Expedientes
A Câmara dos Representantes norte-americana aprovou a 16 de Dezembro uma resolução rejeitando a retirada imediata das tropas dos EUA estacionadas no Iraque. O texto, que consagra a política da administração Bush, foi apresentado pela maioria republicana na quinta-feira, dia das legislativas iraquianas, e obteve 279 votos a favor e 109 contra.
Dois dias depois, numa comunicação ao país, Bush garantiu aos seus concidadãos que os EUA não só podem «ganhar a guerra no Iraque», como estão a «ganhar a guerra no Iraque». Pedindo «compreensão» e «paciência» aos americanos para as consequências «difíceis» e até «trágicas» das decisões da sua administração, Bush reafirmou que uma retirada precipitada dos cerca de 170 000 soldados norte-americanos estacionados no Iraque seria «imprudente e desonrosa».
No discurso de domingo, invulgarmente cordato, Bush voltou a reconhecer que não foram encontradas armas de destruição massiva no Iraque e que muitas das informações recolhidas pelos serviços secretos americanos estavam erradas, mas insistiu que a guerra ajudou a impedir novos ataques aos EUA como os 11 de Setembro de 2001, e mencionou a existência de uma rede mundial de terrorismo, que descreveu como «um campo de batalha gigante», para justificar a necessidade de prosseguir o combate no Iraque, no Afeganistão e «noutros países».
A tónica do discurso foi no entanto para os «progressos significativos» alcançados e o «optimismo» dos iraquianos, garantindo Bush que sete em cada dez consideram que a sua vida melhorou desde a invasão americana.
Sem se esquecer da habitual profissão de fé na democracia, dentro e além fronteiras, o presidente instou o Senado a votar a renovação da polémica lei antiterrorista Acto Patriótico (Patriot Act) e assegurou que continuará a autorizar as controversas escutas sem mandado judicial, enquanto o país estiver «confrontado com a ameaça persistente» do terrorismo.
Bush não falou dos 100 000 mortos iraquianos (só admite 30 000) vítimas dos bombardeamentos libertadores de Washington; nem dos presos sem culpa formada no Iraque e em Guantanamo (apesar de terem sido libertados recentemente em Bagdad, por falta de provas, 25 ex-membros do governo de Saddam classificados até há pouco de «alto valor»); nem dos voos clandestinos da CIA e dos centros de tortura secretos criados pelo seu governo na Europa, ao que consta agora transferidos para discretos países no continente africano. O presidente norte-americano também nada disse sobre o facto de o seu governo estar em vias de aprovar a construção de um muro de segurança ao longo da fronteira com o México, uma iniciativa que Vicente Fox, chefe de Estado mexicano e um amigo da Casa Branca, se viu obrigado a classificar como «uma vergonha» e pouco consentâneo com um país que se diz democrático.
Bush fez apostou na retórica para contrariar acentuada perda de popularidade. Aparentemente, o expediente funcionou. Subiu nas sondagens. E as sondagens, como toda a gente sabe, lá como cá, valem o que valem.
Dois dias depois, numa comunicação ao país, Bush garantiu aos seus concidadãos que os EUA não só podem «ganhar a guerra no Iraque», como estão a «ganhar a guerra no Iraque». Pedindo «compreensão» e «paciência» aos americanos para as consequências «difíceis» e até «trágicas» das decisões da sua administração, Bush reafirmou que uma retirada precipitada dos cerca de 170 000 soldados norte-americanos estacionados no Iraque seria «imprudente e desonrosa».
No discurso de domingo, invulgarmente cordato, Bush voltou a reconhecer que não foram encontradas armas de destruição massiva no Iraque e que muitas das informações recolhidas pelos serviços secretos americanos estavam erradas, mas insistiu que a guerra ajudou a impedir novos ataques aos EUA como os 11 de Setembro de 2001, e mencionou a existência de uma rede mundial de terrorismo, que descreveu como «um campo de batalha gigante», para justificar a necessidade de prosseguir o combate no Iraque, no Afeganistão e «noutros países».
A tónica do discurso foi no entanto para os «progressos significativos» alcançados e o «optimismo» dos iraquianos, garantindo Bush que sete em cada dez consideram que a sua vida melhorou desde a invasão americana.
Sem se esquecer da habitual profissão de fé na democracia, dentro e além fronteiras, o presidente instou o Senado a votar a renovação da polémica lei antiterrorista Acto Patriótico (Patriot Act) e assegurou que continuará a autorizar as controversas escutas sem mandado judicial, enquanto o país estiver «confrontado com a ameaça persistente» do terrorismo.
Bush não falou dos 100 000 mortos iraquianos (só admite 30 000) vítimas dos bombardeamentos libertadores de Washington; nem dos presos sem culpa formada no Iraque e em Guantanamo (apesar de terem sido libertados recentemente em Bagdad, por falta de provas, 25 ex-membros do governo de Saddam classificados até há pouco de «alto valor»); nem dos voos clandestinos da CIA e dos centros de tortura secretos criados pelo seu governo na Europa, ao que consta agora transferidos para discretos países no continente africano. O presidente norte-americano também nada disse sobre o facto de o seu governo estar em vias de aprovar a construção de um muro de segurança ao longo da fronteira com o México, uma iniciativa que Vicente Fox, chefe de Estado mexicano e um amigo da Casa Branca, se viu obrigado a classificar como «uma vergonha» e pouco consentâneo com um país que se diz democrático.
Bush fez apostou na retórica para contrariar acentuada perda de popularidade. Aparentemente, o expediente funcionou. Subiu nas sondagens. E as sondagens, como toda a gente sabe, lá como cá, valem o que valem.