Ora bem-Po
A propósito da visita do Presidente da República a França, o Público dedica uma página e tal a um tal Yves Léonard, «politólogo e historiador», «especialista da história contemporânea de Portugal», «um dos melhores especialistas de Portugal nos meios académicos franceses» e «professor em Sciences-Po».
O Prof em Sciences-Po disse ao Público que o nosso país é, hoje, muito bem visto em França porque, graças «à Expo98 e ao Euro-2004, Portugal é mais moderno e europeu» – e garantiu, mesmo, que «Lisboa é hoje, para os franceses jovens e urbanos, uma das capitais mais in da Europa».
Segundo o Público, o Prof-Po publicou dois livros: «Salazarisme e Fascisme» e «La révolution des oeillets» (certamente acolhidos com aplausos pelos «meios académicos franceses») – e prepara uma «Histoire du Portugal», de certo aguardada com ansiedade pelos «franceses jovens e urbanos» (entre os quais hão-de estar aqueles que há dias esmagaram Chirac no debate televisivo e fizeram subir o não nas sondagens sobre o referendo europeu...).
Talvez por desconhecimento, o Público não informou que o tal Yves Léonard já está publicado em Portugal desde Janeiro de 1998, data em que a Inquérito deu à estampa precisamente o «Salazarismo e Fascismo» – livro provavelmente lido por todos os portugueses jovens e urbanos e, isso posso garantir, lido por mim.
Trata-se de um trabalho «sobre as relações entre o salazarismo e o fascismo» e no qual, lidas as cerca de duzentas páginas que o compõem, ficamos a saber que «não se pode propriamente falar do salazarismo como uma espécie de fascismo», porque, escreve o Prof –Po, ao salazarismo, para ser fascismo, «’falta-lhe’, nomeadamente, a conquista do poder pela força (…) «um verdadeiro partido fascista para governar (…) e o recurso permanente e maciço à violência» – além de que «é difícil vermos em Salazar um verdadeiro chefe fascista»: ele «encarna», isso sim, «um autoritarismo conservador e burocrático, um ‘paternalismo autoritário’»
O Prof-Po ensina, ainda, que Salazar era «combatido por uma oposição fraca e desorganizada», o que não admira «dada a inexistência de partidos políticos».
Tudo isto permite ao Prof-Po cometer a proeza de não referir uma única vez o PCP nas cerca de duzentas páginas do seu «Salazarismo e Fascismo».
Por isso o dr. Mário Soares-Po escreve, no prefácio da obra citada: «nunca é demasiado tarde para apresentar a verdade dos factos e é isso que este livro faz, e muito bem». Ora bem-Po.
O Prof em Sciences-Po disse ao Público que o nosso país é, hoje, muito bem visto em França porque, graças «à Expo98 e ao Euro-2004, Portugal é mais moderno e europeu» – e garantiu, mesmo, que «Lisboa é hoje, para os franceses jovens e urbanos, uma das capitais mais in da Europa».
Segundo o Público, o Prof-Po publicou dois livros: «Salazarisme e Fascisme» e «La révolution des oeillets» (certamente acolhidos com aplausos pelos «meios académicos franceses») – e prepara uma «Histoire du Portugal», de certo aguardada com ansiedade pelos «franceses jovens e urbanos» (entre os quais hão-de estar aqueles que há dias esmagaram Chirac no debate televisivo e fizeram subir o não nas sondagens sobre o referendo europeu...).
Talvez por desconhecimento, o Público não informou que o tal Yves Léonard já está publicado em Portugal desde Janeiro de 1998, data em que a Inquérito deu à estampa precisamente o «Salazarismo e Fascismo» – livro provavelmente lido por todos os portugueses jovens e urbanos e, isso posso garantir, lido por mim.
Trata-se de um trabalho «sobre as relações entre o salazarismo e o fascismo» e no qual, lidas as cerca de duzentas páginas que o compõem, ficamos a saber que «não se pode propriamente falar do salazarismo como uma espécie de fascismo», porque, escreve o Prof –Po, ao salazarismo, para ser fascismo, «’falta-lhe’, nomeadamente, a conquista do poder pela força (…) «um verdadeiro partido fascista para governar (…) e o recurso permanente e maciço à violência» – além de que «é difícil vermos em Salazar um verdadeiro chefe fascista»: ele «encarna», isso sim, «um autoritarismo conservador e burocrático, um ‘paternalismo autoritário’»
O Prof-Po ensina, ainda, que Salazar era «combatido por uma oposição fraca e desorganizada», o que não admira «dada a inexistência de partidos políticos».
Tudo isto permite ao Prof-Po cometer a proeza de não referir uma única vez o PCP nas cerca de duzentas páginas do seu «Salazarismo e Fascismo».
Por isso o dr. Mário Soares-Po escreve, no prefácio da obra citada: «nunca é demasiado tarde para apresentar a verdade dos factos e é isso que este livro faz, e muito bem». Ora bem-Po.