Falsidades
As hostes da política de direita rejubilam. Até o Presidente da República, segundo o Público, que sabe destas coisas antes mesmo de elas acontecerem, aceita que o referendo sobre a famigerada «constituição» europeia - esse tratado de anexação de países influenciado também pelo defunto Papa que deixou a sua marca nefasta sobre a nova ordem mundial - seja coincidente com as eleições autárquicas.
O caso é escandaloso. Bem pode Jorge Sampaio, que subiu as escadas de Belém amparado primeiro numa de esquerda e mostrando depois que não precisava dela para lá se manter pois os serviços prestados grangearam-lhe a benevolência da direita, bem pode o Presidente desculpar-se com frases como «Portugal não pode deixar de estar no centro das decisões europeias».
Portugal não vai, mais uma vez, ficar no centro. E o sim que Sampaio certamente espera dos portugueses - mais todos os que com ele estão dispostos a perder a soberania do País - não será visto, a acontecer, se não como mais um amen às decisões dos maiores. Enquanto que tais maiores, porque a «esquerda» de lá é menos subserviente do que a de cá, se arriscam a levar um rotundo não a este tratado contra os trabalhadores e os povos europeus.
Diz o Presidente que deseja um «debate o mais profundo possível». Parece esquecer - mas não acreditamos nisso - que não haverá debate, nem sequer ligeiro, que esclareça os portugueses sobre os malefícios do tratado «constitucional», após todas as toneladas de demagogia vertidas sobre os eleitores que da União Europeia percebem pouco e de que não vêem resultados senão os que a economia do País, cada vez mais dependente das decisões de Bruxelas, sofre, juntando-se estas à condução da política nacional inspirada nos «cristianíssimos» valores do lucro.
O debate, em que apenas os comunistas e poucos mais se mostram firmemente interessados, fica, à partida, comprometido com a realização simultânea das eleições autárquicas. Momento privilegiado para julgar localmente os resultados que as diversas forças políticas em confronto mostram em cada município e freguesia, mas também momento de efervescência da luta partidária, as autárquicas vão relegar para o silêncio as questões levantadas pelo referendo. E muitos eleitores serão levados a «repetir» o seu voto, isto é, a votar no partido que escolhem e na opção «europeia» desse partido. Um retumbante e falso sim está à espreita.
O caso é escandaloso. Bem pode Jorge Sampaio, que subiu as escadas de Belém amparado primeiro numa de esquerda e mostrando depois que não precisava dela para lá se manter pois os serviços prestados grangearam-lhe a benevolência da direita, bem pode o Presidente desculpar-se com frases como «Portugal não pode deixar de estar no centro das decisões europeias».
Portugal não vai, mais uma vez, ficar no centro. E o sim que Sampaio certamente espera dos portugueses - mais todos os que com ele estão dispostos a perder a soberania do País - não será visto, a acontecer, se não como mais um amen às decisões dos maiores. Enquanto que tais maiores, porque a «esquerda» de lá é menos subserviente do que a de cá, se arriscam a levar um rotundo não a este tratado contra os trabalhadores e os povos europeus.
Diz o Presidente que deseja um «debate o mais profundo possível». Parece esquecer - mas não acreditamos nisso - que não haverá debate, nem sequer ligeiro, que esclareça os portugueses sobre os malefícios do tratado «constitucional», após todas as toneladas de demagogia vertidas sobre os eleitores que da União Europeia percebem pouco e de que não vêem resultados senão os que a economia do País, cada vez mais dependente das decisões de Bruxelas, sofre, juntando-se estas à condução da política nacional inspirada nos «cristianíssimos» valores do lucro.
O debate, em que apenas os comunistas e poucos mais se mostram firmemente interessados, fica, à partida, comprometido com a realização simultânea das eleições autárquicas. Momento privilegiado para julgar localmente os resultados que as diversas forças políticas em confronto mostram em cada município e freguesia, mas também momento de efervescência da luta partidária, as autárquicas vão relegar para o silêncio as questões levantadas pelo referendo. E muitos eleitores serão levados a «repetir» o seu voto, isto é, a votar no partido que escolhem e na opção «europeia» desse partido. Um retumbante e falso sim está à espreita.