O luxo
Em épocas de badalada crise, é sempre assim. Vê-se um pequeno pólo social a engordar enquanto a maior parte emagrece. Cresce o luxo e não sobra o tostão para a sopa - ou para a renda da casa, ou para a reparação do carro, ou para o livro escolar, ou para as meias solas que os sapatos reivindicam. Mas parece que hoje as coisas já não são como foram e que, finalmente, a tradição já não é o que era. Será que chegámos ao fim da História? Que a luta de classes se esfumou deixando o pessoal na paz do senhor, com uma larga confraternização entre ricos e pobres, como manda a santa madre e o papa Ratzinger?
É que há sinais «dos tempos» que mostram a mudança, como diria o «renovador» lá da sua mesa de café, dissertando sobre o desaparecimento da classe operária e as «novidades» históricas que apontam para batalhas menos contundentes e civilizacionais, tais como a problemática dos bebés focas e os desfiles mascarados dos gays.
Pelos jornais ficamos a saber de retumbantes mudanças. Por exemplo: instalado na Europa para onde se escapou a tempo de não cair da cadeira de São Bento, Durão Barroso, coitado, não teve oportunidade de ir ver a final da Taça UEFA. Isto porque as coisas fiam mais fino lá por essa Europa - esta Europa - e o presidente da Comissão Europeia foi impedido de aceitar um bilhete para assistir ao jogo. Felizmente para ele, dirão os mais cépticos, que assim não teve que ver a desgraça nacional de perder a Taça frente a uma equipa que, ainda por cima, conserva a tradição de ser o herdeiro do clube do Exército Vermelho. O facto é que Barroso não pode aceitar «prendas» de valor superior a 150 euros, o que não dá jeito nenhum a um encarregado dos mais chorudos negócios europeus.
Moralização? Não acreditamos nisso. No entanto, os sinais de que isto agora vale para todos - como a justiça que, toda a gente sabe, é cega e só vê pelo canto do olho - são muitos. Outro exemplo que nos surge, nestes dias, é que os luxos vão estar ao alcance de todos, com as novas medidas que se anunciam por parte do Governo. Sócrates não desmentiu a notícia saída num matutino da praça e que dava como certo que a comida vai ser taxada como um consumo de luxo e levar com um IVA de 19 por cento. Assim, no mar das dificuldades e dos sacrifícios pedidos a «todos os portugueses» pelo Presidente da República, resta-nos congratularmo-nos com esta nova «igualdade» a que passaremos a ter acesso. Comer vai ser um luxo. E viver, um dias destes, também.
É que há sinais «dos tempos» que mostram a mudança, como diria o «renovador» lá da sua mesa de café, dissertando sobre o desaparecimento da classe operária e as «novidades» históricas que apontam para batalhas menos contundentes e civilizacionais, tais como a problemática dos bebés focas e os desfiles mascarados dos gays.
Pelos jornais ficamos a saber de retumbantes mudanças. Por exemplo: instalado na Europa para onde se escapou a tempo de não cair da cadeira de São Bento, Durão Barroso, coitado, não teve oportunidade de ir ver a final da Taça UEFA. Isto porque as coisas fiam mais fino lá por essa Europa - esta Europa - e o presidente da Comissão Europeia foi impedido de aceitar um bilhete para assistir ao jogo. Felizmente para ele, dirão os mais cépticos, que assim não teve que ver a desgraça nacional de perder a Taça frente a uma equipa que, ainda por cima, conserva a tradição de ser o herdeiro do clube do Exército Vermelho. O facto é que Barroso não pode aceitar «prendas» de valor superior a 150 euros, o que não dá jeito nenhum a um encarregado dos mais chorudos negócios europeus.
Moralização? Não acreditamos nisso. No entanto, os sinais de que isto agora vale para todos - como a justiça que, toda a gente sabe, é cega e só vê pelo canto do olho - são muitos. Outro exemplo que nos surge, nestes dias, é que os luxos vão estar ao alcance de todos, com as novas medidas que se anunciam por parte do Governo. Sócrates não desmentiu a notícia saída num matutino da praça e que dava como certo que a comida vai ser taxada como um consumo de luxo e levar com um IVA de 19 por cento. Assim, no mar das dificuldades e dos sacrifícios pedidos a «todos os portugueses» pelo Presidente da República, resta-nos congratularmo-nos com esta nova «igualdade» a que passaremos a ter acesso. Comer vai ser um luxo. E viver, um dias destes, também.