A cimeira dos contaminados
As grandes potências tudo fazem para conservar e reforçar o seu poder
Poucos dias antes da realização da recente cimeira dos chefes de Estado e de Governo da União Europeia, Durão Barroso empregou o termo «contaminação» para designar a crescente oposição dos eleitores à chamada «constituição europeia». Seria difícil exprimir de uma forma mais clara o desprezo da burocracia de Bruxelas pela vontade popular. Há anos que as elites federalistas contaminadas pelo vírus dos privilégios, do dinheiro e do poder do grande capital se habituaram a negociar e a decidir à porta fechada tudo o que as oligarquias financeiras lhes têm exigido. Dizem as más línguas que, até nas férias, os multimilionários nos seus barcos de luxo não perdem a ocasião para contaminar o presidente da comissão europeia.
Mas, como ficou demonstrado pelo decorrer da cimeira da semana passada e pelas declarações dos seus intervenientes reina a maior confusão entre os adeptos da «Europa connosco». Schröder e Sócrates que alguns dias antes em Berlim defendiam o prosseguimento ilegal do processo de ratificação da dita «constituição» acabaram por aceitar a chamada «pausa de reflexão». Em declarações à imprensa alemã o chanceler esclareceu que se o processo não continuasse, a Alemanha onde 95% dos deputados do partido único europeu (SPD/Verdes, CDU/CSU e Liberais) votaram a favor do novo tratado, ficaria «desacreditada».
Ao capitalismo germânico tem cabido a tarefa de formular e conduzir juntamente com a França, a estratégia e as pretensões do pólo imperialista europeu. Para a Alemanha está demasiado em jogo. É essa a razão porque Schröder reagiu tão agressivamente face aos resultados da cimeira. É impressionante verificar como desde Maastricht, ao euro e ao Banco Central Europeu em Frankfurt, da expansão da NATO e da UE para o Leste até à malograda «constituição europeia» que deveria impor o plano de Fischer de um super-estado federal, tudo se tem processado de acordo com os interesses vitais de Berlim.
Já em 1996 o Ministro da defesa do Governo de Kohl, Volker Rühe, afirmava em Washington, que «com o tempo é impossível aceitar que a fronteira Leste da Alemanha seja a fronteira entre a estabilidade e a instabilidfade na Europa. A fronteira Leste da Alemanha não pode ser a fronteira da União Europeia e da NATO» concluiu então aquele governante democrata-cristão. E numa entrevista à revista «Der Spiegel» (2001) o general Klaus Reinhart que dirigiu as operações militares nos Balcãs confirmava que «depois da unificação em 1990 o papel político da Alemanha alterou-se completamente» devido «ao nosso novo conceito de soberania». Enquanto os direitos dos pequenos estados são abafados como manifestações de egoísmos nacionais, as grandes potências tudo fazem para conservar e reforçar o seu poder e a sua soberania. A «constituição» segundo os círculos governamentais de Berlim destinava-se a assegurar a «capacidade de decisão» da Alemanha numa Europa de 25 e mais estados.
Preocupado em ultrapassar a desorientação da cimeira de Bruxelas, o capital já começou a distribuir conselhos e instruções sobre o modo de contornar a vontade popular e os resultados do «não» nos referendos. Num artigo do Frankfurter Alegemeine Zeitung (18.6.05) pode-se ler que «a pausa de reflexão deve ser aproveitada para preparar um novo plano, menos pomposo, não apresentado como constituição mas como alteração ao tratado, podendo assim ser aprovado pelos parlamentos».
As cimeiras dos governantes contaminados pelos interesses do capital monopolista vão continuar. É necessário manter a máxima vigilância contra as tentativas de falsificação da vontade popular.
Mas, como ficou demonstrado pelo decorrer da cimeira da semana passada e pelas declarações dos seus intervenientes reina a maior confusão entre os adeptos da «Europa connosco». Schröder e Sócrates que alguns dias antes em Berlim defendiam o prosseguimento ilegal do processo de ratificação da dita «constituição» acabaram por aceitar a chamada «pausa de reflexão». Em declarações à imprensa alemã o chanceler esclareceu que se o processo não continuasse, a Alemanha onde 95% dos deputados do partido único europeu (SPD/Verdes, CDU/CSU e Liberais) votaram a favor do novo tratado, ficaria «desacreditada».
Ao capitalismo germânico tem cabido a tarefa de formular e conduzir juntamente com a França, a estratégia e as pretensões do pólo imperialista europeu. Para a Alemanha está demasiado em jogo. É essa a razão porque Schröder reagiu tão agressivamente face aos resultados da cimeira. É impressionante verificar como desde Maastricht, ao euro e ao Banco Central Europeu em Frankfurt, da expansão da NATO e da UE para o Leste até à malograda «constituição europeia» que deveria impor o plano de Fischer de um super-estado federal, tudo se tem processado de acordo com os interesses vitais de Berlim.
Já em 1996 o Ministro da defesa do Governo de Kohl, Volker Rühe, afirmava em Washington, que «com o tempo é impossível aceitar que a fronteira Leste da Alemanha seja a fronteira entre a estabilidade e a instabilidfade na Europa. A fronteira Leste da Alemanha não pode ser a fronteira da União Europeia e da NATO» concluiu então aquele governante democrata-cristão. E numa entrevista à revista «Der Spiegel» (2001) o general Klaus Reinhart que dirigiu as operações militares nos Balcãs confirmava que «depois da unificação em 1990 o papel político da Alemanha alterou-se completamente» devido «ao nosso novo conceito de soberania». Enquanto os direitos dos pequenos estados são abafados como manifestações de egoísmos nacionais, as grandes potências tudo fazem para conservar e reforçar o seu poder e a sua soberania. A «constituição» segundo os círculos governamentais de Berlim destinava-se a assegurar a «capacidade de decisão» da Alemanha numa Europa de 25 e mais estados.
Preocupado em ultrapassar a desorientação da cimeira de Bruxelas, o capital já começou a distribuir conselhos e instruções sobre o modo de contornar a vontade popular e os resultados do «não» nos referendos. Num artigo do Frankfurter Alegemeine Zeitung (18.6.05) pode-se ler que «a pausa de reflexão deve ser aproveitada para preparar um novo plano, menos pomposo, não apresentado como constituição mas como alteração ao tratado, podendo assim ser aprovado pelos parlamentos».
As cimeiras dos governantes contaminados pelos interesses do capital monopolista vão continuar. É necessário manter a máxima vigilância contra as tentativas de falsificação da vontade popular.