O argumento supremo
Insistem os representantes das forças do mal em falar de torturas praticadas nas prisões dos vários países onde o governo dos EUA procede à sementeira do seu conceito de democracia, liberdade e direitos humanos.
Está visto que não ouviram a secretária Condolezza Rice que, ainda não há muito tempo, veio à Europa com a missão de pôr tudo em pratos limpos nessa matéria. Como estamos lembrados, a excelentíssima senhora, pondo um ar sereno, como se tivesse acabado de sair da prisão-modelo de Al-Gharib, explicou aos governante europeus que não senhor, que essa coisa das torturas não passava de uma tremendíssima falsidade. Isto ouvindo, os governantes europeus – tudo gente boa, tudo gente crédula - ficaram meio convencidos. Entendeu a senhora que deveria convencê-los por inteiro e jogou um trunfo forte: pondo aquele ar cândido de democrata filha da pátria da democracia, da liberdade e dos direitos humanos, Rice - doce, doce, como se tivesse acabado de sair do modelar campo da morte lenta de Guantánamo – ensinou que nos EUA as práticas de tortura são proibidas por lei, o que prova, sem margem para dúvidas, que as notícias das torturas são falsas. Os governantes europeus, positivamente colados ao terreno, de bocas abertas de espanto, auto-recriminando-se por não terem pensado antes numa coisa tão evidente, acenaram as cabeças, confessaram-se totalmente convencidos e pediram desculpas pela suprema ignorância de que haviam dado provas ignorando a existência, nos EUA, da celebérrima lei proibitiva da prática de torturas. A boa senhora, compreensiva, magnânima, desculpou-os – não sem antes os pôr ao corrente de todas as humaníssimas leis existentes no seu país, proibindo tudo quanto é mau e permitindo tudo quanto é bom. Os governantes europeus, atentos, veneradores e obrigados, juraram nunca mais duvidar e a senhora foi à sua vida, com a satisfação do dever cumprido.
Entretanto, proibidas por lei made in USA, as torturas às ordens dos EUA não continuam. Em lado nenhum: nem em Al-Gharib, nem em Guantánamo, nem em sabe-se lá quantos países por esse mundo fora, União Europeia incluída.
E se dúvidas houver, Rice voltará à Europa. E fará uso do argumento supremo: como é possível alguém acreditar que os EUA – que, em defesa dos sagrados direitos humanos, bombardeiam países e matam centenas de milhares de pessoas - seriam capazes de cometer a horrorosa crueldade de torturar prisioneiros?
Está visto que não ouviram a secretária Condolezza Rice que, ainda não há muito tempo, veio à Europa com a missão de pôr tudo em pratos limpos nessa matéria. Como estamos lembrados, a excelentíssima senhora, pondo um ar sereno, como se tivesse acabado de sair da prisão-modelo de Al-Gharib, explicou aos governante europeus que não senhor, que essa coisa das torturas não passava de uma tremendíssima falsidade. Isto ouvindo, os governantes europeus – tudo gente boa, tudo gente crédula - ficaram meio convencidos. Entendeu a senhora que deveria convencê-los por inteiro e jogou um trunfo forte: pondo aquele ar cândido de democrata filha da pátria da democracia, da liberdade e dos direitos humanos, Rice - doce, doce, como se tivesse acabado de sair do modelar campo da morte lenta de Guantánamo – ensinou que nos EUA as práticas de tortura são proibidas por lei, o que prova, sem margem para dúvidas, que as notícias das torturas são falsas. Os governantes europeus, positivamente colados ao terreno, de bocas abertas de espanto, auto-recriminando-se por não terem pensado antes numa coisa tão evidente, acenaram as cabeças, confessaram-se totalmente convencidos e pediram desculpas pela suprema ignorância de que haviam dado provas ignorando a existência, nos EUA, da celebérrima lei proibitiva da prática de torturas. A boa senhora, compreensiva, magnânima, desculpou-os – não sem antes os pôr ao corrente de todas as humaníssimas leis existentes no seu país, proibindo tudo quanto é mau e permitindo tudo quanto é bom. Os governantes europeus, atentos, veneradores e obrigados, juraram nunca mais duvidar e a senhora foi à sua vida, com a satisfação do dever cumprido.
Entretanto, proibidas por lei made in USA, as torturas às ordens dos EUA não continuam. Em lado nenhum: nem em Al-Gharib, nem em Guantánamo, nem em sabe-se lá quantos países por esse mundo fora, União Europeia incluída.
E se dúvidas houver, Rice voltará à Europa. E fará uso do argumento supremo: como é possível alguém acreditar que os EUA – que, em defesa dos sagrados direitos humanos, bombardeiam países e matam centenas de milhares de pessoas - seriam capazes de cometer a horrorosa crueldade de torturar prisioneiros?