Direita derrotada no Chile
Michelle Bachelet venceu, domingo, as eleições presidências no Chile. Os comunistas apelaram ao voto na candidata, mas exigem o cumprimento das mudanças democráticas.
«O povo e os comunistas vão estar atentos e mobilizados para fazer oposição»
«Com a força do vosso apoio, assumo a responsabilidade e trabalharei incansavelmente pela nossa nação», foram as primeiras palavras de Michell Bachelet perante uma multidão de milhares de pessoas que se juntaram frente a um hotel na capital, Santiago do Chile, para saudar o triunfo sobre Sebastián Piñera.
A candidata, apoiada por diversos partidos e organizações políticas e sociais do centro e da esquerda nesta segunda volta, entre os quais o Partido Comunista do Chile (PCC), obteve mais de três milhões e seiscentos mil votos, 53,51 por cento, ao passo que o empresário apoiado pela direita pouco ultrapassou os três milhões cento e cinquenta mil votos, ou seja, 46,48 por cento do total.
No discurso da vitória, Bachelet recordou o muito que há para fazer em áreas como a educação, a saúde, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, entre gente da cidade e do campo, sublinhando que todos serão necessários e que, por isso, conta com cada um dos chilenos para construir um país melhor.
Não obstante as declarações, a desigualdade social crescente, o desemprego, as pensões de miséria e os direitos dos povos indígenas foram temas abordados com pouca profundidade durante a campanha.
PCC atento às promessas
Não tendo a plataforma eleitoral Juntos Podemos Más, e o candidato Tomás Hirch, garantido um número suficiente de votos para passar à segunda volta, o PCC decidiu apelar ao voto em Bachelet com o objectivo de derrotar um candidato que «representa as formulações de Pinochet», afirmou o secretário-geral comunista, no final da semana passada.
Lautaro Carmona esclareceu ainda que duas outras questões pesaram na decisão do PCC. Por um lado, a escassa margem de diferença entre os dois concorrentes e a importância dos votos comunistas para a vitória de Bachelet, e, por outro, o acolhimento por parte da candidata de uma mão cheia de exigências apresentadas pelos comunistas.
O PCC pretende que sejam tomadas como prioridades de acção a reforma do sistema eleitoral e a sua substituição por um método verdadeiramente representativo da vontade popular; a defesa dos direitos de negociação colectiva, organização e protesto dos trabalhadores; o combate ao desemprego; a defesa do meio ambiente e o fim da discriminação que recai sobre os povos indígenas.
Apesar das cinco condições terem sido aceites pela candidatura de Bachelet com a promessa de virem a ser cumpridas, Carmona não deixou de avisar que o povo e os comunistas vão estar atentos e mobilizados para fazer a oposição necessária.
Entretanto, reagindo ao resultado alcançado e à consequente derrota de Piñera, o presidente do PCC, Guillermo Tellier, reiterou o apelo para que «todos chilenos, todos os companheiros da Junto Podemos, se juntem nesta grande convergência com o objectivo de forçar a execução das cinco medidas programáticas», até porque, acrescentou, «Bachelet não pode esquecer os compromissos assumidos perante o país, perante os activistas sindicais».
Ao lado dos trabalhadores
A dar corpo prático às exigências em matéria de direitos dos trabalhadores, o PCC solidarizou-se com a luta dos mineiros da Corporação Nacional de Cobre, os quais se encontram, desde o passado mês de Dezembro, em greve contra a precariedade laboral e a discriminação salarial.
Na última semana de campanha, alguns dos trabalhadores da empresa barricaram-se numa igreja em greve de fome por forma a chamarem a atenção para uma luta que envolve cerca de 28 mil profissionais.
Os mineiros protestam contra o regime de subcontratação em que se encontram e lembram que no país existem muitas centenas de milhares de trabalhadores nas mesmas condições em sectores como as telecomunicações ou a banca.
Antes do domingo de votos, os comunistas lembraram que é imprescindível alterar o actual quadro de irregularidade onde os baixos salários e a repressão antisindical coabitam com o sistemático espezinhamento dos direitos conquistados.
A candidata, apoiada por diversos partidos e organizações políticas e sociais do centro e da esquerda nesta segunda volta, entre os quais o Partido Comunista do Chile (PCC), obteve mais de três milhões e seiscentos mil votos, 53,51 por cento, ao passo que o empresário apoiado pela direita pouco ultrapassou os três milhões cento e cinquenta mil votos, ou seja, 46,48 por cento do total.
No discurso da vitória, Bachelet recordou o muito que há para fazer em áreas como a educação, a saúde, a igualdade de direitos entre homens e mulheres, entre gente da cidade e do campo, sublinhando que todos serão necessários e que, por isso, conta com cada um dos chilenos para construir um país melhor.
Não obstante as declarações, a desigualdade social crescente, o desemprego, as pensões de miséria e os direitos dos povos indígenas foram temas abordados com pouca profundidade durante a campanha.
PCC atento às promessas
Não tendo a plataforma eleitoral Juntos Podemos Más, e o candidato Tomás Hirch, garantido um número suficiente de votos para passar à segunda volta, o PCC decidiu apelar ao voto em Bachelet com o objectivo de derrotar um candidato que «representa as formulações de Pinochet», afirmou o secretário-geral comunista, no final da semana passada.
Lautaro Carmona esclareceu ainda que duas outras questões pesaram na decisão do PCC. Por um lado, a escassa margem de diferença entre os dois concorrentes e a importância dos votos comunistas para a vitória de Bachelet, e, por outro, o acolhimento por parte da candidata de uma mão cheia de exigências apresentadas pelos comunistas.
O PCC pretende que sejam tomadas como prioridades de acção a reforma do sistema eleitoral e a sua substituição por um método verdadeiramente representativo da vontade popular; a defesa dos direitos de negociação colectiva, organização e protesto dos trabalhadores; o combate ao desemprego; a defesa do meio ambiente e o fim da discriminação que recai sobre os povos indígenas.
Apesar das cinco condições terem sido aceites pela candidatura de Bachelet com a promessa de virem a ser cumpridas, Carmona não deixou de avisar que o povo e os comunistas vão estar atentos e mobilizados para fazer a oposição necessária.
Entretanto, reagindo ao resultado alcançado e à consequente derrota de Piñera, o presidente do PCC, Guillermo Tellier, reiterou o apelo para que «todos chilenos, todos os companheiros da Junto Podemos, se juntem nesta grande convergência com o objectivo de forçar a execução das cinco medidas programáticas», até porque, acrescentou, «Bachelet não pode esquecer os compromissos assumidos perante o país, perante os activistas sindicais».
Ao lado dos trabalhadores
A dar corpo prático às exigências em matéria de direitos dos trabalhadores, o PCC solidarizou-se com a luta dos mineiros da Corporação Nacional de Cobre, os quais se encontram, desde o passado mês de Dezembro, em greve contra a precariedade laboral e a discriminação salarial.
Na última semana de campanha, alguns dos trabalhadores da empresa barricaram-se numa igreja em greve de fome por forma a chamarem a atenção para uma luta que envolve cerca de 28 mil profissionais.
Os mineiros protestam contra o regime de subcontratação em que se encontram e lembram que no país existem muitas centenas de milhares de trabalhadores nas mesmas condições em sectores como as telecomunicações ou a banca.
Antes do domingo de votos, os comunistas lembraram que é imprescindível alterar o actual quadro de irregularidade onde os baixos salários e a repressão antisindical coabitam com o sistemático espezinhamento dos direitos conquistados.