A teia das aranhas
«Aranha: animal articulado de grande abdómen, com verrugas ou fiandeiras das quais brotam fios com os quais formam uma teia»- diz o Grande Dicionário de Língua Portuguesa.
As aranhas vieram-me à ideia com as notícias que inundaram a comunicação social sobre vergonhosas promiscuidades entre detentores de altos cargos políticos e o mundo da alta finança.
Imaginemos, por exemplo, um exército de tarântulas (as aranhas também podem ser peçonhentas) que foram lançadas no Ambiente e teceram à volta de milhares de sobreiros de uma reserva ecológica uma teia de morte para capturarem um grande naco de terreno como fonte de altos rendimentos; ou que nas caves da Defesa tarântulas lançadas de pára-quedas montaram teias para captação de grandes verbas em helicópteros e submarinos; ou que num ninho de afanhas instaladas numa empresa de energia dispensaram uma das suas mais qualificadas para fazer um estágio no governo, recebendo-a à volta de braços abertos com a presa gorda que ela entretanto captou na teia...
Os fios da teia são tecidos com extrema habilidade, agarrando-se a engenhosos pontos de apoio: despachos «por urgência» (de quem?) ou «por interesse público» (leia-se: privado), «lacunas na lei» ou leis had hoc, etc.
Circulam nomes de ninhos de aranhas com fiandeiras viradas para todos os azimutes onde se captem fundos: Grupo Espírito Santo, Grupo Mello, Consórcios Westland e HDV,,Portucale, ESCOM, Multigere, CIRVER, Plêuade, Tejo Energia, Aenor, Lusocut, Mota-Engil, Iberola, Galp Energia...Fora as muitas outras teias que continuam escondidas em caves, recantos escuros e tectos altos, a coberto de vassouradas de limpeza.
Já Marx, no Manifesto do Partido Comunista, dizia que no Estado capitalista os governos «não são mais do que uma comissão para administrar os negócios colectivos de toda a classe burguesa». Essa é de facto a função da "classe política" dos partidos que se propõem como gestores no plano político dos interesses do capital. Neles recruta o grande capital as suas "nomenklaturas" de executivos e executantes, que circulam entre empresas privadas e govrerno, empresas públicas e altos cargos administrativos ou altas funções académicas: não vimos como a Moderna criou um nicho para o Portas se abrigar até chegar a sua vez no rodízio?
Já era assim nos tempos da ditadura fascista. Mas Abril abriu novos horizontes para a economia não ficar submetida à ganância dos monopólios e das aranhas que na sombra das caves e recantos escuros da governação vão tecendo as teias para captação de presas para os seus mandantes.
Só que essas teias não capturam moscas. Caçam, sim, as mais-valias criadas pelos que trabalham.
Envenenam a democracia e emagrecem o Estado de que se servem fingindo servi-lo.
As aranhas vieram-me à ideia com as notícias que inundaram a comunicação social sobre vergonhosas promiscuidades entre detentores de altos cargos políticos e o mundo da alta finança.
Imaginemos, por exemplo, um exército de tarântulas (as aranhas também podem ser peçonhentas) que foram lançadas no Ambiente e teceram à volta de milhares de sobreiros de uma reserva ecológica uma teia de morte para capturarem um grande naco de terreno como fonte de altos rendimentos; ou que nas caves da Defesa tarântulas lançadas de pára-quedas montaram teias para captação de grandes verbas em helicópteros e submarinos; ou que num ninho de afanhas instaladas numa empresa de energia dispensaram uma das suas mais qualificadas para fazer um estágio no governo, recebendo-a à volta de braços abertos com a presa gorda que ela entretanto captou na teia...
Os fios da teia são tecidos com extrema habilidade, agarrando-se a engenhosos pontos de apoio: despachos «por urgência» (de quem?) ou «por interesse público» (leia-se: privado), «lacunas na lei» ou leis had hoc, etc.
Circulam nomes de ninhos de aranhas com fiandeiras viradas para todos os azimutes onde se captem fundos: Grupo Espírito Santo, Grupo Mello, Consórcios Westland e HDV,,Portucale, ESCOM, Multigere, CIRVER, Plêuade, Tejo Energia, Aenor, Lusocut, Mota-Engil, Iberola, Galp Energia...Fora as muitas outras teias que continuam escondidas em caves, recantos escuros e tectos altos, a coberto de vassouradas de limpeza.
Já Marx, no Manifesto do Partido Comunista, dizia que no Estado capitalista os governos «não são mais do que uma comissão para administrar os negócios colectivos de toda a classe burguesa». Essa é de facto a função da "classe política" dos partidos que se propõem como gestores no plano político dos interesses do capital. Neles recruta o grande capital as suas "nomenklaturas" de executivos e executantes, que circulam entre empresas privadas e govrerno, empresas públicas e altos cargos administrativos ou altas funções académicas: não vimos como a Moderna criou um nicho para o Portas se abrigar até chegar a sua vez no rodízio?
Já era assim nos tempos da ditadura fascista. Mas Abril abriu novos horizontes para a economia não ficar submetida à ganância dos monopólios e das aranhas que na sombra das caves e recantos escuros da governação vão tecendo as teias para captação de presas para os seus mandantes.
Só que essas teias não capturam moscas. Caçam, sim, as mais-valias criadas pelos que trabalham.
Envenenam a democracia e emagrecem o Estado de que se servem fingindo servi-lo.