Listas
Segundo um levantamento oficial realizado em 2002, havia então 123 mil portugueses em «lista de espera» para realizarem uma cirurgia, problema que o então ministro da Saúde, o extraordinário Luís Filipe Pereira (pois só pode ser extraordinário um ministro que transita, directamente, do privadíssimo «Grupo Mello Saúde» para a tutela governamental deste sector público) garantiu «resolver em dois anos».
Passados três anos, não só o problema não se «resolveu», como a tal lista de espera para uma cirurgia saltou de 123 mil para 224 mil portugueses, com uma demora média de 11 meses, estimando-se que, até ao final do mês corrente, atinja os 244 mil doentes.
Portanto, em três anos a lista de espera para cirurgias duplicou, situando-se neste momento em um quarto de milhão de cidadãos à espera de operações cirúrgicas - quantas delas fundamentais para a sua própria sobrevivência.
Objectivamente, isto é avassalador.
Mas não para o actual ministro da Saúde.
Para Correia de Campos, e segundo as suas próprias palavras, tal lista de espera «não lhe interessa muito», considerando mesmo que haver, actualmente, um quarto de milhão de portugueses à espera de uma operação cirúrgica é um «número positivo» e explica porquê: «tal estatística reflecte o conhecimento dos doentes sobre as soluções cirúrgicas existentes para os seus casos».
Aparentemente, para o novo ministro da Saúde o supra-sumo da assistência médica em Portugal consistirá, portanto, não em operar os doentes, mas em dizer-lhes que «há soluções cirúrgicas para os seus casos».
Ou seja, por falta de assistência pioram ou morrem na mesma, mas mais sábios, o que faz toda a diferença: é que, assim, pioram ou morrem conhecendo já as «soluções cirúrgicas» que os poderiam salvar.
Consolidando esta inesperada criatividade, Correia de Campos afirmou também outras coisas já completamente indecifráveis (para não dizermos destituídas de sentido, pois não temos o gabarito político do ministro para afiançarmos tal), como a de que lhe interessa apenas a «cirurgia electiva», tal como a «aprendizagem do futuro», seja lá isso o que for e que, lamentavelmente, o ministro não pôde ou não quis explicar, mas há-de certamente valer não apenas imensas coisas, mas também coisas imensas.
Tal como vale a comparticipação nos medicamentos por parte das pessoas com doenças crónicas, com a qual o Governo de José Sócrates pretende «poupar» sete milhões euros, directamente esportulados das subvenções a 100% praticadas em toda a União Europeia, apenas parcialmente aplicadas no nosso País e que este novo Executivo decidiu, agora, «taxar» com 5%.
Entretanto, o Hospital do Barreiro (que continua semi-privatizado, à semelhança de mais trinta outros, apesar das promessas de José Sócrates em reforçar a estrutura pública hospitalar), anunciou há dias que irá distribuir cerca de um milhão de euros pelos trabalhadores que, o ano passado (e segundo o arbítrio da administração), mais «contribuíram» para o «lucro» do tal milhão de euros – como se fosse admissível que hospitais públicos existam para «dar lucro» -, não reinvestindo a verba em tantas e tão gritantes necessidades que nesta unidade se agravam todos os anos, ao ponto de já haver serviços estratégicos a funcionar deficientemente por faltas materiais graves.
Em facto, não é apenas a «lista de espera» de cirurgias que «não interessa» ao ministro.
É a própria Saúde pública – da sua tutela pela 2.ª vez – que, indisfarçavelmente, despreza.
Passados três anos, não só o problema não se «resolveu», como a tal lista de espera para uma cirurgia saltou de 123 mil para 224 mil portugueses, com uma demora média de 11 meses, estimando-se que, até ao final do mês corrente, atinja os 244 mil doentes.
Portanto, em três anos a lista de espera para cirurgias duplicou, situando-se neste momento em um quarto de milhão de cidadãos à espera de operações cirúrgicas - quantas delas fundamentais para a sua própria sobrevivência.
Objectivamente, isto é avassalador.
Mas não para o actual ministro da Saúde.
Para Correia de Campos, e segundo as suas próprias palavras, tal lista de espera «não lhe interessa muito», considerando mesmo que haver, actualmente, um quarto de milhão de portugueses à espera de uma operação cirúrgica é um «número positivo» e explica porquê: «tal estatística reflecte o conhecimento dos doentes sobre as soluções cirúrgicas existentes para os seus casos».
Aparentemente, para o novo ministro da Saúde o supra-sumo da assistência médica em Portugal consistirá, portanto, não em operar os doentes, mas em dizer-lhes que «há soluções cirúrgicas para os seus casos».
Ou seja, por falta de assistência pioram ou morrem na mesma, mas mais sábios, o que faz toda a diferença: é que, assim, pioram ou morrem conhecendo já as «soluções cirúrgicas» que os poderiam salvar.
Consolidando esta inesperada criatividade, Correia de Campos afirmou também outras coisas já completamente indecifráveis (para não dizermos destituídas de sentido, pois não temos o gabarito político do ministro para afiançarmos tal), como a de que lhe interessa apenas a «cirurgia electiva», tal como a «aprendizagem do futuro», seja lá isso o que for e que, lamentavelmente, o ministro não pôde ou não quis explicar, mas há-de certamente valer não apenas imensas coisas, mas também coisas imensas.
Tal como vale a comparticipação nos medicamentos por parte das pessoas com doenças crónicas, com a qual o Governo de José Sócrates pretende «poupar» sete milhões euros, directamente esportulados das subvenções a 100% praticadas em toda a União Europeia, apenas parcialmente aplicadas no nosso País e que este novo Executivo decidiu, agora, «taxar» com 5%.
Entretanto, o Hospital do Barreiro (que continua semi-privatizado, à semelhança de mais trinta outros, apesar das promessas de José Sócrates em reforçar a estrutura pública hospitalar), anunciou há dias que irá distribuir cerca de um milhão de euros pelos trabalhadores que, o ano passado (e segundo o arbítrio da administração), mais «contribuíram» para o «lucro» do tal milhão de euros – como se fosse admissível que hospitais públicos existam para «dar lucro» -, não reinvestindo a verba em tantas e tão gritantes necessidades que nesta unidade se agravam todos os anos, ao ponto de já haver serviços estratégicos a funcionar deficientemente por faltas materiais graves.
Em facto, não é apenas a «lista de espera» de cirurgias que «não interessa» ao ministro.
É a própria Saúde pública – da sua tutela pela 2.ª vez – que, indisfarçavelmente, despreza.