Mais salários por pagar
Os números apresentados na semana passada pelo Ministério do Trabalho «pecam por defeito». Segundo o dirigente da CGTP, Amável Alves, aqueles dados, não revelam a verdadeira proporção da crise.
«Os dados do Ministério pecam por defeito»
Segundo dados do Ministério, o valor dos salários por pagar aumentou 82,6 por cento nos primeiros três meses deste ano, relativamente a período homólogo do ano passado. Amável Alves da Comissão Executiva da CGTP, revelou ao Avante! que, só em Aveiro, há tantos trabalhadores fustigados por este flagelo que a União dos Sindicatos daquele distrito, agendou a realização de uma tribuna pública para ontem, de forma a chamar à atenção para o problema.
Para a CGTP, o encerramento e deslocalização de empresas «está a deixar o País sem sector produtivo provocando uma grave crise económica», disse.
Uma das formas mais utilizadas para despedir são as chamadas rescisões por mútuo acordo. Nesta modalidade, «muitos empresários remetem os custos da rescisão para a Segurança Social, após indemnizações irrisórias, acordadas debaixo de uma forte pressão psicológica, fomentando o medo no trabalhador».«Caso não aceite a proposta, é ameaçado de ficar sem qualquer compensação», disse Amável Alves, salientando que «uma parte substancial da redução de postos de trabalho deve-se a este tipo de rescisões».
A CGTP desmente ainda a ideia contida no mesmo relatório, onde se dá a entender que os resultados da contestação dos trabalhadores foram «modestos». Amável Alves fez notar que este ano, até ao momento, foi de intensa luta nos mais variados sectores, na continuação da enorme adesão que teve a greve geral.
O dirigente sindical lembrou que, nos primeiros três meses, o Governo tentou condicionar e intimidar os trabalhadores «com a ideia de que o País estava de tanga e da necessidade de contenção salarial para cumprir o défice a todo o custo». Mas teve uma grande resposta por parte dos trabalhadores «que souberam demonstrar uma grande capacidade reivindicativa, como fizeram, por exemplo, na Função Pública», referiu. Amável Alves recordou que, em muitos casos o patronato, que de início tinha recusado discutir a contratação colectiva, «viu-se, após as lutas encetadas, obrigado a negociar com os sindicatos». «No sector privado chegou-se a conseguir aumentos na ordem dos 3 por cento, um aumento baixo, mas bem acima dos 1,5 por cento atribuídos à Função Pública», salientou. «Embora não estejamos satisfeitos por inteiro com os resultados da luta, também é verdade que o patronato não conseguiu tudo o que queria», concluiu o dirigente da CGTP.
Desemprego dispara
O Instituto Nacional de Estatística revelou na semana passada que o número de desempregados subiu 45,6 por cento em comparação com homólogo período do ano anterior, situando-se em 6,4 por cento.
Os mesmos dados do INE revelam que o Alentejo continua a ser a região mais afectada, com uma taxa de 9,7 por cento da população activa, seguido pela região de Lisboa e Vale do Tejo, com 7,4 por cento.
Nos últimos dez anos nunca se tinha registado um crescimento homólogo de 2 por cento. Só é possível contrariar esta tendência, «investindo no sector produtivo, penalizando seriamente as entidades incumpridoras de compromissos assumidos e abandonando de vez a cega política do Governo, de cumprimento do défice», disse Amável Alves.
Para a CGTP, o encerramento e deslocalização de empresas «está a deixar o País sem sector produtivo provocando uma grave crise económica», disse.
Uma das formas mais utilizadas para despedir são as chamadas rescisões por mútuo acordo. Nesta modalidade, «muitos empresários remetem os custos da rescisão para a Segurança Social, após indemnizações irrisórias, acordadas debaixo de uma forte pressão psicológica, fomentando o medo no trabalhador».«Caso não aceite a proposta, é ameaçado de ficar sem qualquer compensação», disse Amável Alves, salientando que «uma parte substancial da redução de postos de trabalho deve-se a este tipo de rescisões».
A CGTP desmente ainda a ideia contida no mesmo relatório, onde se dá a entender que os resultados da contestação dos trabalhadores foram «modestos». Amável Alves fez notar que este ano, até ao momento, foi de intensa luta nos mais variados sectores, na continuação da enorme adesão que teve a greve geral.
O dirigente sindical lembrou que, nos primeiros três meses, o Governo tentou condicionar e intimidar os trabalhadores «com a ideia de que o País estava de tanga e da necessidade de contenção salarial para cumprir o défice a todo o custo». Mas teve uma grande resposta por parte dos trabalhadores «que souberam demonstrar uma grande capacidade reivindicativa, como fizeram, por exemplo, na Função Pública», referiu. Amável Alves recordou que, em muitos casos o patronato, que de início tinha recusado discutir a contratação colectiva, «viu-se, após as lutas encetadas, obrigado a negociar com os sindicatos». «No sector privado chegou-se a conseguir aumentos na ordem dos 3 por cento, um aumento baixo, mas bem acima dos 1,5 por cento atribuídos à Função Pública», salientou. «Embora não estejamos satisfeitos por inteiro com os resultados da luta, também é verdade que o patronato não conseguiu tudo o que queria», concluiu o dirigente da CGTP.
Desemprego dispara
O Instituto Nacional de Estatística revelou na semana passada que o número de desempregados subiu 45,6 por cento em comparação com homólogo período do ano anterior, situando-se em 6,4 por cento.
Os mesmos dados do INE revelam que o Alentejo continua a ser a região mais afectada, com uma taxa de 9,7 por cento da população activa, seguido pela região de Lisboa e Vale do Tejo, com 7,4 por cento.
Nos últimos dez anos nunca se tinha registado um crescimento homólogo de 2 por cento. Só é possível contrariar esta tendência, «investindo no sector produtivo, penalizando seriamente as entidades incumpridoras de compromissos assumidos e abandonando de vez a cega política do Governo, de cumprimento do défice», disse Amável Alves.