«Vergonha!»
O Conselho da Europa prepara-se para aprovar um documento no qual condena os supostos «crimes» do comunismo e algumas das mais importantes experiências e conquistas da humanidade.
Por proposta do relator da comissão das questões políticas do Conselho da Europa, o sueco Göran Lindblad, o organismo prepara-se para aprovar, na reunião que decorre entre os dias 23 e 27 de Janeiro, um documento que tem como objectivo criminalizar os comunistas, a sua ideologia e as conquistas e experiências alcançadas durante o século XX.
Em resposta a esta provocação, com data agendada para o próximo dia 25 de Janeiro, Mikis Theodorakis considerou que tal atitude revela uma despudorado anticomunismo militante.
Abaixo traduzimos o artigo que o compositor grego publicou no seu sítio da Internet, em http://en.mikis-theodorakis.net .
«O Conselho da Europa decidiu alterar a história. Pretende deformá-la confundindo os agressores com as vítimas, os criminosos com os heróis, os conquistadores com os libertadores, os nazis com os comunistas. Considera que os maiores inimigos do nazismo, isto é, os comunistas, são criminosos. Iguala-os, inquieta-se e protesta porque, dizem, ao passo que os hitlerianos foram condenados pela comunidade internacional, tal não se passou com os comunistas, pelo que propõem que esta condenação seja aprovada na sessão plenária da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, que decorre entre os próximos dias 23 e 27 de Janeiro.
O que inquieta o Conselho da Europa é que “a consciência pública contra os crimes cometidos pelos regimes comunistas é muito débil”, e que “os partidos comunistas são legais e activos em alguns países sem que, em certos casos, se tenham distanciado desses crimes”.
Por outras palavras, o Conselho da Europa antecipa-se anunciando a perseguição futura dos comunistas europeus que não fizeram nenhuma declaração de arrependimento como a que exigiram, no seu tempo, os carrascos da Gestapo e os torturadores de Makronisos.
Quem sabe se amanhã não decidirão ilegalizar os partidos comunistas e entreabrir a porta para que regressem os fantasmas de Hitler e Himmler, os quais, como se sabe, começaram as respectivas carreiras proibindo os partidos comunistas e encerrando os seus militantes e activistas em campos de morte.
Estes nazis afogaram-se no sangue das suas próprias vítimas, os 20 milhões de mortos da União Soviética e as centenas de milhar de comunistas que deram a vida encabeçando movimentos de resistência nacional, tanto na Grécia como noutros países da Europa.
Mesmo nos seus desejos de restaurar métodos condenados pela consciência histórica dos povos, as “excelências” do Conselho da Europa chegam tarde, uma vez que foram precedidos pelo “grande irmão”, os EUA, que massacram populações inteiras com os seus métodos hitlerianos, como no Iraque, país que reduziram à ruína, atulhando-o de prisões onde se torturam de maneira abominável milhares de inocentes.
Perante este crime contra a humanidade – como em face do campo hitleriano de tortura moderna, em Guantanamo – o Conselho da Europa nada tem a dizer. Assim, como é possível acreditar que se preocupam com os Direitos do Homem quando, em sua própria casa, a Europa, pactuam com o trânsito de aviões da CIA que transportam pessoas privadas de qualquer direito para serem torturadas em cárceres especiais?
Estes “cidadãos” não podem ser acusadores. A justiça histórica tratará de os julgar e condenar pelos inúmeros crimes do seu “grande irmão”, por terem sido cúmplices e tolerantes perante crimes como os que ocorreram no Vietname, no Chile ou no Iraque.
Desgraçadamente, sou hoje obrigado a falar mais nos mortos que nos vivos. Em nome dos meus camaradas, dos comunistas mortos, dos que passaram pela Gestapo, pelos campos da morte e de execução lutando sempre pela liberdade contra o nazismo, outra palavra não me ocorre dizer a tais “excelências” do Conselho da Europa senão: Vergonha!».
Em resposta a esta provocação, com data agendada para o próximo dia 25 de Janeiro, Mikis Theodorakis considerou que tal atitude revela uma despudorado anticomunismo militante.
Abaixo traduzimos o artigo que o compositor grego publicou no seu sítio da Internet, em http://en.mikis-theodorakis.net .
«O Conselho da Europa decidiu alterar a história. Pretende deformá-la confundindo os agressores com as vítimas, os criminosos com os heróis, os conquistadores com os libertadores, os nazis com os comunistas. Considera que os maiores inimigos do nazismo, isto é, os comunistas, são criminosos. Iguala-os, inquieta-se e protesta porque, dizem, ao passo que os hitlerianos foram condenados pela comunidade internacional, tal não se passou com os comunistas, pelo que propõem que esta condenação seja aprovada na sessão plenária da assembleia parlamentar do Conselho da Europa, que decorre entre os próximos dias 23 e 27 de Janeiro.
O que inquieta o Conselho da Europa é que “a consciência pública contra os crimes cometidos pelos regimes comunistas é muito débil”, e que “os partidos comunistas são legais e activos em alguns países sem que, em certos casos, se tenham distanciado desses crimes”.
Por outras palavras, o Conselho da Europa antecipa-se anunciando a perseguição futura dos comunistas europeus que não fizeram nenhuma declaração de arrependimento como a que exigiram, no seu tempo, os carrascos da Gestapo e os torturadores de Makronisos.
Quem sabe se amanhã não decidirão ilegalizar os partidos comunistas e entreabrir a porta para que regressem os fantasmas de Hitler e Himmler, os quais, como se sabe, começaram as respectivas carreiras proibindo os partidos comunistas e encerrando os seus militantes e activistas em campos de morte.
Estes nazis afogaram-se no sangue das suas próprias vítimas, os 20 milhões de mortos da União Soviética e as centenas de milhar de comunistas que deram a vida encabeçando movimentos de resistência nacional, tanto na Grécia como noutros países da Europa.
Mesmo nos seus desejos de restaurar métodos condenados pela consciência histórica dos povos, as “excelências” do Conselho da Europa chegam tarde, uma vez que foram precedidos pelo “grande irmão”, os EUA, que massacram populações inteiras com os seus métodos hitlerianos, como no Iraque, país que reduziram à ruína, atulhando-o de prisões onde se torturam de maneira abominável milhares de inocentes.
Perante este crime contra a humanidade – como em face do campo hitleriano de tortura moderna, em Guantanamo – o Conselho da Europa nada tem a dizer. Assim, como é possível acreditar que se preocupam com os Direitos do Homem quando, em sua própria casa, a Europa, pactuam com o trânsito de aviões da CIA que transportam pessoas privadas de qualquer direito para serem torturadas em cárceres especiais?
Estes “cidadãos” não podem ser acusadores. A justiça histórica tratará de os julgar e condenar pelos inúmeros crimes do seu “grande irmão”, por terem sido cúmplices e tolerantes perante crimes como os que ocorreram no Vietname, no Chile ou no Iraque.
Desgraçadamente, sou hoje obrigado a falar mais nos mortos que nos vivos. Em nome dos meus camaradas, dos comunistas mortos, dos que passaram pela Gestapo, pelos campos da morte e de execução lutando sempre pela liberdade contra o nazismo, outra palavra não me ocorre dizer a tais “excelências” do Conselho da Europa senão: Vergonha!».