Programa «Petróleo por Alimentos» envolto em escândalo
O alto funcionário da ONU Alexander Yakovlev, preso a 8 de Agosto por corrupção no programa para o Iraque «Petróleo por Alimentos», confessa-se culpado.
O Programa foi o maior até agora gerido pelas Nações Unidas
Com a confissão de Alexander Yakovlev, que se declarou culpado das acusações de conspiração, transacções ilegais e lavagem de dinheiro, abre-se um novo capítulo na investigação ao escândalo que abala a já frágil credibilidade da ONU.
O programa «Petróleo por Alimentos», que durante os anos mais duros do embargo internacional (1996 a 2003) permitiu ao país vender petróleo a troco de comprar bens de primeira necessidade para a população, foi o maior até agora gerido pelas Nações Unidas, tendo chegado a movimentar 64 000 milhões de dólares em apenas sete anos.
As denúncias de corrupção que vinham sendo feitas desde há meses forçaram à criação de uma comissão de inquérito independente, cujo relatório foi publicado na passada segunda-feira.
Segundo o documento, Yakovlev, de nacionalidade russa, que trabalhava no departamento de compras da ONU, aproveitou-se do seu cargo para receber “luvas” de empresas interessadas em participar no programa. A comissão afirma ter encontrado «evidências convincentes» de que Yakovlev pode ter obtido por esta via cerca de 950 000 dólares.
Mal foi conhecido o relatório, as autoridades judiciais norte-americanas solicitam ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o levantamento da imunidade diplomática de Alexander Yakovlev, o que permitiu a sua prisão.
Levado perante o juiz, o funcionário russo confessou ter criado em 2000 uma companhia, chamada Moxyco, para canalizar os pagamentos secretos que recebia a troco de facilitar informação às empresas que pretendiam candidatar-se ao programa ou de lhes facilitar o caminho para a obtenção de contratos para fornecimento de bens aos Iraque.
Os montantes recebidos eram canalizados, através da referida empresa, para paraísos fiscais como Antígua ou Suíça.
Embora sem mencionar números concretos, Yakovlev terá admitido tratar-se de «várias centenas de milhares de dólares».
Director do programa acusado
O relatório da comissão de inquérito acusa igualmente o antigo director do programa, o cipriota Benon Sevan, de ter «retirado benefícios de forma ilegal» daquele projecto, estimando em mais de 147 000 dólares o montante arrecadado por Sevan em troca de entrega de remessas de petróleo à companhia African Middle East Petroleum (AMEP), dirigida pelos egípcios Fakhry Abdelnour e Efraim Nadler, familiares do antigo secretário-geral da ONU, Boutros-Ghali.
O documento refere que, entre 1998 e finais de 2001, foram desviadas importantes somas de dinheiro da venda de cerca de 7,3 milhões de barris de petróleo iraquiano pela AMEP, primeiro para uma conta bancária na suíça, controlada por Nadler, e depois para uma conta de Sevan, em Nova Iorque.
Sevan, que se encontra em Chipre, demitiu-se da ONU no passado domingo e nega as acusação de que é alvo, acusando por seu turno Kofi Annan, de o ter «sacrificado».
Os resultados completos da investigação levada a cabo pela comissão independente deverão ser divulgados em princípios de Setembro, juntamente com um balanço do programa «Petróleos por Alimentos» e conclusões sobre o papel do Conselho de Segurança, o secretariado, o secretário-geral e as agências da ONU em todo este processo.
O caso está ainda a ser investigado pelo Congresso norte-americano e pelas autoridades judiciais de Nova Iorque, que já acusaram outras pessoas não vinculadas à ONU pelo seu envolvimento neste trapalhada.
O programa «Petróleo por Alimentos», que durante os anos mais duros do embargo internacional (1996 a 2003) permitiu ao país vender petróleo a troco de comprar bens de primeira necessidade para a população, foi o maior até agora gerido pelas Nações Unidas, tendo chegado a movimentar 64 000 milhões de dólares em apenas sete anos.
As denúncias de corrupção que vinham sendo feitas desde há meses forçaram à criação de uma comissão de inquérito independente, cujo relatório foi publicado na passada segunda-feira.
Segundo o documento, Yakovlev, de nacionalidade russa, que trabalhava no departamento de compras da ONU, aproveitou-se do seu cargo para receber “luvas” de empresas interessadas em participar no programa. A comissão afirma ter encontrado «evidências convincentes» de que Yakovlev pode ter obtido por esta via cerca de 950 000 dólares.
Mal foi conhecido o relatório, as autoridades judiciais norte-americanas solicitam ao secretário-geral da ONU, Kofi Annan, o levantamento da imunidade diplomática de Alexander Yakovlev, o que permitiu a sua prisão.
Levado perante o juiz, o funcionário russo confessou ter criado em 2000 uma companhia, chamada Moxyco, para canalizar os pagamentos secretos que recebia a troco de facilitar informação às empresas que pretendiam candidatar-se ao programa ou de lhes facilitar o caminho para a obtenção de contratos para fornecimento de bens aos Iraque.
Os montantes recebidos eram canalizados, através da referida empresa, para paraísos fiscais como Antígua ou Suíça.
Embora sem mencionar números concretos, Yakovlev terá admitido tratar-se de «várias centenas de milhares de dólares».
Director do programa acusado
O relatório da comissão de inquérito acusa igualmente o antigo director do programa, o cipriota Benon Sevan, de ter «retirado benefícios de forma ilegal» daquele projecto, estimando em mais de 147 000 dólares o montante arrecadado por Sevan em troca de entrega de remessas de petróleo à companhia African Middle East Petroleum (AMEP), dirigida pelos egípcios Fakhry Abdelnour e Efraim Nadler, familiares do antigo secretário-geral da ONU, Boutros-Ghali.
O documento refere que, entre 1998 e finais de 2001, foram desviadas importantes somas de dinheiro da venda de cerca de 7,3 milhões de barris de petróleo iraquiano pela AMEP, primeiro para uma conta bancária na suíça, controlada por Nadler, e depois para uma conta de Sevan, em Nova Iorque.
Sevan, que se encontra em Chipre, demitiu-se da ONU no passado domingo e nega as acusação de que é alvo, acusando por seu turno Kofi Annan, de o ter «sacrificado».
Os resultados completos da investigação levada a cabo pela comissão independente deverão ser divulgados em princípios de Setembro, juntamente com um balanço do programa «Petróleos por Alimentos» e conclusões sobre o papel do Conselho de Segurança, o secretariado, o secretário-geral e as agências da ONU em todo este processo.
O caso está ainda a ser investigado pelo Congresso norte-americano e pelas autoridades judiciais de Nova Iorque, que já acusaram outras pessoas não vinculadas à ONU pelo seu envolvimento neste trapalhada.