Mais de três milhões nas ruas
O movimento social contra o contrato de primeiro emprego atingiu, na terça-feira, 28, um novo patamar histórico com participação de mais de três milhões de pessoas nas manifestações em toda a França e a realização de milhares de greves e paragens de trabalho nos sectores público e privado.
O contrato de primeiro emprego é recusado pela maioria dos franceses
Em Paris, na maior das 135 manifestações realizadas por todo o país, um mar de gente partiu da Praça de Itália, no sul da cidade, exigindo a retirada da lei (CPE) que sujeita os jovens a um período experimental de trabalho de dois anos, durante os quais podem ser despedidos sem justa causa.
A contestação à lei, elaborada e aprovada pelo governo de direita sem consulta aos sindicatos, ampliou-se nas últimas semanas, atingindo significativa expressão no passado dia 18, quando, segundo cálculos dos sindicatos e associações de estudantes, mais de um milhão e meio de franceses integraram os desfiles realizados nas principais cidades.
«Hoje somos mais de três milhões nas ruas, é um número histórico. É impensável que o governo permaneça fechado na sua posição», declarou, na passada terça-feira, o secretário-geral da CGT, Bernard Thibault, para quem «a única saída é a retirada desta reforma».
À semelhança da manifestação parisiense, que terá juntado para cima de 700 mil pessoas, em dezenas de outras cidades o número de manifestantes praticamente duplicou em relação à jornada de dia 18.
Pela manhã, perto de 250 mil pessoas manifestaram-se em Marselha; 100 mil em Bordéus; 15 mil em Estrasburgo; 60 mil em Grenoble; 35 mil em Limoges; 40 mil em Lyon; 60 mil em Nantes; 40 mil em Pau; 13 mil em Rennes; 40 mil em Rouen; 59 mil em Toulouse; 10 mil Tours, entre muitas outras cidades.
Milhares foram igualmente os pré-avisos de greve entregues tanto no sector público como no privado. Os efeitos das paralisações foram particularmente notados nos caminhos de ferro, nos transportes aéreos, bem como nos transportes públicos que foram seriamente afectados em mais de 70 cidades.
Outro sector praticamente paralisado foi a educação, onde estudantes e professores fizeram greve pela mesma causa. Função pública, correios, electricidade e gás, comunicações, bancos, metalurgia – a contestação ao CPE atingiu os próprios
jornais nacionais que estiveram ausentes nas bancas.
Revolta das escolas
Na segunda-feira, 27, a União dos Estudantes de França (UNEF) anunciava que 69 das 84 universidades estavam em greve. Por seu turno, no secundário, a federação Independente e Democrática dos Liceus (FIDL) dava conta do encerramento total ou parcial de cerca de um milhar de estabelecimentos num total de 4300 escolas.
Segundo o presidente da União Nacional dos Liceus, Karl Stoeckel, «os estudantes estão determinados, querem a retirada pura e simples do CPE e todas as organizações estão unidas sobre este ponto».
No sábado anterior, as três principais organizações estudantis tinham reafirmado essa total convergência de pontos de vista ao declinarem o convite do primeiro-ministro para um encontro negocial.
Governo dividido
Enquanto o combate prosseguia nas ruas, o primeiro-ministro francês, Dominique Villepin, acusava os sindicatos de recusarem a «mão estendida», aludindo ao encontro lhes propusera para ontem, quarta-feira, e que as cinco confederações rejeitaram em bloco.
Intervindo na assembleia Nacional, Villepin precisou que a sua «oferta» se resume a dois pontos: reduzir a duração do período de experiência, fixado na lei em dois anos, e introduzir a obrigatoriedade de uma entrevista entre empregador e trabalhador no momento da ruptura do contrato.
Com esta explicação, Villepin deixou claro que não pretende ceder nos aspectos mais polémicos da lei, designadamente, no despedimento sem justa causa.
Demarcando-se da inflexibilidade do chefe do governo, Nicolas Sarkozy, ministro do Interior e presidente da UMP (União para um Movimento Popular), partido da coligação governamental, avançou com a proposta de suspender a aplicação do CPE durante as negociações com os parceiros sociais.
Para os deputados da UMP, o governo deveria chegar a acordo com os sindicatos antes de o presidente Jaccques Chirac promulgar a lei, o que deverá acontecer no prazo de quinze dias.
Para ontem, a frente intersindical tinha marcada uma reunião para fazer o balanço da jornada de terça-feira e decidir novas acções e formas de luta. O conflito promete continuar a agudizar-se.
A contestação à lei, elaborada e aprovada pelo governo de direita sem consulta aos sindicatos, ampliou-se nas últimas semanas, atingindo significativa expressão no passado dia 18, quando, segundo cálculos dos sindicatos e associações de estudantes, mais de um milhão e meio de franceses integraram os desfiles realizados nas principais cidades.
«Hoje somos mais de três milhões nas ruas, é um número histórico. É impensável que o governo permaneça fechado na sua posição», declarou, na passada terça-feira, o secretário-geral da CGT, Bernard Thibault, para quem «a única saída é a retirada desta reforma».
À semelhança da manifestação parisiense, que terá juntado para cima de 700 mil pessoas, em dezenas de outras cidades o número de manifestantes praticamente duplicou em relação à jornada de dia 18.
Pela manhã, perto de 250 mil pessoas manifestaram-se em Marselha; 100 mil em Bordéus; 15 mil em Estrasburgo; 60 mil em Grenoble; 35 mil em Limoges; 40 mil em Lyon; 60 mil em Nantes; 40 mil em Pau; 13 mil em Rennes; 40 mil em Rouen; 59 mil em Toulouse; 10 mil Tours, entre muitas outras cidades.
Milhares foram igualmente os pré-avisos de greve entregues tanto no sector público como no privado. Os efeitos das paralisações foram particularmente notados nos caminhos de ferro, nos transportes aéreos, bem como nos transportes públicos que foram seriamente afectados em mais de 70 cidades.
Outro sector praticamente paralisado foi a educação, onde estudantes e professores fizeram greve pela mesma causa. Função pública, correios, electricidade e gás, comunicações, bancos, metalurgia – a contestação ao CPE atingiu os próprios
jornais nacionais que estiveram ausentes nas bancas.
Revolta das escolas
Na segunda-feira, 27, a União dos Estudantes de França (UNEF) anunciava que 69 das 84 universidades estavam em greve. Por seu turno, no secundário, a federação Independente e Democrática dos Liceus (FIDL) dava conta do encerramento total ou parcial de cerca de um milhar de estabelecimentos num total de 4300 escolas.
Segundo o presidente da União Nacional dos Liceus, Karl Stoeckel, «os estudantes estão determinados, querem a retirada pura e simples do CPE e todas as organizações estão unidas sobre este ponto».
No sábado anterior, as três principais organizações estudantis tinham reafirmado essa total convergência de pontos de vista ao declinarem o convite do primeiro-ministro para um encontro negocial.
Governo dividido
Enquanto o combate prosseguia nas ruas, o primeiro-ministro francês, Dominique Villepin, acusava os sindicatos de recusarem a «mão estendida», aludindo ao encontro lhes propusera para ontem, quarta-feira, e que as cinco confederações rejeitaram em bloco.
Intervindo na assembleia Nacional, Villepin precisou que a sua «oferta» se resume a dois pontos: reduzir a duração do período de experiência, fixado na lei em dois anos, e introduzir a obrigatoriedade de uma entrevista entre empregador e trabalhador no momento da ruptura do contrato.
Com esta explicação, Villepin deixou claro que não pretende ceder nos aspectos mais polémicos da lei, designadamente, no despedimento sem justa causa.
Demarcando-se da inflexibilidade do chefe do governo, Nicolas Sarkozy, ministro do Interior e presidente da UMP (União para um Movimento Popular), partido da coligação governamental, avançou com a proposta de suspender a aplicação do CPE durante as negociações com os parceiros sociais.
Para os deputados da UMP, o governo deveria chegar a acordo com os sindicatos antes de o presidente Jaccques Chirac promulgar a lei, o que deverá acontecer no prazo de quinze dias.
Para ontem, a frente intersindical tinha marcada uma reunião para fazer o balanço da jornada de terça-feira e decidir novas acções e formas de luta. O conflito promete continuar a agudizar-se.