Autárquicas, caciques e «desvarios»

Carlos Gonçalves
Está completa a elaboração das candidaturas às eleições autárquicas de 9 de Outubro. Da nossa parte, este processo foi uma vitória importante, pela dimensão e amplitude democrática e por ter confirmado valores essenciais do projecto CDU – profunda participação popular na elaboração dos programas e das listas, defesa firme dos interesses colectivos e do serviço da «coisa pública», forte dinâmica de qualificação da cidadania e da vida das populações - particularmente dos trabalhadores -, e empenhado contributo no desenvolvimento e na transformação social.
Não são estes os traços dominantes das candidaturas autárquicas das outras forças políticas, mesmo havendo - importa reconhecer - gente séria e bem intencionada, que tenta melhorar a vida nas suas terras.
A questão é que, ao contrário do projecto CDU, o seu quadro de princípios e objectivos, comporta debilidades e perversidades intrínsecas, que repercutem no respectivo «desempenho», e é essencialmente por isso que, na grande maioria dos casos, a intervenção autárquica da CDU, em maioria ou minoria, é comparativamente muito superior – como aliás é reconhecido tantas vezes, fora dos períodos eleitorais.
Vem isto a propósito dos comentários, produzidos nos media, nestes dias, verberando os «desvarios», «falta de princípios éticos» e de «vergonha na cara», deste «faroeste lusitano», em que pontificam quatro (re)candidatos a Presidentes de Câmara – Valentim Loureiro, Isaltino de Morais, Ferreira Torres e Fátima Felgueiras.
Todos são arguidos, aguardando julgamento por corrupção, branqueamento, burla e roubo, (dois deles, Valentim e F.Torres, com velhas histórias de associação criminosa e terrorismo) e todos estão tipificados como «caciques», populistas, mais ou menos caceteiros, traficantes de influências e de negociatas, enredando as suas fortunas com os bens e interesses públicos. Estão, finalmente, desautorizados pelos seus PSD, CDS e PS, e apontados pelos «fazedores de opinião» da sua área política, como exemplares execrandos a evitar. Ainda bem.
Mas importa lembrar quem os apoiou até agora (ou ainda apoia à sorrelfa). Importa que estes «casos» não sirvam para escamotear os muitos outros que, pelos mesmos «princípios» do «mercado», estão nas autarquias para tratar das suas «vidinhas», à babugem do interesse público. E importa relevar o projecto e o exercício autárquico da CDU, que têm a marca distintiva do serviço do interesse colectivo e da recusa do benefício pessoal dos eleitos.


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