Sindicato de sucesso
«Mulher, fazer carreira na Banca é um desafio que deves aceitar», apela o Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, principal suporte da UGT, convidando à aceitação do convite para participar, um dia destes, numa iniciativa que tem por tema «Mulheres com sucesso na Banca – vivências de percurso profissional». O evento está anunciado para a própria sede do sindicato, termina com «Porto de honra – Confraternização», é apadrinhada pelo presidente da Direcção do SBSI e a realização está a cargo do GRAM, Grupo de Acção de Mulheres do sindicato. Recordamos, com esta sigla, a campanha que, em tempos outros que já lá vão, foi realizada contra a discriminação das mulheres no banco de Jardim Gonçalves, na altura apontado justamente como Banco Com Preconceitos, pela muito reduzida percentagem de mulheres entre os seus quadros.
Até aqui, tudo bate mais ou menos certo, mesmo sabendo-se da deriva capitulacionista e colaboracionista que a direcção impôs no SBSI – direcção que, para evitar qualquer oposição eficaz, foi afastando os bancários da participação na vida sindical, decretando até a exclusão dos eleitos das Listas Unitárias. Quando muito, poderia estranhar-se estarem agora aqueles super-dirigentes preocupados com a situação das mulheres que trabalham na Banca, sujeitas, como os seus colegas homens, a anos sucessivos de perda de poder de compra e de direitos, trabalhando «virtualmente» 7 horas por dia (que, na realidade, são cerca de 45 horas por semana), auferindo salários de 900 euros. Estariam, quiçá, preocupados com os milhares de mulheres e homens que trabalham na Banca, sector que dá lucros milionários, em condições de ainda maior exploração, nas empresas de «outsourcing», criadas para retirar a esses trabalhadores o direito a serem considerados bancários...
Tudo, no entanto, fica esclarecido nas linhas seguintes do «convite». «Para a abordagem e reflexão sobre o tema, convidámos mulheres de reconhecido mérito técnico-profissional», explica a estrutura que promove a iniciativa. E as convidadas são... Manuela Ferreira Leite (ex-ministra, consultora do Banco de Portugal), Maria do Rosário Ventura (ex-secretária de Estado, directora do Millenium BCP) e Maria Isabel Viegas (directora-coordenadora de Recursos Humanos do Grupo Santander Totta)!!
Com as «vivências de percurso profissional» destas figuras, quer o SBSI convencer as mulheres de que «fazer carreira na Banca é um desafio que deves aceitar»! Agitando exemplos destes, quererão estes «sindicalistas» explicar que os sindicatos devem abdicar da organização e dinamização da luta colectiva pelos direitos e interesses de milhares de mulheres e homens, já que a situação de exploração desenfreada que se vive no sector apenas tem a ver com o «reconhecido mérito profissional» que uns têm e a outros falta?
Por este andar, Delmiro Carreira e a sua companhia, mandantes no SBSI, hão-de chegar muito brevemente a outra brilhante ideia para nova iniciativa...
O lema pode ser «Trabalhar na Banca, um desafio que os homens devem aceitar». Para dissertar sobre «Tivemos sucesso na Banca – vivências de percurso profissional», podem convidar personalidades como Carlos Santos Ferreira (presidente da Caixa Geral de Depósitos), António de Sousa (antigo presidente da CGD e do Banco de Portugal), Armando Vara (antigo governante e actual administrador da CGD), Carlos Tavares (que foi do Banco Nacional Ultramarino para ministro e agora está na CMVM), Almerindo Marques (bancário que preside à RTP). Se estes não bastarem, podem recorrer a outros, que mesmo estando poucos meses em cargos dirigentes na Banca, conseguiram reformas que valem vários ordenados de qualquer trabalhador, mesmo que tenha muito mérito profissional.
Até aqui, tudo bate mais ou menos certo, mesmo sabendo-se da deriva capitulacionista e colaboracionista que a direcção impôs no SBSI – direcção que, para evitar qualquer oposição eficaz, foi afastando os bancários da participação na vida sindical, decretando até a exclusão dos eleitos das Listas Unitárias. Quando muito, poderia estranhar-se estarem agora aqueles super-dirigentes preocupados com a situação das mulheres que trabalham na Banca, sujeitas, como os seus colegas homens, a anos sucessivos de perda de poder de compra e de direitos, trabalhando «virtualmente» 7 horas por dia (que, na realidade, são cerca de 45 horas por semana), auferindo salários de 900 euros. Estariam, quiçá, preocupados com os milhares de mulheres e homens que trabalham na Banca, sector que dá lucros milionários, em condições de ainda maior exploração, nas empresas de «outsourcing», criadas para retirar a esses trabalhadores o direito a serem considerados bancários...
Tudo, no entanto, fica esclarecido nas linhas seguintes do «convite». «Para a abordagem e reflexão sobre o tema, convidámos mulheres de reconhecido mérito técnico-profissional», explica a estrutura que promove a iniciativa. E as convidadas são... Manuela Ferreira Leite (ex-ministra, consultora do Banco de Portugal), Maria do Rosário Ventura (ex-secretária de Estado, directora do Millenium BCP) e Maria Isabel Viegas (directora-coordenadora de Recursos Humanos do Grupo Santander Totta)!!
Com as «vivências de percurso profissional» destas figuras, quer o SBSI convencer as mulheres de que «fazer carreira na Banca é um desafio que deves aceitar»! Agitando exemplos destes, quererão estes «sindicalistas» explicar que os sindicatos devem abdicar da organização e dinamização da luta colectiva pelos direitos e interesses de milhares de mulheres e homens, já que a situação de exploração desenfreada que se vive no sector apenas tem a ver com o «reconhecido mérito profissional» que uns têm e a outros falta?
Por este andar, Delmiro Carreira e a sua companhia, mandantes no SBSI, hão-de chegar muito brevemente a outra brilhante ideia para nova iniciativa...
O lema pode ser «Trabalhar na Banca, um desafio que os homens devem aceitar». Para dissertar sobre «Tivemos sucesso na Banca – vivências de percurso profissional», podem convidar personalidades como Carlos Santos Ferreira (presidente da Caixa Geral de Depósitos), António de Sousa (antigo presidente da CGD e do Banco de Portugal), Armando Vara (antigo governante e actual administrador da CGD), Carlos Tavares (que foi do Banco Nacional Ultramarino para ministro e agora está na CMVM), Almerindo Marques (bancário que preside à RTP). Se estes não bastarem, podem recorrer a outros, que mesmo estando poucos meses em cargos dirigentes na Banca, conseguiram reformas que valem vários ordenados de qualquer trabalhador, mesmo que tenha muito mérito profissional.