Conferência revela o artista Cunhal
Numa conferência realizada na passada segunda-feira, em Lisboa, o pintor Rogério Ribeiro revelou algumas facetas de Álvaro Cunhal enquanto artista e escritor, tema da conferência. Perante uma sala cheia – de militantes comunistas, amigos, familiares de Álvaro Cunhal e vários dirigentes do PCP –, o ilustrador de Até Amanhã, Camaradas citou Rogério Álvaro Cunhal, no seu livro A arte, o artista e a sociedade, onde dizia que o artista «é um criador e o belo é em si mesmo um valor estético».
Nos duros anos 40, surge o neo-realismo que, para o histórico dirigente comunista, estava «indissoluvelmente ligado à luta pela liberdade e democracia, contra a ditadura fascista em Portugal». Este movimento «avança com uma vitalidade extraordinária que se estende à poesia, à música, ao teatro, ao cinema, às artes plásticas, a todas as actividades criadoras», afirmou Rogério Ribeiro. O pintor lembrou que o «vector comum» era, não apenas o autor e o esforço pela qualidade do seu trabalho mas uma «visão da sociedade em que o interesse social e humano do artista o conduzia a tomar como objecto da criatividade não o seu eu, antes as classes trabalhadoras».
Sobre os célebres Desenhos da Prisão – editados em 1975 pelas Edições Avante! –, Rogério Ribeiro lembrou estar-se perante um «conjunto de desenhos não realizados em atelier, como uma sequência normal de trabalho numa perspectiva de desenvolvimento, mas dum homem a quem foi retirada a liberdade, numa prolongada prisão em condições inenarráveis, que quis encontrar, procurando no mais profundo da sua vontade, a capacidade de na folha, como uma bandeira branca aberta na cela, implicar o lápis e abrir janelas sobre realidades vividas, inventadas, recriando-as com grande carinho e ternura». Abordadas foram também as facetas de escritor e pintor de Álvaro Cunhal, cuja obra se encontrava exposta no átrio da biblioteca-museu República e Resistência, promotora da iniciativa.
Nos duros anos 40, surge o neo-realismo que, para o histórico dirigente comunista, estava «indissoluvelmente ligado à luta pela liberdade e democracia, contra a ditadura fascista em Portugal». Este movimento «avança com uma vitalidade extraordinária que se estende à poesia, à música, ao teatro, ao cinema, às artes plásticas, a todas as actividades criadoras», afirmou Rogério Ribeiro. O pintor lembrou que o «vector comum» era, não apenas o autor e o esforço pela qualidade do seu trabalho mas uma «visão da sociedade em que o interesse social e humano do artista o conduzia a tomar como objecto da criatividade não o seu eu, antes as classes trabalhadoras».
Sobre os célebres Desenhos da Prisão – editados em 1975 pelas Edições Avante! –, Rogério Ribeiro lembrou estar-se perante um «conjunto de desenhos não realizados em atelier, como uma sequência normal de trabalho numa perspectiva de desenvolvimento, mas dum homem a quem foi retirada a liberdade, numa prolongada prisão em condições inenarráveis, que quis encontrar, procurando no mais profundo da sua vontade, a capacidade de na folha, como uma bandeira branca aberta na cela, implicar o lápis e abrir janelas sobre realidades vividas, inventadas, recriando-as com grande carinho e ternura». Abordadas foram também as facetas de escritor e pintor de Álvaro Cunhal, cuja obra se encontrava exposta no átrio da biblioteca-museu República e Resistência, promotora da iniciativa.