De rastos
Gostaria, como certamente todos compreenderão, de falar de outras coisas. Muito mais importantes. Muito mais mobilizadoras. Muito mais voltadas para o futuro, recolhendo embora as importantíssimas lições e vivências do passado. Ou, então, de, mais uma vez, lavrar um protesto, por ter visto e ouvido muitas vezes gente imerecedora a falar - a bolsar sobre o que não sabe, o que esqueceu, o que nunca lhe conveio admitir.
Mas não poderíamos calar um facto relevante que a semana produziu. O chamado «arrastão» de Carcavelos e a chamada «manifestação» que reuniu alguns criminosos racistas em Lisboa, bem protegidos pela polícia.
Sobre o arrastão, não queremos diminuir-lhe a gravidade mas, sobretudo, pretendemos que se não esqueçam as razões profundas de tal fenómeno - a guetização de comunidades imigrantes que visitas do Presidente da República não conseguirão atenuar.
Mas é essencialmente sobre o «fenómeno» racista que pretendemos escrever. Chamando a atenção para o facto mais importante: depois de vários dias a suportar a gritaria dos media que parecia não terem outro objectivo que não fosse o de fazer alastrar o terror entre a população, a promoção espantosa da iniciativa nazi do passado sábado deixou uma nódoa nos órgãos que deram todo o gás à mobilização do terror.
Não se venha com a desculpa de que os media não devem ocultar os factos. Não se tratava de um facto, mas da mais vergonhosa publicidade feita a um acto vergonhoso em preparação. A SIC, por exemplo, abriu vários telejornais a propagandear a iniciativa racista, a estampar os seus cartazes, a recolher os seus impropérios, a obter «depoimentos» de cara ocultada. Porque é gente que nunca dá a cara, mostra apenas a careca nazi, os seus odiados símbolos terroristas, a sanha racista, a raiva xenófoba.
A grande propaganda da SIC e de outros media não surtiu efeito. A população não se deixou mobilizar pelas palavras de ordem fascistas.
Sem o mesmo desvelado apoio, muitas dezenas de milhares de trabalhadores da função pública encheram as ruas em protesto contra as anunciadas medidas do Governo. Se estas iniciativas democráticas fossem tão promovidas quanto o são a violência, o racismo e a subcultura, viveríamos todos melhor.
Mas não poderíamos calar um facto relevante que a semana produziu. O chamado «arrastão» de Carcavelos e a chamada «manifestação» que reuniu alguns criminosos racistas em Lisboa, bem protegidos pela polícia.
Sobre o arrastão, não queremos diminuir-lhe a gravidade mas, sobretudo, pretendemos que se não esqueçam as razões profundas de tal fenómeno - a guetização de comunidades imigrantes que visitas do Presidente da República não conseguirão atenuar.
Mas é essencialmente sobre o «fenómeno» racista que pretendemos escrever. Chamando a atenção para o facto mais importante: depois de vários dias a suportar a gritaria dos media que parecia não terem outro objectivo que não fosse o de fazer alastrar o terror entre a população, a promoção espantosa da iniciativa nazi do passado sábado deixou uma nódoa nos órgãos que deram todo o gás à mobilização do terror.
Não se venha com a desculpa de que os media não devem ocultar os factos. Não se tratava de um facto, mas da mais vergonhosa publicidade feita a um acto vergonhoso em preparação. A SIC, por exemplo, abriu vários telejornais a propagandear a iniciativa racista, a estampar os seus cartazes, a recolher os seus impropérios, a obter «depoimentos» de cara ocultada. Porque é gente que nunca dá a cara, mostra apenas a careca nazi, os seus odiados símbolos terroristas, a sanha racista, a raiva xenófoba.
A grande propaganda da SIC e de outros media não surtiu efeito. A população não se deixou mobilizar pelas palavras de ordem fascistas.
Sem o mesmo desvelado apoio, muitas dezenas de milhares de trabalhadores da função pública encheram as ruas em protesto contra as anunciadas medidas do Governo. Se estas iniciativas democráticas fossem tão promovidas quanto o são a violência, o racismo e a subcultura, viveríamos todos melhor.