhares de trabalhadores da função pública têm vindo a suspender a actividade para impedir o aumento do horário de trabalho. Na metalurgia iniciou-se uma onda de greves de aviso para exigir novos aumentos salariais. Na Grécia, a 15 de Março, a Confederação dos Trabalhadores (GSEE) e a União de Empregados Civis (ADEDY) convocaram uma greve geral de 24 horas contra a supressão das convenções colectivas à qual se associaram os jornalistas e que paralisou a generalidade dos serviços públicos.
No dia 28 de Março foi a vez da Grã bretanha. As escolas fecharam, os comboios e os barcos pararam, os caixotes do lixo ficaram por despejar devido à greve dos funcionários camarários. Mais de um milhão de trabalhadores cesssaram o trabalho em sinal de protesto contra o aumento da idade para usufruir do direito à reforma. Segundo o jornal francês «Les Echos» (29.3.06) desde 1926 que não se verificava neste sector uma luta de tão grande amplitude. Em Portugal milhares de jovens participaram recentemente na manifestação convocada pela Interjovem para exigir melhores salários, respeito pelos direitos laborais, formação profissional e segurança social universal. No sábado seguiram-se as manifestações de Lisboa e do Porto convocadas pela CGTP-Intersindical.
À semelhança de outros continentes, também na Europa capitalista os trabalhadores e os povos estão em luta contra uma política que agride directamente a dignidade humana, nega aos cidadãos o direito de viver do seu trabalho e visa destruir a ordem constitucional da maioria dos estados, que, como Portugal, se libertaram do fascismo, de regimes que configuravam a ditadura terrorista dos monopólios.
Ao ascenso das lutas sociais os detentores do poder respondem com a repressão. Na Alemanha está-se a desenterrar a prática fascizante das interdicções profissionais por motivos ideológicos. O anticomunismo de Estado já está a atingir todos os sectores da esquerda. Não são só os comunistas, mas também o ex-presidente da social-democracia, Lafontaine, e outros deputados que estão a ser observados e seguidos pelos serviços secretos por criticarem o enfeudamento do SPD ao grande capital e ao imperialismo. Sindicalistas em greve estão a ser despedidos como aconteceu ainda recentemente na Clínica Universitária da cidade de Duisburgo. Proibem-se as greves de solidariedade com o consentimento do SPD por serem consideradas «greves políticas». Em França é o neofascista Le Pen a exigir a aplicação do mesmo princípio às greves contra o «Contrato Primeiro Emprego» declarando-as «ilegais» por serem igualmente «greves políticas» (Le Monde, 30.03.06).
Ainda não há muito tempo, no início dos anos noventa, os propagandistas do capitalismo proclamavam uma nova época de abundância, de liberdade e de segurança, e glorificavam o sistema como o fim da história, o expoente máximo da democracia. Mas o capital tem vindo a mostrar cada vez mais a sua verdadeira face desumana e opressora. Desde a resistência contra o fascismo que a defesa dos direitos sociais e laborais não aparecia tão intimamente associada à luta pelas liberdades democráticas e pela soberania popular. A cassete neoliberal com que os trabalhadores são diariamente bombardeados pelos governantes e os média das oligarquias dos mercados em muitos casos já não produz os efeitos esperados. Se a soberania reside no povo como é que o capital detém tanto poder? Eis uma questão que ganha cada vez mais importância à medida que se intensificam as lutas dos trabalhadores e dos povos por toda a Europa. É uma questão central e decisiva para o futuro da democracia.
No dia 28 de Março foi a vez da Grã bretanha. As escolas fecharam, os comboios e os barcos pararam, os caixotes do lixo ficaram por despejar devido à greve dos funcionários camarários. Mais de um milhão de trabalhadores cesssaram o trabalho em sinal de protesto contra o aumento da idade para usufruir do direito à reforma. Segundo o jornal francês «Les Echos» (29.3.06) desde 1926 que não se verificava neste sector uma luta de tão grande amplitude. Em Portugal milhares de jovens participaram recentemente na manifestação convocada pela Interjovem para exigir melhores salários, respeito pelos direitos laborais, formação profissional e segurança social universal. No sábado seguiram-se as manifestações de Lisboa e do Porto convocadas pela CGTP-Intersindical.
À semelhança de outros continentes, também na Europa capitalista os trabalhadores e os povos estão em luta contra uma política que agride directamente a dignidade humana, nega aos cidadãos o direito de viver do seu trabalho e visa destruir a ordem constitucional da maioria dos estados, que, como Portugal, se libertaram do fascismo, de regimes que configuravam a ditadura terrorista dos monopólios.
Ao ascenso das lutas sociais os detentores do poder respondem com a repressão. Na Alemanha está-se a desenterrar a prática fascizante das interdicções profissionais por motivos ideológicos. O anticomunismo de Estado já está a atingir todos os sectores da esquerda. Não são só os comunistas, mas também o ex-presidente da social-democracia, Lafontaine, e outros deputados que estão a ser observados e seguidos pelos serviços secretos por criticarem o enfeudamento do SPD ao grande capital e ao imperialismo. Sindicalistas em greve estão a ser despedidos como aconteceu ainda recentemente na Clínica Universitária da cidade de Duisburgo. Proibem-se as greves de solidariedade com o consentimento do SPD por serem consideradas «greves políticas». Em França é o neofascista Le Pen a exigir a aplicação do mesmo princípio às greves contra o «Contrato Primeiro Emprego» declarando-as «ilegais» por serem igualmente «greves políticas» (Le Monde, 30.03.06).
Ainda não há muito tempo, no início dos anos noventa, os propagandistas do capitalismo proclamavam uma nova época de abundância, de liberdade e de segurança, e glorificavam o sistema como o fim da história, o expoente máximo da democracia. Mas o capital tem vindo a mostrar cada vez mais a sua verdadeira face desumana e opressora. Desde a resistência contra o fascismo que a defesa dos direitos sociais e laborais não aparecia tão intimamente associada à luta pelas liberdades democráticas e pela soberania popular. A cassete neoliberal com que os trabalhadores são diariamente bombardeados pelos governantes e os média das oligarquias dos mercados em muitos casos já não produz os efeitos esperados. Se a soberania reside no povo como é que o capital detém tanto poder? Eis uma questão que ganha cada vez mais importância à medida que se intensificam as lutas dos trabalhadores e dos povos por toda a Europa. É uma questão central e decisiva para o futuro da democracia.