Que é isto?!...
Vasco Sousa Coutinho, engenheiro e ex-administrador da CP, fez há dias, no Público, uma interessante «viagem» pelo famoso combóio de alta velocidade, o TGV.
Tudo começa no início dos anos 90, quando «o Governo decidiu modernizar a linha ferroviária do Norte», de forma a que a viagem Lisboa-Porto se fizesse «em duas horas, com uma velocidade média da ordem dos 160 km/h com comboios pendulares de passageiros e que a mesma linha fosse utilizada para mercadorias».
Mas eis que, em 1998, toma conta da pasta o ministro João Cravinho que, «pretendendo lançar um facto político, anuncia a alta prioridade de construção de uma linha Lisboa-Porto em TGV». «Como o Projecto de Modernização da Linha do Norte estava a decorrer, e no qual já tinham sido gastos cerca de 100 milhões de contos, o ministro qualifica o projecto como dos piores que tinha visto na sua vida», acusando-o de vários erros.
«Verificou-se», diz o articulista, «que os erros de projecto não passavam de falso argumento a associar ao lançamento da grande obra pública TGV na ligação Lisboa-Porto, tendo os tais erros sido rapidamente corrigidos, não representando mais de 0,1% dos custos da obra».
Mas João Cravinho não se ficou por este fogo-de-vista: para travar a Modernização da Linha do Norte, entretanto em curso, «emitiu um despacho em que limitava os gastos» na tal Modernização «a 170 milhões de contos e a sua conclusão em 2004».
Tratou-se de uma decisão fatal, sobretudo para o erário público: «como não foi tido em consideração o despacho, passou-se à fase seguinte, continuando as obras de Modernização da Linha do Norte sem quaisquer restrições de custos». Até hoje, o célebre despacho de João Cravinho tem sido olimpicamente ignorado e os gastos na tal Modernização da Linha do Norte têm continuado «no seu ritmo», com alterações dispendiosas e de toda a ordem.
No ano seguinte, 1999, «no mandato do ministro Jorge Coelho, é criada a RAVE e continuam os estudos sobre o investimento no TGV», com mais uma novidade: agora o ministro quer não apenas o TGV Lisboa-Porto, mas que ele faça uma paragem – imagine-se! - no (também futuro) aeroporto da Ota!
Em 2001 veio Ferro Rodrigues, por quem «é demitida a administração da RAVE, por ter apresentado um estudo que não satisfazia os experts do novo elenco governamental», em 2002 chega o ministro Valente de Oliveira, que «continuou a RAVE e os seus estudos», seguindo-se-lhe no ano seguinte o ministro Carmona Rodrigues, em cujo curto consulado o primeiro-ministro Barroso ensejaria a extraordinária promessa de um TGV que demoraria uma-hora-uma! Lisboa-Porto e daria «90.000 postos de trabalho» e, em 2004, no ministério de António Mexia, «descobriu-se a solução mais original: Portugal irá investir na ferrovia considerando a ligação a Espanha como e onde os espanhóis quiserem». Quanto ao actual ministro Mário Lino «não há informações sobre as decisões deste ministro».
Tudo isto pago pelo Estado, evidentemente, sem que ninguém peça ou dê quaisquer contas das carradas de dinheiro entretanto consumidas.
Actualmente, o custo do TGV seria de 850 milhões contos, com um tempo de amortização de 118 anos... e tudo para ganhar apenas meia hora aos comboios pendulares de que, entretanto, ninguém tratou, apesar de neles já se ter gasto mais de 130 milhões de contos...
Que tem o Governo a dizer a tudo isto?
Se nada disser, é bom que se recorde: quem cala, consente. No caso, a denúncia desta grotesca irresponsabilidade no esbanjamento público.
Tudo começa no início dos anos 90, quando «o Governo decidiu modernizar a linha ferroviária do Norte», de forma a que a viagem Lisboa-Porto se fizesse «em duas horas, com uma velocidade média da ordem dos 160 km/h com comboios pendulares de passageiros e que a mesma linha fosse utilizada para mercadorias».
Mas eis que, em 1998, toma conta da pasta o ministro João Cravinho que, «pretendendo lançar um facto político, anuncia a alta prioridade de construção de uma linha Lisboa-Porto em TGV». «Como o Projecto de Modernização da Linha do Norte estava a decorrer, e no qual já tinham sido gastos cerca de 100 milhões de contos, o ministro qualifica o projecto como dos piores que tinha visto na sua vida», acusando-o de vários erros.
«Verificou-se», diz o articulista, «que os erros de projecto não passavam de falso argumento a associar ao lançamento da grande obra pública TGV na ligação Lisboa-Porto, tendo os tais erros sido rapidamente corrigidos, não representando mais de 0,1% dos custos da obra».
Mas João Cravinho não se ficou por este fogo-de-vista: para travar a Modernização da Linha do Norte, entretanto em curso, «emitiu um despacho em que limitava os gastos» na tal Modernização «a 170 milhões de contos e a sua conclusão em 2004».
Tratou-se de uma decisão fatal, sobretudo para o erário público: «como não foi tido em consideração o despacho, passou-se à fase seguinte, continuando as obras de Modernização da Linha do Norte sem quaisquer restrições de custos». Até hoje, o célebre despacho de João Cravinho tem sido olimpicamente ignorado e os gastos na tal Modernização da Linha do Norte têm continuado «no seu ritmo», com alterações dispendiosas e de toda a ordem.
No ano seguinte, 1999, «no mandato do ministro Jorge Coelho, é criada a RAVE e continuam os estudos sobre o investimento no TGV», com mais uma novidade: agora o ministro quer não apenas o TGV Lisboa-Porto, mas que ele faça uma paragem – imagine-se! - no (também futuro) aeroporto da Ota!
Em 2001 veio Ferro Rodrigues, por quem «é demitida a administração da RAVE, por ter apresentado um estudo que não satisfazia os experts do novo elenco governamental», em 2002 chega o ministro Valente de Oliveira, que «continuou a RAVE e os seus estudos», seguindo-se-lhe no ano seguinte o ministro Carmona Rodrigues, em cujo curto consulado o primeiro-ministro Barroso ensejaria a extraordinária promessa de um TGV que demoraria uma-hora-uma! Lisboa-Porto e daria «90.000 postos de trabalho» e, em 2004, no ministério de António Mexia, «descobriu-se a solução mais original: Portugal irá investir na ferrovia considerando a ligação a Espanha como e onde os espanhóis quiserem». Quanto ao actual ministro Mário Lino «não há informações sobre as decisões deste ministro».
Tudo isto pago pelo Estado, evidentemente, sem que ninguém peça ou dê quaisquer contas das carradas de dinheiro entretanto consumidas.
Actualmente, o custo do TGV seria de 850 milhões contos, com um tempo de amortização de 118 anos... e tudo para ganhar apenas meia hora aos comboios pendulares de que, entretanto, ninguém tratou, apesar de neles já se ter gasto mais de 130 milhões de contos...
Que tem o Governo a dizer a tudo isto?
Se nada disser, é bom que se recorde: quem cala, consente. No caso, a denúncia desta grotesca irresponsabilidade no esbanjamento público.