Os pedagogos
A febre da pedagogia tomou de assalto os governantes portugueses. O primeiro a dar sinais do frenesim foi Jorge Sampaio. Depois de andar pelas estradas do País a constatar o que toda a gente já sabe, isto é, que grande parte dos automobilistas portugueses desrespeita as regras de trânsito, motivo por que Portugal permanece no topo das listas de mortos na estrada e acidentes de viação, depois disto, dizia, o Presidente decidiu meter mãos à obra e encetar a ingente tarefa de explicar às gentes a bondade do Tratado Constitucional europeu, que o referendo está à porta, a desconfiança é muita e o exemplo francês pode trazer amargos de boca aos eurocêntricos.
Pelo que foi dado perceber pelo órgãos de comunicação social, o resultado destas duas diligências não entusiasmou ninguém.
No primeiro caso, o diagnóstico está feito há tanto tempo que não se percebe o porquê da iniciativa - a não ser talvez o prazer de passear estrada abaixo estrada acima à boleia da brigada de trânsito e de sentir o frisson de relatar para as câmaras o que todos podiam observar -, tanto mais que medidas práticas não houve, a começar por essa questão elementar de promover desde a mais tenra idade a educação cívica ou essa outra, estruturante, de atacar espúrios interesses estabelecidos separando escolas e exames. Daqui resulta que, passado o entusiasmo mediático, não só o Presidente voltou a andar de escolta como tudo permanece na mesma, ou seja, mal.
No segundo caso, não consta - se estamos errados pedimos desculpa - que as explicações de Sampaio tenham ido mais longe do que a lapidar constatação de que já estamos tão submetidos à Europa que, mais Tratado menos Tratado, não fará diferença e com a vitória do «sim» sempre ficamos na fotografia de família.
Os escassos resultados destas incursões presidenciais no reino da pedagogia não demoveram contudo os nossos governantes e afins, que esta semana voltaram ao ataque, perdão, à liça, desta feita a propósito das contas públicas, cujas - pasme-se! - estão pior do que se pensava.
É bem verdade que não se percebe quem é que foi apanhado desprevenido, tanto mais que Vítor Constâncio não se tem cansado de, pedagogicamente, aconselhar sucessivos governos a mandar apertar o cinto aos portugueses, única receita que parece conhecer para equilibrar as receitas, sem cuidar de saber se o tratamento, de tão drástico, não acabará por matar o pagante.
Seja como for, os que pensam querem agora fazer-nos crer que não pensavam ser o descalabro tamanho, pelo que cativaram o voto acenando com a miragem da governação rosa, moderna e desafogada. Com a maioria no bolso, eis que chega o momento da verdade, embrulhada na perplexidade de que afinal o buraco era maior do que o esperado - tal como já Cavaco, Guterres, Durão, Santana tinham dito - donde não resta alternativa a não ser a alternativa de sempre, que é como quem diz meta-se as promessas na gaveta e siga a marcha ao som da música do costume.
Com uma nuance, porém. Desta vez, aconselham todos, faça-se a coisa com pedagogia. É moderno e rima com demagogia.
Pelo que foi dado perceber pelo órgãos de comunicação social, o resultado destas duas diligências não entusiasmou ninguém.
No primeiro caso, o diagnóstico está feito há tanto tempo que não se percebe o porquê da iniciativa - a não ser talvez o prazer de passear estrada abaixo estrada acima à boleia da brigada de trânsito e de sentir o frisson de relatar para as câmaras o que todos podiam observar -, tanto mais que medidas práticas não houve, a começar por essa questão elementar de promover desde a mais tenra idade a educação cívica ou essa outra, estruturante, de atacar espúrios interesses estabelecidos separando escolas e exames. Daqui resulta que, passado o entusiasmo mediático, não só o Presidente voltou a andar de escolta como tudo permanece na mesma, ou seja, mal.
No segundo caso, não consta - se estamos errados pedimos desculpa - que as explicações de Sampaio tenham ido mais longe do que a lapidar constatação de que já estamos tão submetidos à Europa que, mais Tratado menos Tratado, não fará diferença e com a vitória do «sim» sempre ficamos na fotografia de família.
Os escassos resultados destas incursões presidenciais no reino da pedagogia não demoveram contudo os nossos governantes e afins, que esta semana voltaram ao ataque, perdão, à liça, desta feita a propósito das contas públicas, cujas - pasme-se! - estão pior do que se pensava.
É bem verdade que não se percebe quem é que foi apanhado desprevenido, tanto mais que Vítor Constâncio não se tem cansado de, pedagogicamente, aconselhar sucessivos governos a mandar apertar o cinto aos portugueses, única receita que parece conhecer para equilibrar as receitas, sem cuidar de saber se o tratamento, de tão drástico, não acabará por matar o pagante.
Seja como for, os que pensam querem agora fazer-nos crer que não pensavam ser o descalabro tamanho, pelo que cativaram o voto acenando com a miragem da governação rosa, moderna e desafogada. Com a maioria no bolso, eis que chega o momento da verdade, embrulhada na perplexidade de que afinal o buraco era maior do que o esperado - tal como já Cavaco, Guterres, Durão, Santana tinham dito - donde não resta alternativa a não ser a alternativa de sempre, que é como quem diz meta-se as promessas na gaveta e siga a marcha ao som da música do costume.
Com uma nuance, porém. Desta vez, aconselham todos, faça-se a coisa com pedagogia. É moderno e rima com demagogia.