ATOARDAS
Ribeiro e Castro não é ignorante, nem tolo. É apenas reaccionário
Um disparate nunca vem só. E o dirigente do CDS-PP, Ribeiro e Castro, voltou à carga. Primeiro, afirmou que «o Século XX foi dominado pelo socialismo e muitos dos males actuais do mundo e da nossa sociedade são a pesada factura desses tempos; o último dos filhos desse tempo é o terrorismo(» (Lusa, 18.12.05). Depois acrescentou que «o terrorismo contemporâneo tem origem numa deriva totalitária do pensamento marxista-leninista» e que Che Guevara foi «um dos grandes assassinos do final do Século XX» (Diário de Notícias, 22.12.05).
O delírio é grande, e o espaço desta coluna curto. A oposição frontal ao terrorismo pelo PCP é, desde a sua fundação, indiscutível. O mesmo não se pode dizer do Partido de Ribeiro e Castro, como se viu nomeadamente no verão quente de 75. Deixemos a «fontes insuspeitas» os esclarecimentos sobre «a origem do terrorismo contemporâneo»: «O conceito de jihad, ou guerra santa, quase que tinha deixado de existir no mundo muçulmano após o Século X, até que foi reavivado, com o apoio da América, para alimentar um movimento pan-islâmico internacional contra a invasão soviética do Afeganistão, em 1979. Nos dez anos seguintes, a CIA e os serviços secretos sauditas canalizaram milhares de milhões de dólares em armas e munições [...] aos muitos grupos mujahedines que combatiam no Afeganistão» (The Economist, 15.9.01). Uma das «tácticas favoritas» desses grupos mujahedines consistia em «torturar as vítimas [...] começando por lhes cortar o nariz, as orelhas e os genitais e depois removendo, uma após outra, sucessivas camadas de pele» (Washington Post, 11.5.79, citado no livro Killing Hope the William Blum). Como todos os «democratas ocidentais», o CDS estava do lado do terrorismo contemporâneo dos grandes criminosos do final do Século XX.
O Afeganistão não foi caso isolado. Em Itália nos anos 60 e 70, em África e na América Central nos anos 80, na Jugoslávia nos anos 90 (entre outros) o terrorismo financiado e armado pelo imperialismo foi uma das principais armas de subversão e de combate contra o socialismo e os povos. É eloquente o apoio do CDS ao terrorista Jonas Savimbi: ainda o mês passado manifestou «o seu protesto e indignação» pelas declarações de Cravinho [...] ao Jornal Expresso, em que descreve Jonas Savimbi, líder histórico da [...] UNITA como «um monstro» e um «Hitler africano» (notícia Lusa, no site do CDS-PP na Internet, 10.11.05). O que acharão deste protesto os familiares das milhares de vítimas de Savimbi – incluíndo as dos massacres terroristas no Norte de Angola, em Março de 1961, cometidos pela UPA/FNLA na qual Savimbi era então militante responsável?
Ribeiro e Castro não é ignorante, nem tolo. É apenas reaccionário. Segue o exemplo das classes dominantes de todos os tempos e todas as latitudes. Que sempre absolvem os seus próprios crimes, por maiores que sejam, e vêem «terrorismo» na resistência dos povos, dos explorados e oprimidos. Se a palavra já existia no tempo do Império Romano, terá seguramente sido usada para descrever a revolta dos escravos de Espártaco ou os primeiros cristãos. A Ribeiro e Castro o que é de César. Mas a atoarda do dirigente CDS-PP é sinal dos tempos. O verniz imposto às classes dominantes pela luta dos povos durante o Século XX está cada vez mais estalado. E por debaixo do verniz estalado é visível a verdadeira essência do capitalismo do nosso tempo: a guerra e o desmantelamento das conquistas sociais; a tortura e o aumento desenfreado da exploração e da miséria; os raptos e prisões arbitrárias e as multas de um milhão de dólares por dia aos trabalhadores em greve no Metro de Nova Iorque; o napalm e o fósforo branco e a tentativa de criminalizar quem defende os interesses dos povos. No Século passado, o capitalismo em profunda crise gerou o monstro fascista para afirmar o seu poder de classe. Foi a maior tragédia da Humanidade no Século XX, e ceifou milhões de vidas. O capitalismo agressivo e parasitário do Século XXI vai por rumos análogos. É deste pântano pútrido que brotam os Ribeiro e Castro deste mundo.
O delírio é grande, e o espaço desta coluna curto. A oposição frontal ao terrorismo pelo PCP é, desde a sua fundação, indiscutível. O mesmo não se pode dizer do Partido de Ribeiro e Castro, como se viu nomeadamente no verão quente de 75. Deixemos a «fontes insuspeitas» os esclarecimentos sobre «a origem do terrorismo contemporâneo»: «O conceito de jihad, ou guerra santa, quase que tinha deixado de existir no mundo muçulmano após o Século X, até que foi reavivado, com o apoio da América, para alimentar um movimento pan-islâmico internacional contra a invasão soviética do Afeganistão, em 1979. Nos dez anos seguintes, a CIA e os serviços secretos sauditas canalizaram milhares de milhões de dólares em armas e munições [...] aos muitos grupos mujahedines que combatiam no Afeganistão» (The Economist, 15.9.01). Uma das «tácticas favoritas» desses grupos mujahedines consistia em «torturar as vítimas [...] começando por lhes cortar o nariz, as orelhas e os genitais e depois removendo, uma após outra, sucessivas camadas de pele» (Washington Post, 11.5.79, citado no livro Killing Hope the William Blum). Como todos os «democratas ocidentais», o CDS estava do lado do terrorismo contemporâneo dos grandes criminosos do final do Século XX.
O Afeganistão não foi caso isolado. Em Itália nos anos 60 e 70, em África e na América Central nos anos 80, na Jugoslávia nos anos 90 (entre outros) o terrorismo financiado e armado pelo imperialismo foi uma das principais armas de subversão e de combate contra o socialismo e os povos. É eloquente o apoio do CDS ao terrorista Jonas Savimbi: ainda o mês passado manifestou «o seu protesto e indignação» pelas declarações de Cravinho [...] ao Jornal Expresso, em que descreve Jonas Savimbi, líder histórico da [...] UNITA como «um monstro» e um «Hitler africano» (notícia Lusa, no site do CDS-PP na Internet, 10.11.05). O que acharão deste protesto os familiares das milhares de vítimas de Savimbi – incluíndo as dos massacres terroristas no Norte de Angola, em Março de 1961, cometidos pela UPA/FNLA na qual Savimbi era então militante responsável?
Ribeiro e Castro não é ignorante, nem tolo. É apenas reaccionário. Segue o exemplo das classes dominantes de todos os tempos e todas as latitudes. Que sempre absolvem os seus próprios crimes, por maiores que sejam, e vêem «terrorismo» na resistência dos povos, dos explorados e oprimidos. Se a palavra já existia no tempo do Império Romano, terá seguramente sido usada para descrever a revolta dos escravos de Espártaco ou os primeiros cristãos. A Ribeiro e Castro o que é de César. Mas a atoarda do dirigente CDS-PP é sinal dos tempos. O verniz imposto às classes dominantes pela luta dos povos durante o Século XX está cada vez mais estalado. E por debaixo do verniz estalado é visível a verdadeira essência do capitalismo do nosso tempo: a guerra e o desmantelamento das conquistas sociais; a tortura e o aumento desenfreado da exploração e da miséria; os raptos e prisões arbitrárias e as multas de um milhão de dólares por dia aos trabalhadores em greve no Metro de Nova Iorque; o napalm e o fósforo branco e a tentativa de criminalizar quem defende os interesses dos povos. No Século passado, o capitalismo em profunda crise gerou o monstro fascista para afirmar o seu poder de classe. Foi a maior tragédia da Humanidade no Século XX, e ceifou milhões de vidas. O capitalismo agressivo e parasitário do Século XXI vai por rumos análogos. É deste pântano pútrido que brotam os Ribeiro e Castro deste mundo.