Votos de unidade para 2006
Saudando todos os colombianos pela entrada em 2006, as FARC apelam à unidade popular para que o novo ano traga a paz e a justiça social ao país.
As eleições deste ano são uma oportunidade a não perder
Em comunicado divulgado nos primeiros dias de Janeiro, o Secretariado do Estado Maior Central das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia analisou a actual situação social e política e indicou como principal tarefa para o ano de 2006 a derrota eleitoral do ainda presidente da república, Álvaro Uribe.
Para as FARC, pesem os esforços do governo em esconder os sinais de crise no país, «a fractura social colombiana é mais profunda» permanecendo por solucionar problemas como a elevada taxa de desemprego, a perda da soberania nacional em prol dos interesses dos grandes oligarcas e multinacionais, a insegurança crescente e a impunidade do Estado, dos paramilitares e narcotraficantes pelos crimes praticados contra o povo.
No documento, o Exército Popular acusa este e os anteriores executivos de seguirem «estratégias sustentadas sobre o pressuposto de garantir os mais elevados lucros ao capital financeiro nacional e internacional, a grandes proprietários e latifundiários à custa do bem-estar da maioria dos colombianos», situação de que resulta uma das mais fortes e intransponíveis barreiras à construção da paz, a ausência de justiça social e de democracia.
Álvaro Uribe e a oligarquia que o sustenta no poder são, para os comunistas colombianos, os principais culpados pelo aumento dos combates armados, uma vez que, sublinham ainda, «oscilam entre a pax romana, produto da guerra total, e a paz dialogada, produto de uma mesa de rendição incondicional dos revolucionários, sem tocar nos seus privilégios, nem nas causas estruturais económicas, sociais e políticas geradoras do conflito».
Neste contexto, o Secretariado das FARC considera que já é tempo de travar a «violenta estratégia neoliberal». As eleições deste ano são uma oportunidade a não perder para «buscar a alvorada da reconciliação e da reconstrução nacional», afirmam, por isso, concluem, «nossos votos são pela unidade de todas as forças que se opõem à reeleição e à estratégia de guerra total que esta implica, são por uma saída política para o conflito social e armado, no entendimento de que a paz só se constrói baseada na justiça social, em sólidos princípios de soberania, em costumes transparentes e no respeito integral dos direitos humanos por parte do Estado».
Paramilitares manchados de sangue
Entretanto, um dos grupos paramilitares que operam na Colômbia a favor do governo e do narcotráfico perpetrou mais um massacre. Três camponeses perderam a vida a semana passada quando os paramilitares entraram na localidade de Matabambú. Testemunhas revelaram que apesar das queixas, nem a polícia nem o exército intervieram a tempo de evitar o desaparecimento das vítimas.
O grupo armado avança agora para a localidade de Puerto Toledo. Os populares esperam que as autoridades e as comissões de paz e dos direitos humanos impeçam nova chacina, mas as respostas tardam em garantir a segurança dos habitantes.
Os ataques e as execuções sumárias levadas a cabo pelo governo e os paramilitares contra comunidades inteiras ou líderes populares são correntes na Colômbia.
Dados estatísticos recolhidos recentemente pela Central Única de Trabalhadores da Colômbia mostram que, entre 1991 e 2005, foram cometidos quase oito mil violações contra os direitos dos trabalhadores sindicalizados.
Os números revelam ainda que, no mesmo período, foram assassinados 2150 sindicalistas, mais de três mil foram ameaçados de morte e cerca de 180 encontram-se desaparecidos.
Em quase 70 por cento dos casos registados os autores não foram descobertos nem levados perante a justiça, facto que indica o clima de total impunidade ante a perseguição e repressão das forças progressistas na Colômbia.
Para as FARC, pesem os esforços do governo em esconder os sinais de crise no país, «a fractura social colombiana é mais profunda» permanecendo por solucionar problemas como a elevada taxa de desemprego, a perda da soberania nacional em prol dos interesses dos grandes oligarcas e multinacionais, a insegurança crescente e a impunidade do Estado, dos paramilitares e narcotraficantes pelos crimes praticados contra o povo.
No documento, o Exército Popular acusa este e os anteriores executivos de seguirem «estratégias sustentadas sobre o pressuposto de garantir os mais elevados lucros ao capital financeiro nacional e internacional, a grandes proprietários e latifundiários à custa do bem-estar da maioria dos colombianos», situação de que resulta uma das mais fortes e intransponíveis barreiras à construção da paz, a ausência de justiça social e de democracia.
Álvaro Uribe e a oligarquia que o sustenta no poder são, para os comunistas colombianos, os principais culpados pelo aumento dos combates armados, uma vez que, sublinham ainda, «oscilam entre a pax romana, produto da guerra total, e a paz dialogada, produto de uma mesa de rendição incondicional dos revolucionários, sem tocar nos seus privilégios, nem nas causas estruturais económicas, sociais e políticas geradoras do conflito».
Neste contexto, o Secretariado das FARC considera que já é tempo de travar a «violenta estratégia neoliberal». As eleições deste ano são uma oportunidade a não perder para «buscar a alvorada da reconciliação e da reconstrução nacional», afirmam, por isso, concluem, «nossos votos são pela unidade de todas as forças que se opõem à reeleição e à estratégia de guerra total que esta implica, são por uma saída política para o conflito social e armado, no entendimento de que a paz só se constrói baseada na justiça social, em sólidos princípios de soberania, em costumes transparentes e no respeito integral dos direitos humanos por parte do Estado».
Paramilitares manchados de sangue
Entretanto, um dos grupos paramilitares que operam na Colômbia a favor do governo e do narcotráfico perpetrou mais um massacre. Três camponeses perderam a vida a semana passada quando os paramilitares entraram na localidade de Matabambú. Testemunhas revelaram que apesar das queixas, nem a polícia nem o exército intervieram a tempo de evitar o desaparecimento das vítimas.
O grupo armado avança agora para a localidade de Puerto Toledo. Os populares esperam que as autoridades e as comissões de paz e dos direitos humanos impeçam nova chacina, mas as respostas tardam em garantir a segurança dos habitantes.
Os ataques e as execuções sumárias levadas a cabo pelo governo e os paramilitares contra comunidades inteiras ou líderes populares são correntes na Colômbia.
Dados estatísticos recolhidos recentemente pela Central Única de Trabalhadores da Colômbia mostram que, entre 1991 e 2005, foram cometidos quase oito mil violações contra os direitos dos trabalhadores sindicalizados.
Os números revelam ainda que, no mesmo período, foram assassinados 2150 sindicalistas, mais de três mil foram ameaçados de morte e cerca de 180 encontram-se desaparecidos.
Em quase 70 por cento dos casos registados os autores não foram descobertos nem levados perante a justiça, facto que indica o clima de total impunidade ante a perseguição e repressão das forças progressistas na Colômbia.