Desplante
Tentam reescrever a História para justificar as agressões passadas e futuras
No passado dia 7, Bush foi à Letónia, a caminho das comemorações em Moscovo dos 60 anos da Vitória sobre o nazi-fascismo. O discurso oficial de Bush em Riga fez parte da tentativa de reescrever a História, que a comunicação social do grande capital reproduziu com entusiasmo. «Para grande parte da Europa do Leste e Central, a vitória trouxe o domínio férreo de um outro império. O dia da Vitória na Europa assinalou o fim do fascismo, mas não pôs fim à opressão», sentenciou Bush. Já muito se escreveu sobre a vergonhosa falsificação histórica em curso. Mas há mais para dizer.
Não deixa de ser curioso que Bush fale em «impérios» e «opressão». No final da II Guerra Mundial, uma grande parte da Humanidade vivia sob a opressão dos impérios coloniais das potências capitalistas europeias: os povos de todo o sub-continente indiano, da Indonésia, da Indochina, da quase totalidade da África e Médio Oriente, entre outros. Nos anos e décadas seguintes, a maioria desses povos alcançaram a sua independência. Mas não porque os EUA tivessem «desafiado um império a deitar abaixo um muro odioso», como diz Bush. Foi porque os povos desses países se levantaram contra a ocupação colonial e imperial dos seus opressores liberal-democratas e, muitas vezes à custa de enormes sacrifícios em vidas e sangue, conquistaram a sua independência. Tal como na luta contra o fascismo, os comunistas estiveram na primeira linha dessa luta libertadora. Mas os «amantes da liberdade» e «inimigos da ocupação imperial» britânicos, franceses, holandeses e belgas responderam com a repressão e o sangue, enquanto puderam. E quando as velhas potências coloniais se mostravam já incapazes de o fazer (como os franceses, após a sua derrota militar em Dien Bien Phu, no Vietname), ali estavam os novos amos coloniais norte-americanos para tomar o seu lugar. Como continuam a fazer hoje no Iraque e Afeganistão.
Há poucos dias o Presidente argelino Bouteflika «apelou à França para reconhecer a sua participação nos massacres de 45 000 argelinos, que se lançaram nas ruas pedindo a independência, no dia em que a Europa celebrava a sua vitória sobre a Alemanha Nazi, em 8 de Maio de 1945. [...] A repressão durou vários dias e segundo o Estado argelino saldou-se pela morte de 45,000 pessoas. [...] A repressão desencadeou o movimento anti-colonial e uma longa guerra de independência que custou a vida a um milhão e meio de argelinos» (Al Jazeera, 8.5.05). E não foi apenas no «Terceiro Mundo». Ainda não tinha terminado a guerra na Europa e a liberal-democrática Grã-Bretanha esmagava pelas armas a resistência grega, dirigida como em quase toda a parte pelos comunistas, e que tão decisivo papel jogou na libertação daquele país da ocupação nazi.
Para os portugueses em particular, não deixa de ser chocante ouvir Bush dizer que «a América e os nossos fortes aliados tomaram uma resolução: não aceitaríamos a libertação de apenas metade da Europa». O regime fascista português foi mantido no seu lugar (tal como o espanhol, e mais tarde o grego) pelo apoio que recebeu no pós-guerra dos novos senhores imperiais norte-americanos. E que ficou bem explícito no facto de Salazar ser um dos fundadores da NATO em 1949. Quando a liberdade chegou, quase 30 anos mais tarde, não foi graças às democracias liberal-burguesas, mas à luta do povo português e dos povos do império colonial português, para quem o dia da Vitória em 1945 não assinalou o fim, nem do fascismo, nem do domínio férreo do(s) império(s).
Liberdade e «fim da opressão». O desplante das palavras de Bush é ultrajante para a memória dos civis de Hiroxima e Nagasaqui, para quem o fim da II Guerra chegou sob a forma do holocausto nuclear «Made in USA».
Tentam reescrever a História para justificar as agressões passadas e futuras do imperialismo dos EUA. Mas a Humanidade aprenderá com o passado, para escrever a História futura, libertando-se da mais criminosa, violenta, corrupta e mentirosa classe dirigente gerada pelo capitalismo, desde os tempos de Hitler.
Não deixa de ser curioso que Bush fale em «impérios» e «opressão». No final da II Guerra Mundial, uma grande parte da Humanidade vivia sob a opressão dos impérios coloniais das potências capitalistas europeias: os povos de todo o sub-continente indiano, da Indonésia, da Indochina, da quase totalidade da África e Médio Oriente, entre outros. Nos anos e décadas seguintes, a maioria desses povos alcançaram a sua independência. Mas não porque os EUA tivessem «desafiado um império a deitar abaixo um muro odioso», como diz Bush. Foi porque os povos desses países se levantaram contra a ocupação colonial e imperial dos seus opressores liberal-democratas e, muitas vezes à custa de enormes sacrifícios em vidas e sangue, conquistaram a sua independência. Tal como na luta contra o fascismo, os comunistas estiveram na primeira linha dessa luta libertadora. Mas os «amantes da liberdade» e «inimigos da ocupação imperial» britânicos, franceses, holandeses e belgas responderam com a repressão e o sangue, enquanto puderam. E quando as velhas potências coloniais se mostravam já incapazes de o fazer (como os franceses, após a sua derrota militar em Dien Bien Phu, no Vietname), ali estavam os novos amos coloniais norte-americanos para tomar o seu lugar. Como continuam a fazer hoje no Iraque e Afeganistão.
Há poucos dias o Presidente argelino Bouteflika «apelou à França para reconhecer a sua participação nos massacres de 45 000 argelinos, que se lançaram nas ruas pedindo a independência, no dia em que a Europa celebrava a sua vitória sobre a Alemanha Nazi, em 8 de Maio de 1945. [...] A repressão durou vários dias e segundo o Estado argelino saldou-se pela morte de 45,000 pessoas. [...] A repressão desencadeou o movimento anti-colonial e uma longa guerra de independência que custou a vida a um milhão e meio de argelinos» (Al Jazeera, 8.5.05). E não foi apenas no «Terceiro Mundo». Ainda não tinha terminado a guerra na Europa e a liberal-democrática Grã-Bretanha esmagava pelas armas a resistência grega, dirigida como em quase toda a parte pelos comunistas, e que tão decisivo papel jogou na libertação daquele país da ocupação nazi.
Para os portugueses em particular, não deixa de ser chocante ouvir Bush dizer que «a América e os nossos fortes aliados tomaram uma resolução: não aceitaríamos a libertação de apenas metade da Europa». O regime fascista português foi mantido no seu lugar (tal como o espanhol, e mais tarde o grego) pelo apoio que recebeu no pós-guerra dos novos senhores imperiais norte-americanos. E que ficou bem explícito no facto de Salazar ser um dos fundadores da NATO em 1949. Quando a liberdade chegou, quase 30 anos mais tarde, não foi graças às democracias liberal-burguesas, mas à luta do povo português e dos povos do império colonial português, para quem o dia da Vitória em 1945 não assinalou o fim, nem do fascismo, nem do domínio férreo do(s) império(s).
Liberdade e «fim da opressão». O desplante das palavras de Bush é ultrajante para a memória dos civis de Hiroxima e Nagasaqui, para quem o fim da II Guerra chegou sob a forma do holocausto nuclear «Made in USA».
Tentam reescrever a História para justificar as agressões passadas e futuras do imperialismo dos EUA. Mas a Humanidade aprenderá com o passado, para escrever a História futura, libertando-se da mais criminosa, violenta, corrupta e mentirosa classe dirigente gerada pelo capitalismo, desde os tempos de Hitler.