Pobre modernidade
É da tradição social e cultural portuguesa – como o Eça assinalou muitas vezes na sátira dos seus textos, a que ele próprio não terá escapado – elogiar tudo o que vai lá por fora ou que de lá de fora vem para cá. E, de modo aparentemente contraditório, sempre que os portugueses obtém algum avanço sobre os outros, a gabarolice nunca mais pára, seja ela uma vitória dos «magriços» na velha Inglaterra, seja uma outra num campo menos armado e mais verde, onde em vez de espadeirada, se dê pontapés na bola. Um satélite levou para o espaço um aparelhómetro do tamanho de um dedal? Eia, que os portugueses são os maiores! Os portugueses vão à frente no uso dos telemóveis? Ena, que o choque tecnológico antes de ser já o era!
Mas onde é que fica a realidade, tantas vezes escondida nos oásis cavaquistas, hoje transformados em califórnias de trazer por casa? Os mesmos bruxos que anunciavam Portugal no pelotão da frente, a doze, já se contentam hoje com o sair da cauda da Europa, a vinte e cinco...
Sempre dispostos a anunciar o fim da crise, há dias os jornais não se cansavam de anunciar os 320 milhões de SMS com votos de boas-festas, enviados pelos portugueses uns aos outros, demonstrando talvez um desesperado anseio de o próximo ano venha a ser melhor do que este que ora acaba. No mesmo dia, os media anunciavam que os nossos concidadãos levantaram, num só dia, 115 milhões de euros no multibanco. E logo apareceram economistas a sublinhar o «bom sinal» que tal operação constituiria para a economia portuguesa.
No dia seguinte, moderada a euforia natalícia, um retrato mais sombrio foi tirado ao País. Estamos mais velhos e mais pobres. Como assim?
Claro que tinha de haver comparações. E que melhor comparação senão com aquela que podemos cotejar com os nossos vizinhos espanhóis? Lá sae vai por água abaixo o espírito de Aljubarrota, ao verificar-se que os parceiros peninsulares trabalham menos mas são mais ricos, E, quando se explica que o motivo de tal diferença reside na maior produtividade e qualificação, não se percebe como é que os distintos políticos e economistas do costume insistem na receita dos baixos salários, dos horários prolongados e no aumento da idade da reforma.
Por outro lado, podem os cidadãos estar descansados. Ganhamos aos espanhóis no uso dos telemóveis e nas ligações à Internet.
Isto é que é modernidade.
Mas onde é que fica a realidade, tantas vezes escondida nos oásis cavaquistas, hoje transformados em califórnias de trazer por casa? Os mesmos bruxos que anunciavam Portugal no pelotão da frente, a doze, já se contentam hoje com o sair da cauda da Europa, a vinte e cinco...
Sempre dispostos a anunciar o fim da crise, há dias os jornais não se cansavam de anunciar os 320 milhões de SMS com votos de boas-festas, enviados pelos portugueses uns aos outros, demonstrando talvez um desesperado anseio de o próximo ano venha a ser melhor do que este que ora acaba. No mesmo dia, os media anunciavam que os nossos concidadãos levantaram, num só dia, 115 milhões de euros no multibanco. E logo apareceram economistas a sublinhar o «bom sinal» que tal operação constituiria para a economia portuguesa.
No dia seguinte, moderada a euforia natalícia, um retrato mais sombrio foi tirado ao País. Estamos mais velhos e mais pobres. Como assim?
Claro que tinha de haver comparações. E que melhor comparação senão com aquela que podemos cotejar com os nossos vizinhos espanhóis? Lá sae vai por água abaixo o espírito de Aljubarrota, ao verificar-se que os parceiros peninsulares trabalham menos mas são mais ricos, E, quando se explica que o motivo de tal diferença reside na maior produtividade e qualificação, não se percebe como é que os distintos políticos e economistas do costume insistem na receita dos baixos salários, dos horários prolongados e no aumento da idade da reforma.
Por outro lado, podem os cidadãos estar descansados. Ganhamos aos espanhóis no uso dos telemóveis e nas ligações à Internet.
Isto é que é modernidade.